Mercado Agrícola - 4.ago.2026

Avanço das lavouras americanas reduz preços da soja, enquanto perdas de qualidade apoiam outros grãos

04.08.2026 | 17:46 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O clima mais favorável no Meio-Oeste dos Estados Unidos pressionou as cotações da soja em Chicago. Chuvas atingiram grande parte das regiões produtoras. As temperaturas também recuaram. As previsões para os próximos dez dias não indicam calor intenso. O cenário reduziu o risco climático e levou os contratos de 2026 para níveis abaixo de 12 dólares por bushel.

A soja norte-americana alcançou 88% de florescimento. Na semana anterior, o índice somava 80%. No mesmo período do ano passado, alcançava 84%. A média histórica também marca 84%. A formação de vagens chegou a 62%, ante 47% na semana anterior, 56% no ano passado e média de 55%.

As condições das lavouras permaneceram em 63% entre boas e excelentes. O índice ficou abaixo dos 69% registrados no ano passado. As áreas classificadas como ruins ou péssimas somaram 9%, contra 7% no ciclo anterior. O plantio antecipado acelerou o desenvolvimento das plantas e manteve o mercado atento às condições meteorológicas de agosto.

No Brasil, a comercialização da safra de soja atingiu 75,5%. No ano passado, o índice chegava a 76%. A média soma 76,5%. Os produtores ainda mantêm cerca de 44,1 milhões de toneladas sem negociação, considerando uma produção de 180 milhões de toneladas. No mesmo período do ano anterior, o volume disponível alcançava 41,2 milhões de toneladas.

A venda antecipada da nova safra chegou a 29%. O percentual ficou abaixo dos 31,5% do ano passado e da média de 34%. O volume negociado alcançou cerca de 54 milhões de toneladas.

A queda em Chicago também reduziu os preços nos portos brasileiros. A posição para novembro, negociada perto de 156 reais por saca no melhor momento das semanas anteriores, recuou para uma faixa entre 146 reais e 147 reais. O câmbio próximo de 5,14 reais por dólar limitou parte da perda no mercado interno.

As chuvas também atingiram áreas de Mato Grosso durante o período seco. A umidade reduziu o ressecamento do solo em algumas regiões. Em contrapartida, produtores de algodão enfrentaram dificuldades nas áreas ainda próximas da colheita.

Situação do milho

No milho, o desenvolvimento das lavouras norte-americanas também avançou. O florescimento alcançou 90%, ante 78% na semana anterior, 86% no ano passado e média de 87%. A formação de espigas chegou a 43%. A formação de grãos atingiu 6%.

A qualidade do milho norte-americano caiu. As lavouras classificadas como boas ou excelentes recuaram de 63% para 61%. No ano passado, o índice atingia 73%. A deterioração reforça a possibilidade de redução da produção e de menor disponibilidade para exportação na próxima temporada.

No Brasil, a colheita da segunda safra de milho alcançou cerca de 67%. No ano anterior, o índice marcava 70%. A média chega a 75%. Mato Grosso superou 95% da área colhida. O país retirou dos campos aproximadamente 74 milhões de toneladas. A expectativa citada para a segunda safra aponta produção próxima de 110 milhões de toneladas.

Os negócios com milho seguem lentos. Nos portos, os indicativos variam de 63 reais a 65 reais por saca. Parte dos produtores retém o cereal e aguarda preços maiores.

Situação do sorgo

O sorgo norte-americano apresentou perda mais intensa de qualidade. Apenas 36% das lavouras receberam classificação boa ou excelente. Na semana anterior, o índice atingia 41%. No ano passado, somava 66%. As áreas ruins ou péssimas chegaram perto de 30%.

O cereal alcançou 52% de formação de panículas. A formação de grãos atingiu 28%. A combinação entre redução de área e baixa qualidade pode limitar a oferta dos Estados Unidos, principal exportador mundial, e ampliar oportunidades para o sorgo brasileiro.

No Brasil, a colheita do sorgo chegou a quase 70%. O volume retirado dos campos se aproxima de 6 milhões de toneladas. O resultado quase iguala toda a produção do ciclo anterior, calculada em 6,1 milhões de toneladas. Compradores mantêm interesse no produto para exportação.

Situação do trigo

O trigo também encontra suporte no mercado internacional. A saída de navios russos pelo Mar Negro reduziu parte da pressão recente. Mesmo assim, as cotações permanecem acima dos níveis do ano passado. O preço spot gira perto de 6,40 dólares por bushel. Contratos mais longos se aproximam de 7 dólares.

O Brasil plantou cerca de 2 milhões de hectares de trigo. No ano passado, a área alcançou 2,5 milhões de hectares. A redução indica menor produção e maior necessidade de importações.

Nos Estados Unidos, a colheita do trigo de inverno chegou a 86%. A colheita do trigo de primavera começou e alcançou 5%. As lavouras de primavera registraram 55% de condições boas ou excelentes. O índice supera os 48% do ano passado, mas ainda indica uma safra limitada.

No mercado brasileiro, o trigo opera perto de 1.330 reais por tonelada no Rio Grande do Sul e de 1.400 reais por tonelada no Paraná. As compras dos moinhos seguem lentas. O setor aguarda maior giro de farinha e derivados após o fim das férias escolares.

Situação do arroz

O arroz iniciou agosto com alta no Rio Grande do Sul. Na Fronteira Oeste, o produto com 58% de grãos inteiros alcançou indicativos próximos de 72 reais por saca. O arroz com 56% de grãos inteiros variou entre 68 reais e 70 reais. A oferta limitada e a presença de compradores sustentaram o movimento.

Os mercados do Paraguai, Argentina e Uruguai também registraram alta. A demanda asiática permaneceu firme. O produtor brasileiro busca níveis próximos de 80 reais por saca para cobrir os custos de produção e ampliar a liquidez antes do novo plantio.

Situação do feijão

O feijão carioca enfrenta movimento oposto. O produto nobre, negociado perto de 500 reais por saca no melhor momento do ano, recuou para uma faixa entre 270 reais e 300 reais. O carioca comercial varia entre 240 reais e 270 reais.

A maior oferta da terceira safra pressionou os preços. As áreas incluem lavouras em colheita, desenvolvimento e florescimento. O aumento do plantio irrigado ampliou a disponibilidade do grão.

O feijão-preto manteve maior estabilidade. Os indicativos variam entre 190 reais e 215 reais por saca. A reposição dos estoques durante agosto pode apoiar a demanda. A redução dos preços ao consumidor também pode favorecer novas compras por empacotadores nas próximas semanas.

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