Mercado Agrícola - 30.jun.2026

USDA ajusta áreas e mercado acompanha clima nos EUA

30.06.2026 | 15:30 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional de grãos acompanha o clima no Hemisfério Norte, os números do USDA e a evolução das lavouras nos Estados Unidos. A soja norte-americana avança acima da média, enquanto milho, sorgo e trigo mostram qualidade inferior à registrada no ano passado. No Brasil, a comercialização da soja disponível se aproxima da média histórica. Feijão carioca nobre mantém valorização. Arroz segue com estabilidade no Rio Grande do Sul.

O petróleo também entrou no radar do mercado. As negociações envolvendo o Irã reduziram a pressão sobre as cotações. O barril ficou perto de 70 dólares. Esse fator ajudou a diminuir a tensão sobre custos e sobre ativos ligados ao setor agrícola.

Situação da soja

Na soja, o USDA informou 96% das lavouras germinadas nos Estados Unidos. No ano passado, o índice chegava a 90%. A média fica em 95%. A semeadura ocorreu dentro da janela ideal. A cultura também mostra avanço no florescimento. O índice chegou a 19%, ante média de 15%. Em Illinois, 17% das lavouras entraram em florescimento. A média estadual fica em 13%.

A formação inicial de vagens alcançou 4% das áreas norte-americanas. A média fica em 2%. O dado indica uma safra adiantada. Caso o clima siga favorável nas próximas quatro ou cinco semanas, o risco de perdas na safra tende a diminuir. A qualidade das lavouras chegou a 65% em condição boa ou excelente. No ano passado, o índice chegava a 66%. Apesar de ligeira queda, a condição ainda permite avaliar a safra como boa, pois supera 60%.

O USDA também divulgou a estimativa final de área plantada com soja. O plantio ficou em 85,4 milhões de acres, o equivalente a cerca de 34,5 milhões de hectares. No ciclo anterior, os Estados Unidos cultivaram 32,8 milhões de hectares. A primeira estimativa indicava 34,3 milhões de hectares. O ajuste veio dentro do esperado pelo mercado, apesar de apostas em área próxima ou superior a 35 milhões de hectares.

Com a área definida em 34,5 milhões de hectares, Chicago tenta sustentar contratos acima de 11 dólares por bushel. O mercado vinha testando patamares abaixo desse nível. A sustentação pode abrir oportunidades para operações de barter. No Brasil, os prêmios seguem favoráveis. O dólar também mantém indicativos acima de 5,15 reais. Esse cenário melhora a relação de troca para produtores interessados em travar insumos.

A comercialização da soja disponível no Brasil chegou a 70% da safra. No ano passado, o índice marcava 71%. A média também fica em 71%. Ainda há volume relevante nas mãos dos produtores. Para a safra nova, cerca de 22% já passou por negociação. No ano passado, o índice atingia 26%. A média chega a 27%. A venda antecipada segue atrasada, em especial nas operações vinculadas a insumos. A área brasileira de soja deve crescer entre 500 mil e 1 milhão de hectares em relação ao ciclo anterior.

O mercado também espera os números finais das exportações brasileiras de junho. As apostas indicam embarques acima de 15 milhões de toneladas. Os dados finais devem sair nos próximos dias.

Situação do milho

No milho, o mercado também avaliou os dados do USDA. As lavouras norte-americanas germinaram. O florescimento alcançou 9%, ante média de 6%. A qualidade ficou em 67% de lavouras boas ou excelentes. Na semana anterior, o índice marcava 68%. No ano passado, chegava a 73%. O milho apresenta condição inferior à registrada no ciclo anterior.

A área de milho nos Estados Unidos confirmou queda esperada. O plantio ficou em 95,3 milhões de acres, ou 38,5 milhões de hectares. A redução pode retirar entre 20 milhões e 25 milhões de toneladas da produção norte-americana. Algumas projeções apontam queda superior a 25 milhões de toneladas. Essa redução deve atingir o volume exportável dos Estados Unidos.

Situação do sorgo

No sorgo, o USDA apontou área final de 2,4 milhões de hectares. No ano passado, a área chegou a 2,7 milhões de hectares. A redução passou de 10%. A qualidade das lavouras também ficou abaixo da safra anterior. O plantio atingiu 91%. A formação de panículas alcançou 19%, dentro da média. No Kansas, maior produtor norte-americano, 5% das lavouras entraram nessa fase. A média local fica em 2%. No Texas, o índice chegou a 60%, pois o estado semeia mais cedo.

A qualidade do sorgo norte-americano chegou a 52% em condição boa ou excelente. Na semana anterior, o índice marcava 51%. No ano passado, chegava a 64%. A safra anterior produziu 11,1 milhões de toneladas. A nova temporada pode colher menos de 9 milhões de toneladas. Esse quadro abre espaço no mercado exportador, pois os Estados Unidos lideram as exportações mundiais de sorgo.

Situação do trigo

No trigo, a colheita de inverno nos Estados Unidos se aproxima da metade da safra. A qualidade caiu para 26% em condição boa ou excelente. Na semana anterior, o índice marcava 27%. No ano passado, chegava a 49%. O resultado mostra uma safra ruim. No Leste Europeu, o calor acelera a maturação do trigo. Rússia, Ucrânia e outros países europeus enfrentam perda de potencial produtivo. A falta de chuva também aumenta o risco de fogo em áreas secas. Esse risco pode influenciar as cotações do trigo.

Situação do arroz

No arroz, o mercado asiático mantém leve pressão positiva. Nos Estados Unidos, o USDA apontou queda forte na área cultivada. O plantio ficou em 815,7 mil hectares. No ano passado, alcançou 1,137 milhão de hectares. Os Estados Unidos figuram entre os grandes exportadores do cereal. No Brasil, o mercado gaúcho segue sem grandes alterações. O produtor recebe entre 58 reais e 62 reais por saca. No varejo, pacotes em promoção variam de 13,90 reais a 17,90 reais. Marcas nobres aparecem entre 23 reais e 27 reais em promoções. Algumas marcas superam 30 reais em gôndolas sem promoção. A demanda de julho pode receber apoio do inverno e do consumo de alimentos quentes.

Situação do feijão

No feijão, o carioca nobre segue escasso. As colheitas caminham para o fim em várias regiões. O produto com classificação 9 ou superior mantém preços entre 385 reais e 425 reais por saca, conforme a praça. O carioca comercial, com classificação entre 8 e 8,5, opera entre 325 reais e 360 reais por saca. O mercado mostra estabilidade durante a fase final de colheita.

O feijão preto interrompeu o movimento de queda. O mercado aguarda demanda maior em julho, período com consumo associado a pratos de inverno. Nas principais regiões produtoras do Sul, a saca varia entre 195 reais e 210 reais. Poucos produtores conseguem preços acima desse intervalo. O setor espera melhora de consumo em julho. Para agosto, a oferta deve diminuir, pois não há expectativa de colheitas relevantes. As áreas irrigadas devem entrar no mercado após a segunda metade de setembro.

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