Mercado Agrícola - 28.jul.2026

Queda na qualidade das lavouras sustenta volatilidade em Chicago; exportações brasileiras avançam

28.07.2026 | 16:15 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional de grãos voltou a concentrar atenções no clima dos Estados Unidos. Soja e milho perderam qualidade durante a última semana, em uma fase decisiva do ciclo produtivo. As lavouras atravessam o florescimento e o início da formação de vagens e espigas. O comportamento das chuvas e das temperaturas pode definir o potencial produtivo nas próximas semanas.

A soja norte-americana alcançou 80% das áreas em florescimento. Na semana anterior, o índice somava 66%. No mesmo período do ano passado, chegava a 74%, mesmo percentual da média histórica. A formação de vagens atingiu 47%, ante 32% na semana anterior e 39% na média.

Apesar do avanço fenológico, a condição das lavouras piorou. A parcela classificada entre boa e excelente caiu de 66% para 63%. No ano passado, o índice alcançava 70%. As áreas avaliadas como ruins ou péssimas subiram para 9%, contra 6% no ciclo anterior.

No Brasil, a comercialização da soja ganhou ritmo após a valorização recente. A safra atual atingiu 74,5% de vendas. O percentual alcançava 75% no ano passado e 75,5% na média. O volume ainda disponível com produtores soma cerca de 45,9 milhões de toneladas, ante 42,8 milhões de toneladas no ciclo anterior.

As vendas da nova safra chegaram a 27,5%. No ano passado, o índice somava 36%, enquanto a média alcança 33%. Cerca de 51,1 milhões de toneladas já foram negociadas. A maior parte das operações envolve contratos de barter.

Situação do milho

O milho norte-americano também apresentou piora nas condições. O florescimento chegou a 78%, acima dos 59% da semana anterior, dos 73% registrados no ano passado e da média de 74%. A formação de espigas alcançou 25%, ante 13% na semana anterior e 22% na média.

A parcela das lavouras de milho classificada entre boa e excelente caiu de 67% para 63%. No ano passado, o índice somava 73%. As áreas ruins ou péssimas atingiram 12%, ante 7% no ciclo anterior.

No Brasil, a colheita do milho alcançou cerca de 63% da área. O ritmo permanece abaixo dos 70% esperados para o período. Mato Grosso superou 85%. Ainda restam aproximadamente 40 milhões de toneladas nos campos. A estimativa aponta produção total próxima de 110 milhões de toneladas.

As exportações começaram a ganhar ritmo. O Brasil embarcou 1,347 milhão de toneladas nas três primeiras semanas de julho. O acumulado do ano chegou a 9,3 milhões de toneladas, ante 8,4 milhões de toneladas no mesmo período anterior. A receita de julho alcançou 310 milhões de dólares.

No mercado interno, compradores dos setores de ração e etanol mantêm aquisições pontuais. Os indicativos nos portos recuaram da faixa de 70 a 74 reais para valores entre 66 e 70 reais por saca. A disponibilidade esperada com o avanço da colheita limita a disputa pelo cereal.

Situação do sorgo

O sorgo brasileiro pode ampliar espaço nas exportações. A colheita nacional aproxima-se de 60%. A produção supera 7 milhões de toneladas e pode chegar perto de 8 milhões de toneladas, em uma área cultivada de 2,2 milhões de hectares. Os portos chegaram a pagar 70 reais por saca nas últimas semanas. Depois, os indicativos recuaram para valores entre 64 e 68 reais.

Nos Estados Unidos, apenas 41% das lavouras de sorgo receberam classificação boa ou excelente. O índice atingia 45% na semana anterior e 66% no ano passado. As áreas ruins ou péssimas somam 25%. A redução do potencial produtivo norte-americano pode limitar a oferta exportável.

Situação do trigo

O trigo mantém sustentação no mercado internacional. As dificuldades logísticas na região do Mar Negro e a baixa qualidade da safra norte-americana oferecem suporte às cotações. A colheita do trigo de inverno alcançou 81%, acima da média de 79%. O trigo de primavera apresenta 53% das áreas entre boas e excelentes.

No Brasil, o mercado registra pouca alteração. No Rio Grande do Sul, a tonelada varia entre 1.315 e 1.330 reais. No Paraná, os valores ficam entre 1.390 e 1.410 reais por tonelada. Os preços ao produtor oscilam entre 69 e 73 reais por saca.

A área brasileira de trigo aproxima-se de 2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões de hectares no ano passado. Algumas lavouras gaúchas sofreram danos por granizo. O excesso de chuvas também exige atenção no Rio Grande do Sul, mas a safra segue sem problemas generalizados.

Situação do arroz

O arroz encerra julho com valorização. No Rio Grande do Sul, o produto comercial varia entre 60 e 70 reais por saca. Os tipos nobres alcançam valores entre 65 e 72 reais. Em Tocantins, os preços oscilam entre 80 e 85 reais. Em Mato Grosso, variam entre 93 e 100 reais.

A indústria relata aumento no custo de aquisição durante as últimas semanas. O varejo ainda mantém promoções, mas novos reajustes podem chegar às gôndolas no início de agosto. As projeções também indicam possível redução próxima de 100 mil hectares na próxima safra. A área nacional pode ficar entre 1,4 milhão e 1,45 milhão de hectares. A produção pode recuar de 11 milhões de toneladas para perto de 10 milhões de toneladas.

Situação do feijão

No feijão, a colheita da terceira safra aumentou a oferta de produto de qualidade. O feijão-carioca nobre, antes negociado entre 430 e 500 reais por saca, recuou para valores entre 290 e 310 reais. O carioca comercial varia de 270 a 290 reais, com negócios próximos de 280 reais.

O feijão-preto mantém estabilidade, com preços entre 190 e 215 reais por saca. O mercado aguarda recuperação do consumo em agosto. A volta às aulas costuma ampliar a demanda por arroz e feijão.

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