Mercado Agrícola - 24.abr.2026

Soja ganha suporte externo, mas oferta limita altas

24.04.2026 | 07:51 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A guerra no Irã mantém o petróleo em alta e sustenta o complexo soja no mercado internacional. O barril Brent volta aos US$ 100 e o WTI supera US$ 93. Esse cenário reforça a demanda por biocombustíveis e favorece óleo de soja e milho. Ao mesmo tempo, o avanço do plantio nos Estados Unidos pressiona cotações e limita ganhos em Chicago.

O plantio norte-americano de soja avança acima da média. A área semeada já supera 16%, frente a 7% a 8% no histórico. Illinois alcança quase 25%. O ritmo indica possível aumento de área, com projeções entre 34,5 e 35 milhões de hectares. A safra pode atingir 125 milhões de toneladas, acima das 116 milhões colhidas no ciclo anterior. Esse potencial pesa sobre os preços.

Em Chicago, o contrato julho testou US$ 12 por bushel, mas perdeu força. O mercado registrou forte atuação de hedge. As cotações recuaram para níveis de suporte entre US$ 11,40 e US$ 11,80. O ambiente indica dificuldade de sustentação de altas no curto prazo.

No Brasil, os prêmios seguem positivos, mas o câmbio mais fraco limita a remuneração. O dólar recua para a faixa de R$ 4,95. No porto, indicações caíram de US$ 139 para cerca de US$ 137 a US$ 138 por tonelada para embarque em outubro.

As exportações mantêm ritmo forte. Nos primeiros 12 dias úteis de abril, o país embarcou 10,8 milhões de toneladas. O volume pode superar 16 milhões no mês. A China responde por cerca de 75% dos embarques. No acumulado do ano até abril, os embarques somam 33,7 milhões de toneladas, recorde para o período.

O farelo também avança, com 7,3 milhões de toneladas exportadas no ano. O óleo atinge quase 800 mil toneladas. O complexo soja gerou US$ 4,984 bilhões em divisas nos primeiros dias de abril.

A colheita brasileira atinge 96% da área. O Rio Grande do Sul concentra as áreas remanescentes, com menos de 20% por colher. A produção total pode alcançar 180 milhões de toneladas, acima das 171,5 milhões do ciclo anterior.

Situação do milho

No milho, o mercado externo recebe suporte do petróleo e da demanda. Em Chicago, o cereal sustenta US$ 4,50 no spot e acima de US$ 5 nos contratos mais longos. O plantio nos EUA segue próximo da média, com 14% da área semeada.

No Brasil, a preocupação recai sobre a safrinha. Clima seco atinge Goiás, Minas Gerais e parte do Paraná. Mato Grosso do Sul também enfrenta déficit hídrico. A produção tende a ficar abaixo das 109 milhões de toneladas projetadas, com estimativas próximas de 100 milhões.

O mercado interno reage. Na B3, preços sobem diante da disputa entre compradores e vendedores. Exportações somam 7,1 milhões de toneladas no ano, acima das 6 milhões no mesmo período anterior.

Situação do trigo

No trigo, o cenário global indica restrição de oferta. Problemas climáticos e controle de exportações na Rússia sustentam preços acima de US$ 6 por bushel. No Brasil, a área plantada pode cair para cerca de 2 milhões de hectares. A produção deve recuar para perto de 6 milhões de toneladas.

Situação do arroz

O arroz avança na colheita, com mais de 90% da área concluída no país. No mercado, preços variam entre R$ 60 e R$ 82 por saca, conforme a região. O consumo segue firme no varejo.

Situação do feijão

O feijão apresenta oferta restrita no tipo carioca nobre. Cotações variam entre R$ 340 e R$ 365. O mercado registra alta semanal e demanda ativa.

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