Mercado Agrícola - 15.set.2026

Soja avança no Brasil com safra recorde e exportações maiores

15.09.2026 | 15:33 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A safra brasileira de soja alcançou 180,4 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume supera as 171,5 milhões de toneladas da temporada anterior e marca novo recorde nacional. As exportações também avançam. O complexo soja acumulou 117,4 milhões de toneladas embarcadas no ano, ante 105,8 milhões de toneladas no mesmo período anterior.

A comercialização da soja disponível alcançou 81,2% da produção. No ano passado, o índice chegava a 83,2%. A média registra 83,5%. O produtor ainda mantém cerca de 33,9 milhões de toneladas sem negociação. No mesmo período anterior, esse estoque nas mãos dos produtores somava 28,7 milhões de toneladas.

A safra nova também ganhou ritmo de comercialização. Os negócios alcançaram 38,5% da produção projetada. O índice chegava a 39% no ano passado e a média registra 40%. Apesar do percentual menor, o volume vendido supera o registrado na temporada anterior. Os contratos somam 71,2 milhões de toneladas.

O plantio avança no Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e em áreas de Goiás. As chuvas recentes melhoraram a umidade do solo em parte dessas regiões. Produtores aproveitaram períodos de tempo aberto para acelerar a semeadura. O avanço também envolve áreas destinadas à soja antes do cultivo de algodão.

As exportações mantêm ritmo superior ao do ano passado. Em oito dias úteis de setembro, os embarques de soja passaram de 2,9 milhões de toneladas. No acumulado do ano, o Brasil exportou 95,7 milhões de toneladas do grão, ante 88 milhões de toneladas no mesmo intervalo anterior.

O farelo de soja acumulou 19,7 milhões de toneladas exportadas, contra 16,5 milhões de toneladas no ano passado. O óleo de soja alcançou dois milhões de toneladas, ante 1,3 milhão de toneladas. A diferença do complexo soja em relação ao período anterior chega a 11,6 milhões de toneladas.

Soja, farelo e óleo geraram quase US$ 2 bilhões em receitas nos oito primeiros dias úteis de setembro. O valor informado alcançou US$ 1,937 bilhão, equivalente a cerca de R$ 10 bilhões em divisas.

No mercado internacional, as cotações da soja permanecem firmes em Chicago. As posições citadas permanecem acima de US$ 13 até meados do próximo ano. O mercado acompanha a colheita norte-americana e as expectativas em torno das relações comerciais entre Estados Unidos e China.

Nos Estados Unidos, 44% das lavouras de soja alcançaram maturação. O índice chegava a 38% no ano passado e a média registra 37%. A colheita avançou para 6%, acima da média de 3%. A parcela das lavouras de soja e milho avaliadas entre boas e excelentes soma 58%, ante 63% no ano passado.

As projeções para a produção norte-americana ainda apresentam diferenças. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta produção acima de 123 milhões de toneladas. A Pro Farmer indicou volume acima de 124 milhões de toneladas. Outras estimativas citadas ficam abaixo de 123 milhões de toneladas.

Situação do milho

O milho também apresenta avanço da colheita nos Estados Unidos. A maturação alcançou 42% das lavouras, ante média histórica de 38%. A colheita chegou a 8%, frente à média de 6%. As áreas classificadas entre boas e excelentes somam 57%. No ano passado, o índice atingia 67%.

No Brasil, a Conab elevou a estimativa da segunda safra de milho para 112,1 milhões de toneladas. A temporada anterior registrou 113,2 milhões de toneladas. A área da segunda safra alcançou 17,8 milhões de hectares, ante 17,4 milhões de hectares.

A produção total de milho recebeu projeção de 144 milhões de toneladas, acima das 141,2 milhões de toneladas da safra anterior. A área total das três safras alcançou 22,6 milhões de hectares, frente a 21,8 milhões de hectares.

A colheita da segunda safra supera 96%. O plantio da primeira safra chegou a 60%. No Rio Grande do Sul, o índice alcançou 60%. No Paraná, chegou a 70%. Santa Catarina registrou 60%.

As exportações de milho somaram 2,289 milhões de toneladas em oito dias úteis de setembro. No acumulado do ano, os embarques atingiram 16,8 milhões de toneladas, abaixo das 18,5 milhões de toneladas do mesmo período anterior. Os negócios nos portos apresentam ritmo limitado. As indicações citadas variam de R$ 74 a R$ 78 por saca, enquanto vendedores buscam valores superiores.

Situação do trigo

O trigo brasileiro apresenta redução de área e produção. A Conab cortou a estimativa da safra para 5,7 milhões de toneladas. A previsão anterior apontava 5,8 milhões de toneladas. O país colheu 7,9 milhões de toneladas no ano passado.

A área destinada ao cereal caiu para 1,9 milhão de hectares, ante 2,4 milhões de hectares. A Conab projeta consumo de 12 milhões de toneladas, importações de 7,1 milhões de toneladas e exportações de 1,5 milhão de toneladas.

Os preços indicados para trigo no Rio Grande do Sul variam entre R$ 1.350 e R$ 1.360 por tonelada. No Paraná, os valores superam R$ 1.500 por tonelada. As indicações por saca ficam entre R$ 72 e R$ 73 no Rio Grande do Sul e entre R$ 78 e R$ 80 no Paraná.

Situação do sorgo

O sorgo amplia participação no mercado brasileiro. A Conab estima produção de 7,348 milhões de toneladas, maior volume citado para a série brasileira. A safra anterior somou 6,162 milhões de toneladas. A área cultivada passou de 1,632 milhão de hectares para 2,169 milhões de hectares.

Nos Estados Unidos, 49% do sorgo alcançou maturação, acima da média de 41%. A colheita chegou a 22%, mesmo índice da média histórica. Apenas 28% das lavouras receberam classificação boa ou excelente. No ano passado, esse percentual alcançava 65%.

A condição norte-americana abre espaço para maior participação brasileira nas exportações. A projeção apresentada aponta possibilidade de embarques acima de 1,5 milhão de toneladas na temporada. O sorgo também mantém demanda interna nas indústrias de etanol e ração.

Situação do arroz

No arroz, a Conab estima produção de 11,1 milhões de toneladas, abaixo das 12,8 milhões de toneladas da safra passada. A área caiu para 1,516 milhão de hectares, ante 1,764 milhão de hectares. O consumo projetado alcança 10,8 milhões de toneladas.

As exportações de arroz, na base casca, somam 1,522 milhão de toneladas. No mesmo período anterior, o volume alcançava 1,033 milhão de toneladas. As importações acumuladas chegam a 1,332 milhão de toneladas.

Situação do feijão

O feijão encerra a colheita da terceira safra e entra em período de menor oferta. O feijão-carioca de melhor classificação apresenta indicações entre R$ 300 e R$ 330 por saca. O produto comercial registra valores entre R$ 275 e R$ 310. O feijão-preto varia entre R$ 220 e R$ 240 por saca.

A Conab estima produção total de feijão em 2,95 milhões de toneladas, ante 3,06 milhões de toneladas no ano passado. O consumo projetado soma 2,68 milhões de toneladas. As exportações alcançam projeção de 460,4 mil toneladas, enquanto as importações ficam em 52,6 mil toneladas. Os estoques finais foram estimados em 98 mil toneladas.

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