PR Safra 2026/27: chuvas dificultam o plantio da soja
Excesso de umidade limita operações no campo, atrasa a semeadura da soja e compromete a classificação comercial de culturas
O plantio da soja avança em ritmo acelerado no Brasil, enquanto a perspectiva de produção recorde nos Estados Unidos limita a recuperação das cotações em Chicago. A estimativa apresentada no comentário de mercado aponta de 30% a 32% da área brasileira semeada. No mercado internacional, a ausência de novas compras chinesas de soja norte-americana, após o feriado no país asiático, aumenta a pressão sobre os preços.
A produção norte-americana de soja foi estimada em 124,2 milhões de toneladas, ante 116 milhões de toneladas colhidas na safra anterior. O volume representa um recorde, segundo o levantamento citado na análise. A colheita alcança 46% da área, abaixo da média histórica de 50%. As lavouras classificadas em condições boas ou excelentes somam 57%. A previsão de queda de temperatura e possibilidade de geadas no norte do cinturão agrícola acrescenta risco às áreas tardias.
No Brasil, o Paraná ultrapassa 50% da área semeada. Mato Grosso aproxima-se de 40%. São Paulo chega perto de 50%, enquanto Mato Grosso do Sul supera 20%. Goiás registra mais de 15%, com possibilidade de aproximação de 20%. Produtores aproveitam as janelas de tempo seco. Chuvas frequentes restringem as operações em algumas regiões.
A comercialização da soja da safra anterior alcança 82% da produção, ante 84% no mesmo período do ano passado e na média histórica. Permanecem cerca de 32,5 milhões de toneladas nas mãos dos produtores. Um ano antes, o volume chegava a 27,5 milhões. Para a safra nova, as vendas antecipadas atingem 39,3%, frente a 39,6% no ano anterior e média de 40,4%.
Apesar da proporção ligeiramente inferior, o volume comprometido na safra nova alcança 73,3 milhões de toneladas, recorde para entregas em 2027, conforme o comentário. Parte das operações envolve trocas de grãos por insumos, conhecidas como barter. Outras negociações buscam proteger os preços futuros.
As exportações brasileiras de soja em grão somam 102,5 milhões de toneladas no acumulado de janeiro ao início de outubro, acima das 98,5 milhões de toneladas do período equivalente anterior. As vendas externas de farelo atingem 21,6 milhões de toneladas, contra 19,6 milhões. No óleo, os embarques chegam a 2,3 milhões de toneladas, ante 1,5 milhão. O complexo soja totaliza 126,4 milhões de toneladas, frente a 119,6 milhões um ano antes. Nos primeiros sete dias úteis de outubro, os embarques de soja em grão alcançam aproximadamente 2,39 milhões de toneladas.
No milho, o aumento das estimativas de produção e estoques dos Estados Unidos também pressiona Chicago. O relatório citado elevou em 6 milhões de toneladas a previsão de colheita norte-americana. Os estoques iniciais para 2026/27 passaram de 48,8 milhões para 53,2 milhões de toneladas. A combinação amplia a disponibilidade prevista em mais de 10 milhões de toneladas.
O cenário mundial apresenta direção diferente. A produção global projetada passou de 1,290 bilhão para 1,293 bilhão de toneladas. O consumo estimado permaneceu em 1,3205 bilhão. A diferença, próxima de 27,5 milhões de toneladas, indica necessidade de utilização de estoques globais. Nos Estados Unidos, 91% do milho alcançou a maturação, proporção igual à média histórica. A colheita avançou para 33%, abaixo dos 39% habituais para o período. O risco de geadas também preocupa produtores.
As exportações brasileiras de milho acumulam 21,5 milhões de toneladas no ano, abaixo das 27,7 milhões observadas no intervalo correspondente anterior. Nos sete primeiros dias úteis contabilizados em outubro, os embarques alcançam cerca de 1,73 milhão de toneladas.
O trigo apresenta poucas alterações nas negociações internas. No Rio Grande do Sul, os lotes registram indicações de R$ 1.460 a R$ 1.480 por tonelada. No Paraná, os valores variam de R$ 1.540 a R$ 1.570 por tonelada. Nos Estados Unidos, o trigo de inverno alcança 51% de área plantada, abaixo da média de 58%. As importações brasileiras somam aproximadamente 200,3 mil toneladas nos primeiros sete dias úteis de outubro. De janeiro ao início do mês, o acumulado ultrapassa 4,5 milhões de toneladas, ante mais de 5,6 milhões um ano antes. A elevação dos preços internacionais em dólar aumenta o custo de compra dos moinhos.
No arroz, o mercado gaúcho mantém preços indicativos de R$ 81 a R$ 85, conforme a praça, após cerca de três semanas de estabilidade. O setor aguarda a reposição dos estoques do varejo. No campo, produtores procuram acelerar o plantio antes da chegada de novas chuvas. A Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul já supera 50% da área semeada e se aproxima de 60%. No varejo, pacotes de cinco quilogramas aparecem em promoções entre R$ 17 e R$ 25. Marcas de maior preço alcançam R$ 28 a R$ 36.
No feijão, a previsão de chuvas preocupa produtores do sudoeste paulista com lavouras prontas para a colheita. O risco envolve perdas de qualidade dos grãos. O feijão-carioca de classificação 9 ou superior apresenta indicações de R$ 300 a R$ 310 em Goiás e Minas Gerais, com registros próximos de R$ 315 em algumas praças. Em São Paulo, as referências vão de R$ 330 a R$ 345. Para o carioca de classificação 8 a 8,5, os valores oscilam de R$ 285 a R$ 300 em Goiás e Minas Gerais e de R$ 315 a R$ 325 em São Paulo.
O feijão-preto mantém indicações entre R$ 255 e R$ 280. Produtores buscam R$ 300, sem registros de negócios nesse patamar. Empacotadores aguardam novas vendas ao varejo antes de retomar as compras de feijão-preto e carioca.
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