Mercado Agrícola - 12.jun.2026

USDA indica consumo firme e pressiona grãos

12.06.2026 | 14:16 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe poucos ajustes para a soja, mas reforçou sinais de consumo firme no milho, no trigo e no arroz. A semana também marcou o avanço final do plantio norte-americano de soja e milho. No mercado brasileiro, a chegada da segunda safra de milho e a colheita de feijão ampliam a pressão sobre preços internos.

Situação da soja

Na soja, o plantio nos Estados Unidos supera 95 por cento da área prevista. A média histórica para o período alcança 92 por cento. As lavouras avançam dentro da janela ideal. Mais de 65 por cento das áreas receberam classificação boa ou excelente.

O USDA manteve a safra mundial de soja em 441,3 milhões de toneladas. O consumo ficou em 440,8 milhões de toneladas. O número indica equilíbrio entre produção e demanda. Para o Brasil, o órgão manteve a projeção da nova safra em 186 milhões de toneladas. A safra atual ficou em 180 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a produção de soja segue estimada em 120,7 milhões de toneladas. O país colheu 116 milhões de toneladas no ciclo anterior. A Argentina aparece com 50 milhões de toneladas na nova safra. O Paraguai tem projeção de 11,1 milhões de toneladas, abaixo das 12,1 milhões de toneladas da safra atual.

A China segue como principal importadora mundial. O país tem produção estimada em 21 milhões de toneladas e importações previstas em 114 milhões de toneladas. O consumo chinês alcança 135 milhões de toneladas. O país deve consumir toda a soja produzida internamente e importada.

No Brasil, a China responde por mais de 70 por cento das compras externas de soja brasileira. No ano passado, essa participação chegou a 80 por cento. Mesmo com menor ritmo chinês, o Brasil mantém recorde nas exportações de soja e farelo. Os embarques de soja superaram 60 milhões de toneladas no acumulado do ano. O farelo alcançou cerca de 12 milhões de toneladas.

Em Chicago, a soja tenta sustentar suporte em 11,10 dólares por bushel. O suporte do contrato spot fica em 11 dólares por bushel. O mercado mantém leve viés de baixa. A boa condição da safra norte-americana e a falta de compras relevantes da China nos Estados Unidos pesam sobre as cotações. Os contratos futuros seguem entre 11 dólares e 11,50 dólares por bushel.

No Brasil, os preços nos portos variam de 133 reais a 142 reais por saca, entre julho e outubro. A queda em Chicago teve compensação parcial nos prêmios. Isso manteve os valores em reais. A comercialização da safra atual alcança cerca de 66 por cento. No mesmo período do ano passado, atingia 69 por cento. A média histórica soma 70 por cento.

A venda antecipada da nova safra de soja chega a 19 por cento. No ano passado, alcançava 24 por cento. A média histórica fica em 26 por cento. A compra de sementes e fertilizantes segue atrasada. O atraso na semente de soja aparece entre os maiores já registrados para este período.

A área de soja pode crescer na próxima temporada. Pode avançar sobre área do milho verão e do arroz; sobre pastagens degradadas e áreas de renovação de canaviais.

Situação do milho

No milho, o USDA elevou a projeção da safra mundial para 1,3 bilhão de toneladas. A estimativa anterior apontava 1,2954 bilhão de toneladas. O ajuste positivo chegou a 4,6 milhões de toneladas. O consumo mundial, porém, foi projetado em 1,3225 bilhão de toneladas. A demanda supera a produção em 22,5 milhões de toneladas.

O consumo mundial de milho deve atingir recorde histórico. O setor de etanol responde por parte do crescimento. Nos Estados Unidos, a produção segue estimada em 406 milhões de toneladas, ante 432 milhões de toneladas no ciclo anterior. O Brasil aparece com 139 milhões de toneladas. A Argentina tem projeção de 55 milhões de toneladas, frente a 61 milhões de toneladas na safra em colheita.

A China deve produzir 307 milhões de toneladas de milho e importar 6 milhões de toneladas. O consumo chinês chega a 325 milhões de toneladas. A diferença indica redução de estoques. O México segue como maior importador mundial no relatório, com 27,7 milhões de toneladas. O consumo mexicano alcança 53,4 milhões de toneladas.

No Brasil, a colheita do milho avança no Mato Grosso. O estado colheu cerca de 10 por cento da área. Também há colheitas em áreas de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e pontos isolados do Paraná. No Paraná, as chuvas limitaram o ritmo. A colheita deve ganhar força no fim de junho e em julho.

As cotações do milho nos portos variam de 64 reais a 67 reais por saca, entre julho e setembro. O mercado interno pode enfrentar mais pressão de baixa nas próximas semanas. A ampliação da oferta da segunda safra deve elevar a necessidade de venda dos produtores. A demanda interna de ração e etanol, porém, segue em patamar recorde.

Situação do trigo

No trigo, o USDA elevou a produção mundial para 820,1 milhões de toneladas. A estimativa anterior somava 819,1 milhões de toneladas. O consumo mundial passou de 823,2 milhões para 824,6 milhões de toneladas. A produção fica abaixo do consumo previsto.

A colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos superou 15 por cento. No ano passado, o índice ficava abaixo de 10 por cento no mesmo período. Apenas 25 por cento das lavouras norte-americanas de inverno receberam classificação boa ou excelente. A fonte também cita problemas de vigor na Rússia, Ucrânia e leste europeu.

No Brasil, o trigo gaúcho varia de 1.320 reais a 1.330 reais por tonelada. No Paraná, os preços ficam entre 1.360 reais e 1.380 reais por tonelada. No balcão, a saca varia de 69 reais a 70 reais no Paraná e de 68 reais a 69 reais no Rio Grande do Sul. O plantio avança nos dois estados. A nova safra brasileira deve ter queda de área, segundo a fonte.

Situação do arroz

No arroz, o USDA projeta produção mundial de 532,3 milhões de toneladas de arroz beneficiado. A safra anterior somou 544,7 milhões de toneladas. A queda chega a cerca de 12,5 milhões de toneladas. O consumo foi estimado em 541,2 milhões de toneladas. A demanda supera a produção em cerca de 9 milhões de toneladas.

A Índia segue como maior exportadora mundial, com 25 milhões de toneladas projetadas. O país, porém, dá sinais de controle sobre exportações para evitar falta interna e pressão inflacionária.

No Brasil, os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural deram liquidez ao arroz. Parte dos contratos deve seguir para exportação. No varejo, os pacotes de cinco quilogramas com preços entre 10 reais e 11 reais perderam espaço. Promoções de marcas comerciais aparecem entre 13,89 reais e 14,89 reais. Marcas conhecidas ficam entre 16 reais e 17 reais. Marcas nobres aparecem entre 23,90 reais em promoção e 28 reais a 30 reais em gôndola normal.

Na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, o arroz comercial ao produtor ficou em 55 reais por saca. O parboilizado ficou em 51 reais por saca. Produtores do Rio Grande do Sul, Paraguai, Argentina e Uruguai indicam redução de área. A nova safra do Mercosul pode ficar abaixo de 13 milhões de toneladas.

Situação do feijão

No feijão, a entrada da safra pressiona as cotações. No Paraná, a chuva atrapalha a colheita. O feijão carioca nobre, tipo nove acima, chegou a 500 reais por saca e recuou para indicações entre 370 reais e 410 reais por saca. O feijão carioca comercial caiu de níveis acima de 450 reais para 320 reais a 380 reais por saca.

O feijão preto também recuou. O produto, negociado antes perto de 300 reais por saca, passou para indicações entre 180 reais e 220 reais por saca. A pressão de baixa pode continuar com a colheita. Depois do meio de julho, a oferta deve diminuir e o mercado deve entrar em vazio de oferta em agosto, setembro e outubro.

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