Importações de máquinas agrícolas sobem 42% no Brasil

Anfavea registra retração nas vendas de tratores e colheitadeiras e avanço de produtos chineses nas licitações

21.10.2026 | 12:54 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Anfavea

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil recuaram 15,8% entre janeiro e agosto de 2026, enquanto as importações cresceram 42% nos nove primeiros meses do ano. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o varejo comercializou 27 mil unidades até agosto, ante 32 mil no mesmo período de 2025. As compras externas somaram 11,2 mil unidades entre janeiro e setembro. As exportações alcançaram 5 mil unidades, avanço de 9%.

O recuo atingiu tratores de rodas e colheitadeiras. As vendas de tratores totalizaram 25,5 mil unidades nos oito primeiros meses, redução de 14,1% diante das 29,7 mil comercializadas no intervalo correspondente de 2025. Nas colheitadeiras, o volume passou de 2,3 mil para 1,4 mil unidades, queda de 39,4%.

Todas as faixas de potência dos tratores apresentaram retração. Os modelos 4x2 com menos de 100 HP tiveram redução de 8,3%. Na faixa de 100 a 180 HP, a queda chegou a 22,4%. Entre os equipamentos acima de 180 HP, o recuo alcançou 30,3%. Os tratores 4x4 registraram diminuição de 40,9%.

Redução da demanda

A Anfavea atribui a perda de demanda ao endividamento dos produtores, à menor rentabilidade agrícola e ao custo do financiamento. Em setembro, a taxa Selic alcançava 13,75% ao ano. A inadimplência no crédito rural de pessoas físicas atingiu 9,7% em agosto, conforme dados do Banco Central reunidos pela entidade. A associação também relaciona a redução da rentabilidade à queda nos preços das commodities agrícolas desde janeiro de 2025.

Importações de tratores

Na direção oposta, as importações de tratores provenientes da China cresceram 117% entre janeiro e setembro e chegaram a cerca de 5,2 mil unidades. A Índia forneceu volume semelhante, com alta de 11%. Juntos, os dois países responderam por 93% dos tratores importados no período. A Anfavea destaca a concentração das importações em máquinas de menor potência: 90% dos tratores adquiridos no exterior tinham até 100 HP. A faixa de 50 a 100 HP reuniu 6.412 equipamentos e registrou crescimento de 56%.

A entidade também identificou participação de máquinas importadas nas compras públicas. Levantamento baseado no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) aponta 10.603 máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas em 2025, com valor total de R$ 3,7 bilhões. Os equipamentos de origem chinesa representaram 33,5% das unidades e 26% do valor licitado, equivalente a aproximadamente R$ 960 milhões.

Os tratores agrícolas responderam por 3.318 unidades licitadas no ano. Desse total, 65% vieram do exterior e 35% da produção local. Para essa classificação, a Anfavea considera nacionais os equipamentos fabricados no Brasil, inclusive os de marcas estrangeiras com unidades industriais no país. Nas compras públicas de máquinas agrícolas e rodoviárias, as importações responderam por 33,6% das unidades, enquanto a produção local representou 66,4%.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defende a avaliação do custo total de propriedade nas licitações, além do preço de aquisição. Segundo ele, a operação das máquinas depende da disponibilidade de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento durante a vida útil. A entidade sustenta a adoção de requisitos compatíveis de qualidade, segurança e responsabilidade pelo produto para fabricantes nacionais e importadores.

As fabricantes instaladas no Brasil também relatam aumento dos custos dos componentes plásticos. A manutenção da tarifa de importação de 20% sobre resinas e polímeros, somada a medidas antidumping, pode elevar esses custos entre 4% e 7%, segundo estimativas das empresas associadas à Anfavea.

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