iLPF é alternativa de tecnologia agropecuária a favor do meio ambiente e do produtor

29.08.2011 | 20:59 (UTC -3)
Sílvia Zoche Borges

A disponibilidade de tecnologias com sustentabilidade econômica, social e ambiental, por meio de novos modelos de produção na agricultura e pecuária, permite ao Brasil produzir mais grãos, fibras e energia sem agredir o meio ambiente e gerando riquezas.

Mas ainda é necessário que mais produtores rurais se conscientizem da necessidade de se colocar em prática as diversas tecnologias que demonstram bons resultados. Com isso, além do equilíbrio ambiental, o país mostra que é capaz de executar o compromisso firmado voluntariamente, em 2009, na Convenção do Clima de Copenhague (COP 15) que, entre outros fatores, compromete-se em reduzir a emissão de gases de efeito estufa no país entre 36% e 39% até 2020.

Uma das formas de contribuir com esses números é o produtor apostar em técnicas de recuperação e reforma de pastos. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, aproximadamente 9 milhões de hectares de pastagens estão com algum tipo de degradação. A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) pode ser uma alternativa, já que essa tecnologia permite a convivência entre a produção de grãos, carne e madeira, diversificando a fonte de renda do produtor.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Júlio Cesar Salton, a proposta dessa tecnologia é diversificar. “Uma realidade é que o produtor pode ter a floresta sem afetar a produtividade das pastagens, e ainda ter o ganho decorrente da venda da madeira. Na lavoura, em sua fase inicial, as árvores também não interferem na produtividade das culturas. Com o passar do tempo, a interferência vai depender do espaçamento entre elas – quanto mais próximas, mais sombreamento. Normalmente, a lavoura produz até as árvores estarem em um determinado tamanho, e a partir daí ficam as pastagens”, explica Salton.

A espécie disponível e mais fácil de ser trabalhada, segundo Salton, é o eucalipto, que também é uma espécie com amplo mercado de acordo com a necessidade da região, que pode ser por madeira para produção de papel, de energia através do carvão vegetal, de móveis ou para construção civil. No caso do sul de Mato Grosso do Sul, o mercado está voltado para atender as demandas de madeira para a construção civil. Além disso, o eucalipto tem a vantagem de crescer mais rápido que outras espécies.

Para a iLPF, as culturas escolhidas podem ser as que o produtor já cultiva em sua região, mas que sejam na forma de Sistema Plantio Direto (SPD), que possui três fundamentos: o não revolvimento do solo, a manutenção do solo coberto permanentemente e a rotação de culturas.

“A iLPF é uma tecnologia que desponta no país e a Embrapa e outras instituições de pesquisa no Brasil têm desenvolvido uma série de trabalhos, visando aprimorar o conhecimento para que a iLPF possa efetivamente ser incorporada aos sistemas produtivos predominantes no país”, afirma o chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas.

Esse modelo de produção exige conhecimento técnico e acompanhamento, porque cada situação necessita de um tipo de arranjo adequado às espécies envolvidas no sistema, seja espécie de origem vegetal ou animal.

Por esse motivo, a Embrapa Agropecuária Oeste realiza uma Visita Técnica em seu Campo Experimental de Ponta Porã (MS) sobre iLPF, em parceria com a Embrapa Transferência de Tecnologia, a Embrapa Gado de Corte – Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária vinculadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) –, Fundação MS e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). O evento acontece na terça-feira, 30 de agosto, das 9 às 15 horas, e o público-alvo são líderes rurais, técnicos da assistência pública e privada e de empresas rurais da região.

Haverá um Painel sobre aspectos tecnológicos e econômicos do iLPF com o pesquisador Abílio Rodrigues Pacheco, da Embrapa Transferência de Tecnologia (Goiânia/GO) e, em seguida, os debatedores que abrirão as discussões: Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Armindo Neivo Kichel, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Dirceu Luiz Broch (Fundação MS) e Omar Daniel (UFGD). O encerramento das atividades será com a visita à URT de iLPF.

Os trabalhos desenvolvidos em Ponta Porã, que fazem parte de um projeto nacional com diversos parceiros como a Bunge, possuem um ano e meio de existência e ocupa cerca de 15 hectares, onde existem também parcelas com plantio convencional como forma de comparação para pesquisa. A Unidade serve como base para transferência da informação, coleta e acompanhamento da pesquisa.

O objetivo do evento é possibilitar a reflexão e análise entre a Embrapa e o público-alvo dessa primeira Visita Técnica, sobre a incorporação da iLPF aos sistemas de produção. “O conhecimento é o insumo mais importante para a sustentabilidade da atividade agropecuária no Brasil e no mundo”, conclui Lamas, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste.

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