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A inteligência artificial e a agricultura regenerativa estiveram entre os principais temas da Reunião de Pesquisa de Soja, promovida pela Embrapa Soja nos dias 10 e 11 de junho, em Londrina (PR). Especialistas apontaram que a combinação entre digitalização, manejo sustentável e novos conhecimentos sobre a biologia do solo tende a influenciar os sistemas produtivos da soja nos próximos anos.
No último dia do evento, pesquisadores apresentaram perspectivas sobre o avanço da inteligência artificial no agronegócio, os desafios para ampliar o acesso às tecnologias digitais e os resultados de iniciativas voltadas à agricultura regenerativa.
O chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira (na foto), apresentou um panorama sobre o uso da inteligência artificial (IA) na agricultura brasileira. Segundo ele, tecnologias já disponíveis permitem aplicações como a detecção precoce de doenças em plantas, o monitoramento de lavouras por satélite, a pulverização seletiva de defensivos e o uso de robôs em atividades de monitoramento.
Na cultura da soja, Oliveira destacou sistemas capazes de identificar focos de infestação de plantas daninhas e realizar aplicações localizadas de herbicidas. De acordo com o pesquisador, estudos realizados em Mato Grosso mostram que investimentos em pulverização seletiva podem ser amortizados em cerca de dois anos.
O pesquisador também apontou tendências para os próximos anos, como a adoção dos chamados “gêmeos digitais” — réplicas virtuais das propriedades rurais capazes de simular cenários produtivos antes mesmo da implantação da lavoura. A tecnologia poderá auxiliar produtores na previsão de riscos climáticos, perdas de produtividade e estratégias de manejo.
Apesar das perspectivas, Oliveira ressaltou que a ampliação do uso da IA depende da capacitação dos produtores e da democratização do acesso às tecnologias digitais, especialmente entre médios e pequenos agricultores.
A agricultura regenerativa também esteve no centro das discussões. Para Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, embora o conceito ainda esteja em construção, existe consenso científico de que a recuperação da saúde do solo é um dos pilares para a regeneração dos sistemas produtivos.
Segundo Mendes, indicadores como atividade microbiológica, ação de enzimas produzidas por microrganismos e análises do microbioma do solo ajudam a avaliar a capacidade dos sistemas agrícolas de responder a estresses ambientais, como períodos de seca e ocorrência de doenças.
O pesquisador destacou ainda o avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira. Na sua avaliação, essas tecnologias representam uma oportunidade para reduzir a dependência de defensivos químicos, embora a substituição total ainda seja um desafio.
Entre os benefícios observados em sistemas regenerativos estão a redução dos custos de produção, o aumento da resiliência das lavouras e a maior estabilidade produtiva em condições climáticas adversas.
Os participantes também conheceram resultados do Projeto Regenera Cerrado, iniciativa que reúne produtores rurais e instituições de pesquisa para monitorar práticas de agricultura regenerativa adotadas em propriedades do sudoeste de Goiás.
Segundo Priscila Terrazan, do Instituto Biosistêmico, os primeiros anos de monitoramento indicam ganhos econômicos em propriedades familiares de até 400 hectares quando comparadas a sistemas convencionais. O projeto busca validar essas práticas em condições reais de produção e ampliar a disseminação do conhecimento para outras regiões do país.
A aplicação prática desse modelo foi apresentada pelo produtor rural Erik Van Den Broek, da Fazenda Tropical, em Rio Verde (GO). Com cerca de 4 mil hectares cultivados com soja e milho, além de atividades de pecuária, horticultura e piscicultura, a propriedade adota práticas regenerativas há mais de dez anos.
Segundo Broek, o sistema prioriza o uso de biológicos, a produção de compostos orgânicos na própria fazenda e o monitoramento constante das lavouras para orientar decisões de manejo. O objetivo é reduzir impactos ambientais e preservar a biologia do solo sem comprometer a produtividade.
As discussões evidenciaram que a sojicultura brasileira avança simultaneamente em duas frentes: a incorporação de tecnologias digitais baseadas em inteligência artificial e a adoção de sistemas produtivos mais resilientes, apoiados na saúde do solo e na biodiversidade. Essas estratégias, segundo os participantes do evento, tendem a ganhar espaço à medida que o setor busca aumentar a eficiência produtiva e enfrentar desafios climáticos cada vez mais complexos.
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