Inmet prevê tempo seco e janela maior para colheita
Condição favorece operações com milho, algodão e café em regiões produtoras
O mercado global de café segue altamente volátil, de acordo com a avaliação da Hedgepoint Global Markets, com as atenções voltadas para o avanço da colheita da safra 2026/27 no Brasil e para os possíveis efeitos do El Niño em outras origens produtoras. Segundo a companhia, a estimativa de superávit global para a temporada foi revisada de 9,9 milhões de sacas para 8,2 milhões de sacas, após ajustes para baixo na produção de alguns países diante de padrões irregulares de precipitação.
A análise foi apresentada durante a Live com os Especialistas sobre o mercado de café e aponta que, apesar da redução, o excedente ainda pode permitir uma recuperação de estoques, embora a estrutura atual do mercado, os custos e a tendência das importações nos países de destino possam levar os países de origem a reterem parte da produção.
O cenário internacional continua sendo influenciado pelos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã. Em 18 de junho de 2026, os dois países assinaram um Memorando de Entendimento para suspender as hostilidades por 60 dias e negociar o fim do conflito, o que levou a uma queda nos preços da energia. Contudo, em 7 de julho, novos ataques voltaram a intensificar o conflito, afetando o setor energético e reforçando as expectativas de um cenário inflacionário persistente.
Diante desse contexto, o Banco Central Europeu aumentou suas três taxas de juro de referência em 25 pontos-base, enquanto o Federal Reserve manteve as taxas inalteradas, entre 3,5% e 3,75%, mas sinalizou que um novo aumento ainda em 2026 continua possível, já que a inflação permanece acima da meta de 2%. No caso do Brasil, o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos ainda pode manter o carry trade atrativo.
Segundo a Hedgepoint, os preços do café, especialmente do arábica, têm apresentado forte volatilidade em julho. Embora os fundamentos também tenham contribuído para esse cenário, fatores macroeconômicos, indicadores técnicos e o posicionamento dos fundos foram os principais catalisadores do movimento, à medida que os futuros do arábica romperam níveis importantes de resistência e médias móveis de longo prazo. A arbitragem também se ampliou.
O aumento das margens iniciais também reduziu a liquidez do mercado e levou muitos fundos a ajustarem ou encerrarem posições, o que, somado ao aumento das chamadas de margem, desencadeou atividade adicional de cobertura de posições vendidas. Após correções recentes, o mercado perdeu parte da força anterior, ainda que isso não exclua a possibilidade de uma nova fase de volatilidade, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño e aos baixos estoques certificados.
Os spreads também indicam preocupações no curto e médio prazo, com a diferença entre os contratos de setembro e dezembro do arábica aumentando significativamente no mês. Segundo a análise, os atrasos na colheita no Brasil, a oferta mais restrita de outras origens, os efeitos de um El Niño forte e a diminuição dos estoques certificados pela ICE deverão manter os spreads de curto prazo elevados.
No Brasil, a precipitação constante em junho impediu os trabalhadores de entrarem nos campos de café, atrasando a colheita e afetando a qualidade de bebida dos grãos que estavam secando no período. Mesmo após ganhar força em julho, a colheita continua abaixo dos níveis dos anos anteriores.
Por outro lado, segundo a Hedgepoint, apesar do atraso, as chuvas não afetaram a produção total, e a expectativa de uma safra recorde no país foi mantida. Outras entidades do mercado também destacam a safra excepcional do Brasil em 2026/27 e seu papel na formação de um superávit global de café.
O ritmo de vendas, no entanto, segue mais lento do que na temporada anterior, refletindo-se nas exportações: as de arábica permanecem abaixo da média dos últimos anos, enquanto as de robusta têm mostrado alguma reação recente, em função do avanço da colheita. A análise destaca ainda que, em meados de julho, o café instantâneo brasileiro foi incluído na lista de isenções da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Como o país está entre os maiores importadores do produto brasileiro, a medida pode favorecer as exportações.
A Hedgepoint chama atenção para a crescente intensidade do El Niño, que já apresenta mais de 70% de probabilidade de se tornar muito forte entre agosto e novembro de 2026, com potencial de impactar os principais produtores de café.
No Vietnã, por exemplo, o desenvolvimento da safra 2026/27 tem sido marcado pela precipitação abaixo da média, o que já levou a uma redução marginal na estimativa de produção, com risco de novos ajustes caso as condições climáticas não melhorem. Na Indonésia, a preocupação está concentrada no clima do segundo semestre, período em que os cafezais entrarão na fase de desenvolvimento da safra 2027/28.
Para o arábica, a maioria dos países da América Central registra padrões irregulares de precipitação associados ao El Niño. Já na Colômbia, a precipitação tem se mantido próxima da média, favorecendo o desenvolvimento da safra 2026/27, embora o fenômeno ainda possa afetar a oferta, especialmente na colheita de Mitaca.
Embora a expectativa de colheita recorde no Brasil assegure um excedente nesta temporada, um El Niño extremamente forte poderá afetar a produção em outras origens, atualmente em fase de desenvolvimento. Após revisar para baixo a produção de alguns países com base nos padrões irregulares de precipitação, a Hedgepoint reduziu sua estimativa de superávit para 2026/27 de 9,9 milhões para 8,2 milhões de sacas.
Segundo a análise, apesar da redução, o excedente ainda pode permitir uma recuperação dos estoques. No entanto, a estrutura atual do mercado, os custos e a tendência das importações nos países de destino podem levar os países de origem a reterem parte da produção.
A Hedgepoint também ressalta que, como muitos países só entrarão na colheita entre outubro e novembro, novas revisões ainda poderão ser feitas, e os efeitos do El Niño poderão alterar o superávit. O fenômeno também será determinante para a safra 2027/28 no Brasil e na Indonésia, com possíveis efeitos sobre os preços do café até o fim do ano.
No Brasil, a expectativa é de que o avanço da colheita recorde permita maior fluxo de exportações nos próximos meses, o que pode pressionar as cotações. Por outro lado, as incertezas relacionadas ao El Niño em outras origens e os estoques ainda reduzidos nos países de destino podem limitar parte desse movimento de baixa esperado pela colheita brasileira.
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