Importações de fertilizantes crescem em 2024
Foram desembarcadas nos portos brasileiros 44,3 milhões de toneladas
A China iniciou as comemorações do Ano Novo Lunar (Ano da Serpente) e permanecerá fora do mercado por uma semana. “Durante esse período, a ausência dos players chineses tende a reduzir os volumes negociados, especialmente no mercado de futuros”, diz Ignacio Espinola, analista sênior de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Paralelamente, a maior incerteza para os mercados de óleo de palma e óleo de soja vem das ações de Donald Trump, que ameaça impor novas sanções à China. Ao mesmo tempo, o governo chinês começou a repatriar cidadãos que viviam ilegalmente nos Estados Unidos, em resposta às advertências do presidente Trump sobre tarifas e sanções contra países que recusarem a aceitação de deportados.
“O governo argentino anunciou a redução dos impostos sobre exportações (retenciones) até junho de 2025, em uma tentativa de impulsionar um programa mais agressivo de vendas externas dos produtos agrícolas do país, aproveitando o atual cenário do comércio global”, destaca o analista.
As alíquotas foram reduzidas de 33% para 26% no caso da soja, de 12% para 9,5% para milho e trigo, e de 31% para 24,5% para o farelo e o óleo de soja.
A China impôs a suspensão de cinco exportadoras brasileiras de soja devido ao descumprimento de requisitos fitossanitários. A restrição, que pode se estender por até 12 meses, afeta significativamente o comércio entre os dois países.
De acordo com Ignacio, juntas, as cinco empresas foram responsáveis por 40% (29,2 Mt) das 73 Mt de soja brasileira exportadas para a China em 2024. “Nos últimos anos, o país asiático tem aumentado sua dependência da soja brasileira em detrimento da americana, buscando diversificar fornecedores e criar reservas estratégicas diante da possibilidade de um conflito comercial com os EUA”, observa.
Os fundos especuladores reduziram suas posições vendidas em soja de 49 mil contratos “short” para 1 mil contratos “long” em duas semanas. Para o farelo de soja, a posição segue estável em 68 mil contratos “short”, enquanto no óleo de soja houve queda de 49 mil para 12 mil contratos vendidos, indicando um cenário mais neutro para a commodity.
“O mercado segue atento ao clima na América do Sul, já que a falta de chuvas pode impactar a safra argentina. O último WASDE estimou a produção em 52 milhões de toneladas, mas esse número pode ser revisado para baixo. Enquanto isso, o “prêmio climático” continuará influenciando os preços, juntamente com os desdobramentos políticos envolvendo Donald Trump”, conclui.
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