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Um estudo russo com o parasitoide Habrobracon hebetor traz resultados de interesse para o manejo de Helicoverpa armigera. Essa lagarta foi identificada no Brasil pela Embrapa em fevereiro de 2013 e ataca mais de cem espécies de plantas, entre elas soja, milho, algodão, sorgo, feijão e tomate. Pesquisadores do Centro Federal de Pesquisa em Proteção Biológica de Plantas, em Krasnodar, compararam dois grupos locais de Habrobracon hebetor coletados em lavouras de milho. Os dois grupos diferiram bastante na capacidade de parasitar lagartas de Lepidoptera.
O grupo coletado na região central de Krasnodar é o que mais interessa ao cenário brasileiro. Em laboratório, ele paralisou todas as espécies testadas e gerou descendentes em Helicoverpa armigera, com 87% de parasitismo. Também se desenvolveu em Ostrinia nubilalis (91%) e em Etiella zinckenella (55,6%) (doi 10.3390/insects17101012).
Nas observações de campo em milho, os pesquisadores fizeram duas liberações, na dose de cerca de 1.400 parasitoides por hectare. Também penduraram nas plantas cassetes com lagartas para sustentar a reprodução do parasitoide. O dano por Helicoverpa armigera atingiu 13% das espigas na área com liberação e 65% na área controle. Nas cassetes, 87% das lagartas foram parasitadas.
O momento da liberação pesa no resultado. Esse grupo não atacou lagartas jovens de Helicoverpa armigera. Nas lagartas de idade intermediária e avançada, a emergência de adultos do parasitoide foi de 54,5% e 78,1%.
Os cientistas recomendam sincronizar as liberações com o predomínio dessas fases na população da praga. Isso sugere um papel complementar ao de inimigos naturais que atuam sobre ovos. Há trabalho indicando que liberações combinadas com parasitoides de ovos do gênero Trichogramma atrasaram em 12 a 20 dias a infestação do algodão.
O outro grupo, coletado no distrito de Temryuk, mostrou perfil diferente. Parasitou Ostrinia nubilalis, Etiella zinckenella e mariposas da família Tortricidae, mas não se desenvolveu em Helicoverpa armigera. Dentro da mesma espécie e da mesma região, uma população servia contra a lagarta e a outra não.
Por isso, os cientistas recomendam testar cada população antes da criação massal. Eles também alertam que a criação prolongada em hospedeiros alternativos pode alterar a gama de hospedeiros do parasitoide. Como prevenção, sugerem renovar as colônias com material de campo uma ou duas vezes por ano.
Os resultados de campo são preliminares. Cada comparação usou apenas uma parcela tratada e uma controle, com três unidades amostrais por parcela e sem repetições independentes. Os ensaios de laboratório também foram feitos com amostra única. Os pesquisadores ainda não têm dados genéticos que mostrem se os dois grupos são linhagens da mesma espécie ou parte de um complexo de espécies.
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