Habrobracon hebetor mostra ação contra pragas do milho

Estudo identifica grupos com perfis distintos de parasitismo contra pragas do milho e reforça a seleção conforme o alvo

01.10.2026 | 10:52 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Anton Gjeldum / iNaturalist - CC by-nc 4.0
Foto: Anton Gjeldum / iNaturalist - CC by-nc 4.0

Um estudo russo com o parasitoide Habrobracon hebetor traz resultados de interesse para o manejo de Helicoverpa armigera. Essa lagarta foi identificada no Brasil pela Embrapa em fevereiro de 2013 e ataca mais de cem espécies de plantas, entre elas soja, milho, algodão, sorgo, feijão e tomate. Pesquisadores do Centro Federal de Pesquisa em Proteção Biológica de Plantas, em Krasnodar, compararam dois grupos locais de Habrobracon hebetor coletados em lavouras de milho. Os dois grupos diferiram bastante na capacidade de parasitar lagartas de Lepidoptera.

O grupo coletado na região central de Krasnodar é o que mais interessa ao cenário brasileiro. Em laboratório, ele paralisou todas as espécies testadas e gerou descendentes em Helicoverpa armigera, com 87% de parasitismo. Também se desenvolveu em Ostrinia nubilalis (91%) e em Etiella zinckenella (55,6%) (doi 10.3390/insects17101012).

Observações em campo

Nas observações de campo em milho, os pesquisadores fizeram duas liberações, na dose de cerca de 1.400 parasitoides por hectare. Também penduraram nas plantas cassetes com lagartas para sustentar a reprodução do parasitoide. O dano por Helicoverpa armigera atingiu 13% das espigas na área com liberação e 65% na área controle. Nas cassetes, 87% das lagartas foram parasitadas.

O momento da liberação pesa no resultado. Esse grupo não atacou lagartas jovens de Helicoverpa armigera. Nas lagartas de idade intermediária e avançada, a emergência de adultos do parasitoide foi de 54,5% e 78,1%.

Os cientistas recomendam sincronizar as liberações com o predomínio dessas fases na população da praga. Isso sugere um papel complementar ao de inimigos naturais que atuam sobre ovos. Há trabalho indicando que liberações combinadas com parasitoides de ovos do gênero Trichogramma atrasaram em 12 a 20 dias a infestação do algodão.

Grupo diferente

O outro grupo, coletado no distrito de Temryuk, mostrou perfil diferente. Parasitou Ostrinia nubilalis, Etiella zinckenella e mariposas da família Tortricidae, mas não se desenvolveu em Helicoverpa armigera. Dentro da mesma espécie e da mesma região, uma população servia contra a lagarta e a outra não.

Por isso, os cientistas recomendam testar cada população antes da criação massal. Eles também alertam que a criação prolongada em hospedeiros alternativos pode alterar a gama de hospedeiros do parasitoide. Como prevenção, sugerem renovar as colônias com material de campo uma ou duas vezes por ano.

Os resultados de campo são preliminares. Cada comparação usou apenas uma parcela tratada e uma controle, com três unidades amostrais por parcela e sem repetições independentes. Os ensaios de laboratório também foram feitos com amostra única. Os pesquisadores ainda não têm dados genéticos que mostrem se os dois grupos são linhagens da mesma espécie ou parte de um complexo de espécies.

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Outras informações

  • Equipe ofereceu 13 espécies de pragas de quatro famílias ao parasitoide Habrobracon hebetor. As quatro mais paralisadas foram Diatraea saccharalis, Agrotis ipsilon, Spodoptera cosmioides e Anagasta kuehniella. Habrobracon hebetor não completou o ciclo em Agrotis ipsilon, e os pesquisadores concluíram que a paralisia é um critério fraco para escolher hospedeiros. A viabilidade e a taxa de ataque foram maiores em Diatraea saccharalis. O parasitoide contamina criações de Anagasta kuehniella em laboratórios (doi 10.1007/s10526-022-10165-3).
  • Pesquisadores fizeram liberações entre 2016 e 2018 em galpões de fumicultores do Rio Grande do Sul e em armazéns da indústria: (a) nos galpões de fumicultores (70 m²), quatro liberações de mil parasitoides; (b) nos armazéns da indústria (8.000 m²), cinco liberações de 30 mil. A partir da terceira a quinta semana, as capturas de mariposas de Ephestia spp. ficaram significativamente menores onde houve liberação, e assim seguiram até o fim (doi 10.1590/1678-4324-2023220278).
  • Fêmeas de Habrobracon hebetor paralisaram e mataram lagartas de Spodoptera frugiperda do 3º ao 6º ínstar, mas só puseram ovos no 5º e no 6º. Preferiram o hospedeiro de criação, Corcyra cephalonica, e tiveram desempenho inferior quando se desenvolveram na praga. Mesmo assim, os cientistas consideram um agente complementar possível, por ser fácil de criar (doi 10.1007/s42690-025-01448-0).
  • Estudo usou lagartas de Helicoverpa armigera alimentadas com grão-de-bico tratado com três concentrações da bactéria. A conclusão foi que Habrobracon hebetor e Bacillus thuringiensis são compatíveis para uso conjunto (doi 10.1093/jisesa/ieaa129).

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