Fungos nas raízes ativam defesa entre plantas de brócolis

Estudo mostra que Trichoderma hamatum transmite alerta entre plantas vizinhas e reduz dano de Sclerotinia sclerotiorum

11.03.2026 | 13:53 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

Pesquisadores descreveram um mecanismo de comunicação entre plantas de brócolis mediado pelo fungo endofítico Trichoderma hamatum. Eles mostram que a infecção foliar de uma planta por Sclerotinia sclerotiorum acionou respostas de defesa em uma planta vizinha conectada por hifas do fungo nas raízes. Esse efeito apareceu apenas na presença de Trichoderma hamatum.

O estudo usou um sistema axênico com duas plantas. O arranjo permitiu controlar a conexão hifal entre as raízes e medir colonização, expressão gênica e perfil metabólico em raízes, folhas e micélio. Segundo os autores, a planta receptora ganhou proteção contra o patógeno necrotrófico, com redução de lesões foliares, maior vitalidade tecidual e menor dano oxidativo.

Nos ensaios com duas plantas e inoculação de Trichoderma hamatum, a área de lesão caiu para 1,08 ± 0,48 cm² quando a planta vizinha havia sido infectada 48 horas antes. No tratamento sem essa pré-infecção, a lesão ficou em 7,18 ± 0,18 cm². Sem o fungo, a pré-infecção da planta vizinha não gerou diferença relevante entre os tratamentos.

Os autores também não detectaram mudanças metabólicas significativas no micélio de Trichoderma hamatum entre as condições avaliadas. Esse resultado indica que a proteção entre plantas dependeu da colonização radicular pelo fungo, e não de uma reprogramação metabólica do micélio.

Na planta receptora, a ativação de defesa envolveu reequilíbrio hormonal. Nas raízes, houve aumento de respostas associadas ao ácido salicílico. Nas folhas, predominou a defesa ligada ao ácido jasmônico. A metabolômica também apontou acúmulo de compostos associados à defesa, como neoglucobrassicina nas raízes e lipídios nas partes aéreas.

Os autores destacam que o trabalho amplia o conceito de “comunicação cabeada” entre plantas para fungos endofíticos não micorrízicos. O estudo também valida o fenômeno em uma cultura de interesse agrícola. Na avaliação do grupo, o resultado abre espaço para explorar conectividade fúngica como ferramenta em manejo sustentável de doenças.

Outras informações em doi.org/10.1016/j.plantsci.2026.113104

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