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Pesquisadores identificaram o fungo Colletotrichum theobromicola como agente da antracnose em hastes florais de cebola em Belém do São Francisco, Pernambuco. Segundo eles, o estudo apresenta o primeiro registro mundial da espécie causando a doença nessas estruturas. Também documenta sua primeira ocorrência associada à antracnose da cebola no Nordeste brasileiro.
A identificação ocorreu após uma vistoria em 2024, em uma área destinada à produção de sementes de cebola. Cerca de 10% das plantas apresentavam sintomas nas hastes florais. Além das lesões, as inflorescências afetadas tinham um estrangulamento da haste. Ele dificultava a passagem de água e levava ao murchamento das flores.
A equipe obteve cinco isolados de Colletotrichum a partir de hastes com sintomas. A identificação combinou características morfológicas e o sequenciamento de duas regiões do material genético: GAPDH e APN2/MAT-IGS. A análise filogenética agrupou os cinco isolados com a linhagem-tipo e outros isolados de Colletotrichum theobromicola.
Para confirmar a capacidade de causar doença, os pesquisadores selecionaram três isolados e conduziram testes em bulbos, folhas e inflorescências. Nos bulbos, aplicaram discos de meio de cultura contendo micélio e esporos do fungo. Nas folhas e inflorescências, pulverizaram uma suspensão com 20 mil conídios por mililitro. Os ensaios utilizaram plantas e bulbos não inoculados como controle e foram realizados duas vezes.
Na avaliação feita entre dez e 15 dias após a inoculação, os três isolados haviam provocado sintomas típicos de antracnose nos órgãos testados. Os bulbos desenvolveram manchas irregulares, de coloração marrom-escura a preta. Nas folhas e hastes florais, as lesões reproduziram os sintomas observados no campo. Os controles permaneceram sem sintomas.
Os pesquisadores recuperaram o fungo das lesões produzidas experimentalmente. Os isolados recuperados tinham morfologia semelhante à dos originais. Isso cumpriu os postulados de Koch e estabeleceu a relação causal entre Colletotrichum theobromicola e os sintomas observados.
A antracnose da cebola afeta folhas, hastes florais e bulbos. Nas partes aéreas, provoca lesões necróticas geralmente elípticas. Nos bulbos, pode formar lesões necróticas arredondadas, deprimidas ou não. A doença compromete a produção e a qualidade de bulbos e de sementes comerciais.
O novo registro não representa a primeira detecção de Colletotrichum theobromicola em cebola no Brasil. Pesquisas anteriores já haviam associado a espécie à antracnose foliar. Um levantamento brasileiro também identificou Colletotrichum nymphaeae, Colletotrichum scovillei, Colletotrichum tamarilloi e Colletotrichum fructicola como agentes da doença. A novidade do estudo está na infecção das hastes florais por Colletotrichum theobromicola e na sua identificação em cebola cultivada no Nordeste.
Segundo os pesquisadores, a infecção das hastes próximas às inflorescências pode contaminar sementes e favorecer a introdução do patógeno em cultivos seguintes. Sementes infectadas poderiam atuar como fonte inicial de inóculo. Também poderiam contribuir para o tombamento de plântulas e para infecções precoces nas folhas. O trabalho, porém, não avaliou a contaminação de sementes nem comprovou a transmissão por essa via.
Os resultados reforçam a necessidade de identificar corretamente as espécies de Colletotrichum presentes nas lavouras. Essa distinção fornece subsídios para o desenvolvimento de estratégias de manejo e para programas de melhoramento voltados à resistência da cebola (doi 10.1111/jph.70410).
A pesquisa foi realizada pelos cientistas Ruthe Lima de Souza, Valquíria dos Reis Costa, Adriano Márcio Freire Silva, Regina Ceres Torres da Rosa, Josiene Silva Veloso, Cléia Santos Cabral, Nelly Marcela Porras Diaz e Ailton Reis.
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