Frete sobe 1,04% em agosto mesmo com novo recuo do diesel

Preço médio atingiu R$ 8,72 por km, com reflexo da nova Lei do Frete Mínimo e do fim da colheita da segunda safra de milho

15.09.2026 | 14:22 (UTC -3)
Agatha Valentin

O preço médio do frete por quilômetro rodado fechou agosto em R$ 8,72, ante R$ 8,63 em julho, uma alta de 1,04%, segundo a mais recente edição do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), calculado com base em dados exclusivos da plataforma Repom.

Diferentemente do mês anterior, a alta do frete em agosto ocorreu mesmo diante de uma nova redução nos preços dos combustíveis, um dos principais componentes dos custos do transporte rodoviário. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), agosto registrou o quarto mês consecutivo de queda nos preços praticados nos postos. O diesel comum caiu 1,17%, para R$ 6,70 por litro, enquanto o diesel S-10 apresentou redução de 0,70%, para R$ 7,05 por litro.

Nesse cenário, a alta do frete foi influenciada principalmente pelo ambiente regulatório. A entrada em vigor da Lei nº 15.485/2026 (Lei do Frete Mínimo) reforçou a necessidade de cumprimento do piso mínimo estabelecido para o transporte rodoviário de cargas. Com a nova legislação, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passa a fiscalizar de forma mais abrangente a aplicação do piso e a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em praticamente todas as modalidades de transporte de carga. Na prática, a maior fiscalização e a necessidade de adequação às novas regras podem elevar os valores praticados no mercado, contribuindo para a alta observada no frete em agosto.

Além dos fatores legais, a dinâmica do campo pressionou os custos logísticos. O final da colheita da segunda safra do milho promoveu um aquecimento na demanda por transporte rodoviário. Esse movimento tende a manter o viés de alta nos preços para o mês de setembro, em meio à valorização do grão e às incertezas do agronegócio referentes aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a próxima safra. As cotações do milho seguem em patamares elevados na maior parte das regiões produtoras.

Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), enquanto a colheita da segunda safra entra na reta final, a semeadura da safra de verão 2026/27 já começou no Sul do país. Em sentido oposto ao segmento agrícola, os setores da indústria e da construção civil mantiveram um ritmo de menor movimentação, permanecendo em compasso de espera durante o mês de agosto.

“Agosto registrou um cenário em que a queda dos preços dos combustíveis nas bombas não foi suficiente para conter a alta do frete. O movimento foi influenciado, principalmente, pelo novo marco regulatório, que reforçou a fiscalização do cumprimento do piso mínimo pela ANTT e os mecanismos de controle das operações, além das demandas sazonais do agronegócio. Para setembro, o mercado deve seguir atento ao comportamento das cotações do milho e às condições climáticas, fatores que podem manter os custos do transporte de cargas em patamares elevados”, explica Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade.

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