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O encerramento do vazio sanitário marca o início de uma nova etapa no planejamento da safra de soja 2026/2027. Desde terça-feira, 1º de setembro, produtores da Região 2 do Paraná, que reúne municípios do Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste do Estado, estão autorizados a iniciar a semeadura da cultura.
Nessa região, a janela de plantio segue até 31 de dezembro de 2026. A abertura do calendário, no entanto, não significa que todas as áreas devam ser semeadas imediatamente. A escolha do momento de implantação deve considerar as condições do solo, a previsão climática, a disponibilidade de insumos e máquinas e a estratégia definida para cada propriedade.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) reforça que, além da data de semeadura, é necessário observar o momento da emergência das plantas. A presença de plântulas de soja deve respeitar a janela estabelecida para cada região.
Nas áreas do Cerrado onde a Cocari atua, os calendários são diferentes. Em Goiás, o vazio sanitário segue até 24 de setembro, com semeadura autorizada de 25 de setembro de 2026 a 2 de janeiro de 2027. Em Minas Gerais, o vazio termina em 30 de setembro, e o período de semeadura vai de 1º de outubro de 2026 a 8 de janeiro de 2027.
A primeira estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgada na última semana de agosto, aponta para uma produção recorde de soja de 22,6 milhões de toneladas no Paraná na safra 2026/2027. A área estimada é de 5,76 milhões de hectares, com produtividade média superior a 3.900 quilos por hectare.
Apesar do elevado potencial produtivo projetado, a confirmação da expectativa dependerá do comportamento do clima ao longo do ciclo. A safra começa sob influência do El Niño, fenômeno que tende a aumentar a frequência de chuvas no Sul do Brasil.
No Paraná, um dos principais pontos de atenção é justamente a possibilidade de chuvas frequentes e excesso de umidade, especialmente durante a primavera. Setembro e outubro concentram parte importante da implantação e do estabelecimento das lavouras, e períodos prolongados de chuva podem reduzir as janelas de operação e dificultar o avanço do plantio.
Nesse cenário, aproveitar a janela de semeadura não significa necessariamente plantar o mais cedo possível. A escolha do momento deve levar em conta as condições do solo, a previsão do tempo, o ciclo das cultivares e a estrutura disponível para realizar as operações.
Com a abertura das diferentes janelas de plantio, o planejamento da lavoura entra na fase operacional. Antes de colocar a semeadora no campo, alguns pontos merecem atenção. Confira as principais recomendações da equipe técnica da Cocari:
O primeiro passo é confirmar qual calendário se aplica à propriedade.
Paraná
Cerrado
Os calendários são definidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, enquanto os órgãos estaduais de defesa agropecuária orientam e fiscalizam o cumprimento das medidas.
Antes da implantação da nova lavoura, é importante verificar as condições do solo, a cobertura, a presença de plantas daninhas, a umidade e eventuais problemas que possam comprometer a emergência e o estabelecimento da cultura.
Também merece atenção a ocorrência de plantas voluntárias de soja durante o período de vazio sanitário. A eliminação dessas plantas é uma das medidas utilizadas para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática entre uma safra e outra.
No Paraná, a Adapar orienta que a vigilância seja mantida também em áreas de pousio, lavouras de inverno, beiras de estradas e outros locais onde possam surgir plantas voluntárias.
A implantação da lavoura começa antes da entrada da semeadora. Avaliar umidade, fertilidade, compactação, cobertura e condições físicas do solo permite ajustar as operações e evitar que a antecipação do plantio comprometa o estabelecimento da cultura.
A estratégia deve considerar as características de cada talhão e as condições climáticas previstas para o período.
Com a abertura da janela, é importante confirmar a disponibilidade e as condições de armazenamento das sementes. Também devem ser conferidos o lote, a cultivar, o tratamento de sementes e a população planejada para cada área.
A qualidade do material e a uniformidade da implantação são fatores importantes para o estabelecimento da lavoura.
A concentração das operações durante a janela de plantio torna a manutenção preventiva ainda mais importante. Uma falha mecânica durante um período de condições favoráveis pode comprometer o cronograma.
Entre os itens que merecem revisão estão:
A dessecação e o controle de plantas daninhas devem considerar as espécies presentes, o estádio de desenvolvimento e a dificuldade de controle em cada área.
Talhões com espécies de difícil manejo merecem atenção antecipada. O controle antes da emergência da soja ajuda a reduzir a competição inicial e evita que as plantas daninhas se estabeleçam junto à cultura.
As estratégias devem ser definidas com orientação de responsável técnico e considerando os produtos registrados e as condições específicas da área.
O vazio sanitário reduz a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, mas não elimina o risco da doença durante a safra.
Por isso, o manejo deve ser planejado antes mesmo da emergência da soja, considerando fatores como cultivar, época de semeadura, monitoramento da lavoura e estratégia de controle fitossanitário.
O calendário de semeadura é uma das ferramentas utilizadas para reduzir o risco da doença e racionalizar o uso de fungicidas, contribuindo também para o manejo da resistência do fungo às moléculas empregadas no controle.
O primeiro dia da janela oficial não necessariamente representa o melhor momento para semear. A decisão deve considerar a umidade do solo, a previsão climática, o ciclo das cultivares, a sucessão de culturas e a logística das operações.
O objetivo é utilizar a janela de forma estratégica, buscando condições adequadas para germinação, emergência e desenvolvimento inicial da lavoura.
Além do calendário, o produtor deve estar atento às obrigações estabelecidas pelo órgão de defesa agropecuária de sua região.
Em Goiás, por exemplo, estão entre as medidas fitossanitárias obrigatórias o cadastramento das lavouras, o monitoramento e controle da ferrugem-asiática, a eliminação de plantas voluntárias e o cumprimento do calendário de semeadura. O cadastro deve ser realizado anualmente no Sistema de Defesa Agropecuária de Goiás (Sidago).
Antes de iniciar as operações, a recomendação é consultar as regras estaduais e manter em dia a documentação e os registros exigidos.
A abertura do calendário coloca em prática o planejamento realizado durante a entressafra. A preparação da área, a escolha dos materiais, a revisão das máquinas, a organização das operações e a definição das estratégias de manejo são etapas que antecedem a entrada da semeadora no talhão.
Para a Cocari, o planejamento é fundamental para que o produtor utilize a janela autorizada de maneira estratégica e esteja preparado para as condições encontradas no campo.
Com acompanhamento técnico e organização das operações, a implantação da lavoura pode ocorrer em melhores condições, favorecendo o estabelecimento uniforme da soja e o potencial produtivo da safra.
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