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A ferrugem-asiática da soja circula no Paraguai com perfis múltiplos de resistência a fungicidas. A constatação consta em estudo com amostras coletadas em áreas produtoras do leste do país. Os autores identificaram menor sensibilidade a ingredientes ativos dos grupos DMI, SDHI e QoI. Também mapearam mutações associadas à resistência nos genes CYP51, SDH-C e CYTB.
O trabalho avaliou 20 populações de Phakopsora pachyrhizi e 18 isolados obtidos de uma única população, a PRP-1. Os testes em folhas destacadas mostraram que o prothioconazole perdeu eficiência frente às populações paraguaias, mesmo na maior concentração testada. Fluxapyroxad e azoxystrobin mantiveram bom controle em dose alta, mas perderam desempenho quando a concentração caiu. As 20 populações analisadas exibiram sensibilidade inferior à de linhagens suscetíveis usadas como controle.
Na análise genética, todas as populações paraguaias carregaram mutações F120L, V130A e Y131F em CYP51. O gene SDH-C apresentou a mutação I86F. O gene CYTB exibiu a mutação F129L em níveis próximos de 100%. Segundo os autores, esse conjunto ajuda a explicar a redução de atividade dos fungicidas nas áreas de soja do Paraguai. O estudo também não encontrou grande variação regional nos valores de mutação, o que sugere mecanismos de resistência compartilhados entre as áreas amostradas.
Os pesquisadores avançaram na análise dentro de uma única população. Entre 18 isolados de PRP-1, eles detectaram três padrões de mutação em CYP51 ligados à resistência a DMI: F120L + Y131H; F120L + V130A + Y131F; e F120L + Y131H + I145V. A mutação I86F em SDH-C apareceu em 14 dos 18 isolados. Já F129L em CYTB surgiu em todos os isolados, com frequência acima de 95%. O resultado revela forte variabilidade genética e fenotípica até dentro de um único talhão.
O estudo também comparou DNA genômico e cDNA. As mutações em CYP51 apareceram com expressão duas a três vezes maior em cDNA. Esse dado reforça o peso desse gene na resistência aos DMI. Em SDH-C, os valores de mutação mudaram pouco entre gDNA e cDNA. Para CYTB, a alta frequência da mutação em gDNA já indicou forte pressão de seleção.
Nos bioensaios com isolados selecionados, o prothioconazole controlou melhor linhagens com a mutação F120L + Y131H. Já as combinações F120L + V130A + Y131F e F120L + Y131H + I145V reduziram mais a ação do ingrediente ativo. O metconazole mostrou comportamento inverso. Ele controlou melhor isolados com F120L + V130A + Y131F e perdeu ação frente a F120L + Y131H e F120L + Y131H + I145V. Para os autores, a diferença indica padrões distintos de ligação no alvo.
As simulações de dinâmica molecular reforçaram essa leitura. No tipo selvagem e no padrão F120L + Y131H, o prothioconazole-desthio manteve uma rede de interação entre proteína, água e ligante. Essa rede favoreceu a coordenação da molécula. O padrão F120L + V130A + Y131F perdeu essa rede. O padrão F120L + Y131H + I145V mostrou a condição mais instável entre os arranjos simulados. Os autores apontam que a mutação I145V amplia a ameaça ao controle químico com DMI, mesmo sem contato direto com o ligante.
Segundo o estudo, esse é o primeiro relato de resistência múltipla a DMI, SDHI e QoI em áreas de produção de soja do Paraguai. Os autores defendem vigilância molecular contínua, ajuste estratégico das aplicações e integração dessas informações no manejo da ferrugem asiática. O trabalho também chama atenção para a relevância regional do tema.
Outras informações em doi.org/10.1002/ps.70434
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