Ferramenta de poda define nível de dano em ramos de macieiras e pereiras

Estudo mostra que umidade do ramo e tipo de corte influenciam a qualidade da poda em pomares

02.01.2026 | 11:30 (UTC -3)
Revista Cultivar
Unidades de corte: (a) motosserra elétrica Husqvarna 436Li; (b) barra guia da motosserra; (c) serra circular METABO KS 216 M Lasercut; (d) lâmina de serra; (e) tesoura de poda Fiskars L28; (f) lâmina de corte da tesoura de poda.
Unidades de corte: (a) motosserra elétrica Husqvarna 436Li; (b) barra guia da motosserra; (c) serra circular METABO KS 216 M Lasercut; (d) lâmina de serra; (e) tesoura de poda Fiskars L28; (f) lâmina de corte da tesoura de poda.

A escolha da ferramenta de poda influencia diretamente o nível de dano causado aos ramos de frutíferas. Pesquisa com macieiras e pereiras mostra que tesouras tipo bypass e serras circulares geram cortes mais limpos, enquanto motosserras provocam maior agressão aos tecidos vegetais. O teor de umidade do ramo também altera o resultado. Ramos mais úmidos sofrem menos danos.

O estudo avaliou ramos de duas cultivares de maçã, ‘Ligol’ e ‘Gloster’, e duas de pera, ‘Conference’ e ‘Hortensia’. Os pesquisadores testaram três sistemas de corte: motosserra elétrica, serra circular e tesoura bypass. As análises consideraram quatro níveis de umidade da madeira, de cerca de 49% até 22%.

Os cortes passaram por análise digital com uso de dimensão fractal, método que mede a irregularidade da superfície. Quanto maior o valor, maior o dano. A motosserra apresentou os maiores índices de irregularidade em todas as condições testadas. A serra circular e a tesoura bypass formaram um grupo com menor nível de dano.

Maior teor de umidade

Ramos com maior teor de umidade registraram os menores valores de dano, independentemente da ferramenta usada. A diferença se mostrou significativa apenas no nível mais alto de umidade. Abaixo disso, a variação perdeu relevância estatística.

Exemplo de seção transversal de uma amostra de broto de maçã ‘Gloster’: (a) corte com tesoura de poda; (b) contorno delineado para análise; (c) corte com serra circular; (d) contorno delineado para análise; (e) corte com motosserra elétrica; (f) contorno delineado para análise - doi.org/10.3390/agriculture16010115
Exemplo de seção transversal de uma amostra de broto de maçã ‘Gloster’: (a) corte com tesoura de poda; (b) contorno delineado para análise; (c) corte com serra circular; (d) contorno delineado para análise; (e) corte com motosserra elétrica; (f) contorno delineado para análise - doi.org/10.3390/agriculture16010115

Entre as espécies, as macieiras apresentaram menor sensibilidade ao corte. A cultivar ‘Ligol’ registrou os menores valores médios de dano. As pereiras mostraram maior suscetibilidade, com destaque para a ‘Conference’, que apresentou os maiores índices de irregularidade na superfície cortada.

A análise estatística confirmou efeito significativo do tipo de ferramenta, da umidade do ramo e da espécie frutífera sobre o grau de dano. A ferramenta respondeu pela maior parte da variação observada. Interações entre umidade e ferramenta também influenciaram os resultados.

Segundo os pesquisadores, cortes mais irregulares ampliam a área exposta do tecido vegetal e podem facilitar a entrada de patógenos. Superfícies mais lisas tendem a cicatrizar com maior rapidez. A pesquisa indica que a seleção correta do equipamento reduz riscos sanitários e melhora a eficiência da poda, sobretudo em sistemas mecanizados.

Outras informações em doi.org/10.3390/agriculture16010115

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