Etileno e oxigênio controlam regeneração de tecidos em plantas

Descoberta abre caminho para aplicações no manejo e na pós-colheita agrícola

30.12.2025 | 13:52 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi.org/10.1016/j.xplc.2025.101576
doi.org/10.1016/j.xplc.2025.101576

Pesquisadores identificaram como plantas detectam ferimentos e regeneram a periderme, tecido que protege raízes e caules. O processo depende da difusão de gases, principalmente etileno e oxigênio. O mecanismo funciona como um interruptor biológico que ativa e encerra a cicatrização. O achado amplia o entendimento sobre defesa vegetal e indica aplicações diretas na agricultura.

O estudo analisou raízes da planta modelo Arabidopsis thaliana. Os cientistas realizaram cortes controlados e acompanharam a resposta celular. Em até 24 horas, marcadores iniciais da formação de cortiça surgiram próximos à lesão. Em 48 horas, células iniciaram divisões para formar novo meristema. Após 96 horas, a planta recompôs uma barreira funcional, com lignina e suberina.

A pesquisa mostrou que a saída rápida do etileno pelo ferimento reduz o sinal desse hormônio no local. Essa redução permite o início da regeneração. Quando o etileno permanece concentrado, a formação da periderme falha. Testes com vedação artificial da ferida bloquearam a cicatrização.

O oxigênio também exerce papel central. A entrada do gás pela lesão aumenta a atividade de enzimas ligadas à suberização das paredes celulares. Genes associados à hipóxia reduziram a expressão durante a cicatrização. Sensores confirmaram maior disponibilidade de oxigênio nas áreas feridas.

Atuação coordenada

Etileno e oxigênio atuam de forma coordenada. A saída de um gás e a entrada do outro iniciam a regeneração. Com o fechamento do tecido, o fluxo gasoso diminui. O sistema, então, encerra o processo de forma automática.

Em caules, que não possuem periderme verdadeira, a resposta ocorreu de modo diferente. Mesmo assim, a difusão de gases seguiu essencial para recompor a barreira. O resultado indica que cada tecido usa estratégias próprias, influenciadas pela disponibilidade de oxigênio.

Os autores apontam impactos diretos para culturas agrícolas. Raízes e tubérculos, como batata e cenoura, dependem da periderme para evitar perdas pós-colheita. O controle de atmosfera pode acelerar a cicatrização e reduzir podridões. Frutas que formam periderme após danos também podem se beneficiar.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.xplc.2025.101576

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