Agronegócio bate recorde de empregos no 2º trimestre de 2026
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Cientistas identificaram mecanismos biológicos e ambientais responsáveis por limitar a eficácia de fungos entomopatogênicos no controle de pragas. O trabalho associa cada etapa da infecção a estratégias de aprimoramento, desde a escolha de linhagens até formulações e modificações genéticas. Os pesquisadores destacam uma limitação: o aumento da virulência em laboratório não garante maior controle em condições de campo.
O estudo reuniu pesquisas de 2000 a 2025 e trabalhos anteriores relevantes. A análise abrangeu principalmente espécies dos gêneros Beauveria e Metarhizium. Nesses grupos, experimentos moleculares permitem identificar funções de genes e proteínas com maior segurança. Para outros fungos, a comprovação dos mecanismos permanece limitada.
Na primeira etapa da infecção, os conídios precisam aderir à cutícula do inseto e germinar. Hidrofobinas, adesinas e mucilagens favorecem a fixação. Depois, proteases e quitinases degradam componentes da cutícula. A formação de apressórios acrescenta pressão mecânica. O inseto responde com substâncias antifúngicas, microrganismos residentes e reconhecimento imunológico. Após a penetração, hemócitos e vias imunes combatem o patógeno. Algumas proteínas fúngicas mascaram componentes da parede celular ou bloqueiam sinais de defesa.
Os pesquisadores identificam a adesão, a penetração e a evasão imunológica como alvos com maior respaldo experimental para o melhoramento. Interferências na microbiota do hospedeiro e alterações de comportamento apresentam evidências menos abrangentes, embora possam afetar o curso da infecção.
Para uso agrícola, o trabalho coloca a compatibilidade climática entre linhagem e área de aplicação como requisito inicial. Radiação ultravioleta, temperaturas extremas e oscilações de umidade comprometem a sobrevivência dos propágulos e o estabelecimento do fungo. A seleção de isolados adaptados às condições locais deve anteceder o emprego de tecnologias adicionais. A sobrevivência dos conídios sob estresse, isoladamente, também não prevê o controle da praga.
Condições de cultivo alteram o desempenho. Em Metarhizium robertsii, conídios produzidos em meios pobres em nutrientes apresentaram maior tolerância à radiação ultravioleta B e ao calor. Exposição controlada à luz e períodos de baixa disponibilidade de oxigênio também induziram respostas de proteção em experimentos. Em Metarhizium rileyi, suplementos de ácidos oleico e linoleico favoreceram tolerância ao estresse, germinação e penetração. Essas práticas, porém, podem reduzir o rendimento ou elevar custos de produção.
Revestimentos de conídios e formulações à base de óleo, microencapsulação e grânulos oferecem outra alternativa. Essas tecnologias buscam reduzir danos provocados pela radiação e pela perda de umidade, melhorar a deposição e prolongar a sobrevivência do inóculo. Os efeitos sobre adesão à cutícula, germinação e estabilidade durante o armazenamento exigem avaliação conjunta.
Entre as alternativas de melhoramento figuram mutagênese, manipulação genética, micovírus e interferência por RNA. Alterações em genes de resposta ao estresse ou em fatores de virulência elevaram a tolerância e a velocidade de ação em sistemas experimentais. Alguns micovírus também ampliaram a produção de conídios e a virulência de linhagens específicas. A estabilidade desses efeitos e possíveis mudanças na especificidade do hospedeiro permanecem pontos de atenção. Para fungos geneticamente modificados, exigências regulatórias e avaliação de biossegurança acrescentam obstáculos.
A planta hospedeira também modifica a suscetibilidade da praga. Um estudo examinado pelos cientistas avaliou a mesma linhagem de Beauveria bassiana contra ninfas de Bemisia tabaci criadas em dez espécies vegetais. A mortalidade variou de 52,3% no algodoeiro a 91,8% no pepineiro, sob a mesma concentração de conídios. Os pesquisadores relacionaram a diferença principalmente aos metabólitos produzidos pelas plantas, capazes de interferir no desenvolvimento do fungo.
Combinações com inimigos naturais e defensivos oferecem possibilidades adicionais, mas dependem de compatibilidade. A associação de Metarhizium anisopliae com o ácaro predador Neoseiulus californicus aumentou a supressão de Tetranychus urticae em estudo citado. Em outras situações, produtos químicos ou adjuvantes podem reduzir a germinação dos conídios. Dose, formulação e ordem de aplicação alteram os resultados.
Os cientistas também abordam a possibilidade de fungos colonizarem tecidos vegetais como endófitos e estimularem as defesas da planta. A persistência dessa colonização e a estabilidade dos efeitos sobre as pragas ainda exigem validação.
A avaliação de novos produtos precisa acompanhar produção, secagem, formulação, armazenamento e aplicação. Mortalidade em laboratório e viabilidade dos conídios não substituem ensaios de campo. Os testes também devem considerar organismos não alvo, microbiota, persistência ambiental, estabilidade de desempenho e custos (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107376).
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