Estudo identifica porta-enxertos mais produtivos para pessegueiro

Circular Técnica aponta materiais com maior potencial produtivo e destaca a propagação por estaquia para produção de mudas

30.06.2026 | 16:04 (UTC -3)
Fabrízio Fernández, edição Revista Cultivar
Foto: Rafael Anzanello
Foto: Rafael Anzanello

O Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (DPPA/Seapi-RS) acaba de divulgar a Circular Técnica nº 34, que avalia porta-enxertos para a cultura do pessegueiro.

Além de avaliar o desempenho das plantas, o estudo destaca que a propagação de pessegueiros por porta-enxertos tem o objetivo de apresentar a propagação vegetativa por estaquia, associada ao uso de ácido indolbutírico (AIB) e ácido naftalenoacético (ANA), que atuam como reguladores, estimulam e promovem o desenvolvimento de raízes na cultura do pêssego.

Para uma melhor compreensão, o pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Fruticultura (Cefruti/DDPA), Rafael Anzanello, explica que uma planta frutífera é composta por duas partes: o porta-enxerto, responsável pelo sistema radicular, e a cultivar-copa (enxerto), que forma a parte aérea da planta. "Nesse trabalho, foi avaliada a influência de 27 porta-enxertos sobre a cultivar-copa Chimarrita quanto à fenologia, ao vigor vegetativo, à produção e à qualidade dos frutos, visando à recomendação dos porta-enxertos com maior potencial de uso”, afirma. 

Avalição, desafios e produtividade de pessegueiros

Um dos principais problemas enfrentados no Rio Grande do Sul é a utilização de misturas de caroços provenientes das indústrias processadoras de pêssego para a produção dos porta-enxertos por diversos viveiros comerciais. Como consequência, não há identidade genética e sanitária conhecida desses materiais, ou seja, muitas vezes não se sabe qual porta-enxerto é utilizado na produção das mudas.

Com esse trabalho, o DDPA buscou identificar geneticamente os porta-enxertos mais promissores para, posteriormente, serem direcionados ao viveiristas e aos próprios produtores. Os resultados mostram que os maiores desempenhos produtivos foram obtidos pelos porta-enxertos Tsukuba 2, I-67-55-9 e I-93-27.

A pesquisa também avaliou a produção de mudas de porta-enxertos por propagação vegetativa via estaquia. Os melhores resultados foram alcançados com o uso da estaquia herbácea, mediante a aplicação de AIB (Ácido indolbutírico) na concentração de 4.000 mg/L, em estufa climatizada com nebulização intermitente, promovendo um bom enraizamento das estacas.

Atualmente, a propagação do pessegueiro ocorre, predominantemente, por sementes, método que pode resultar em grande variabilidade genética e desuniformidade de plantas produzidas.

O pesquisador destaca que “a propagação vegetativa via estaquia possibilita a obtenção de mudas mais uniformes, reduz o tempo de formação das plantas e proporciona maior precocidade de produção, o que confere caraterísticas vantajosas e competitivas para qualificar o setor de produção de mudas da cultura”, conclui.

A realização de estudos direcionados ao aprimoramento da propagação vegetativa, especialmente por estaquia em pessegueiro, é uma técnica que se destaca pelo baixo custo, pela rapidez no processo produtivo e pela preservação de características agronômicas de interesse, a exemplo do que já ocorre em outras culturas frutíferas, como videira, macieira e pereira.

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