Entregas de fertilizantes recuam 5,4% no primeiro semestre

Mercado recebeu 19,02 milhões de toneladas entre janeiro e junho; importações e produção nacional também recuaram

04.09.2026 | 16:15 (UTC -3)
Cintia dos Santos, edição Revista Cultivar

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) informou que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026. O volume representa redução de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. Segundo a entidade, apesar da retração, a demanda do agronegócio nacional foi atendida.

Em junho, foram entregues 3,55 milhões de toneladas, volume 17,2% inferior às 4,29 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano passado.

De acordo com a Anda, o desempenho reflete fatores como as adversidades do cenário geopolítico internacional, relações de troca acima das médias históricas, escassez de crédito, riscos relacionados a recuperações judiciais, juros elevados e ameaças climáticas, como o El Niño.

A entidade destacou que, no primeiro trimestre, o desempenho positivo da segunda safra de milho contribuiu para manter as compras de fertilizantes em ritmo normal. A partir do agravamento das tensões no Oriente Médio, porém, houve redução na realização de novos negócios. O movimento passou a ser mais evidente a partir de maio, com reflexos também sobre as compras destinadas à safra 2026/2027.

Entregas por estado

Mato Grosso liderou as entregas de fertilizantes no acumulado até junho, com 4,90 milhões de toneladas, o equivalente a 25,8% do total.

Na sequência aparecem Paraná, com 2,15 milhões de toneladas; Goiás, com 2,01 milhões; São Paulo, com 2,00 milhões; e Minas Gerais, com 1,33 milhão.

Produção nacional

A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 533 mil toneladas em junho de 2026, queda de 12,5% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a junho, foram produzidas 2,94 milhões de toneladas, retração de 16,3% ante as 3,51 milhões de toneladas registradas no primeiro semestre do ano passado.

Segundo a Anda, a redução está relacionada principalmente à produção nacional de fertilizantes fosfatados e à alta contínua dos preços do enxofre, insumo utilizado nesse processo.

A entidade ressalta que nem toda a produção nacional foi capturada no período, apesar dos esforços junto às empresas para atualizar os dados diante de mudanças na estrutura societária e da retomada da produção em alguns ativos. A situação é observada principalmente nos segmentos de ureia e cloreto de potássio.

Importações

As importações de fertilizantes intermediários também recuaram. Em junho, foram 3,17 milhões de toneladas, redução de 10,9% em relação ao mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e junho, as importações totalizaram 17,69 milhões de toneladas, queda de 4,2% frente às 18,47 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

Paranaguá concentra 25,1% das importações

O Porto de Paranaguá (PR), principal porta de entrada de fertilizantes no país, recebeu 4,44 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2026. O volume representa redução de 8,8% em relação às 4,87 milhões de toneladas desembarcadas no mesmo período de 2025.

O terminal paranaense respondeu por 25,1% do total de fertilizantes importados pelo Brasil no primeiro semestre.

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