Encontro tecnológico discute qualidade do café e demandas mundiais

26.05.2011 | 20:59 (UTC -3)

Novas tecnologias para produção de café de qualidade foram apresentadas durante 7º Encontro Tecnológico Qualidade do Café, realizado ontem (25 de maio), pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas. O evento, com o objetivo incentivar o intercâmbio de informações entre diferentes elos da cadeia produtiva do café, reuniu 250 participantes, entre produtores, pesquisadores e extensionistas da região.

Pesquisadores da EPAMIG e da iniciativa privada apresentaram resultados de pesquisa em seis estações de campo como: cultivares de café resistentes à ferrugem, adaptadas para a região: Paraíso (MG H 419-1) e Catiguá (MG1, MG2, MG3, Pau Brasil); aumento da produtividade do café; proteção com produtividade; Programa de Certificação de Propriedades Cafeeiras, Certifica Minas Café; colheita, processamento e secagem do café.

De acordo com o pesquisador da EPAMIG Antônio Alves Pereira, as cultivares, recomendadas para plantio na região, apresentam resistência à ferrugem, porte baixo, elevado vigor vegetativo, alta capacidade produtiva e excelente qualidade de bebida. Avaliações na Fazenda Experimental da EPAMIG em São Sebastião do Paraíso apontaram que a cultivar Paraíso teve melhor produtividade, com média, em 8 colheitas, de 61,1 sacas por hectare. Entretanto, o pesquisador alerta que desenvolvimento inicial dessa cultivar é lento, se comparada à cultivar Catuaí. Antônio recomenda que o cafeicultor avalie antes de inserir uma nova cultivar em sua propriedade. “O produtor deve plantar pequenos talhões de diferentes cultivares antes de iniciar o plantio. Deve aguardar entre três ou quatro colheitas para verificar qual cultivar se adapta melhor em sua propriedade”, indica.

Resultados de experimentos com novos fertilizantes e defensivos agrícolas para combate de pragas e doenças do cafeeiro também foram apresentados aos participantes. Técnicos explicaram a importância do monitoramento da lavoura antes de se aplicar defensivos. Segundo eles, quando se aplica pouco produto não se consegue resultado e quando há excesso, além do desperdício, pode se criar uma resistência da praga àquele produto.

O produtor de café José Reis de Oliveira acredita ser importante participar de eventos técnicos. “Sempre participo de dias de campo e cursos para cafeicultores”, disse. José Reis testa diversas cultivares de café e tem experimento da EPAMIG instalado para pesquisas em sua propriedade. “Há três anos consegui a certificação da minha propriedade. Ainda não trouxe retorno financeiro, mas trouxe mais educação ambiental. Isso é importante”, afirma.

O evento é mais uma ação do projeto “Desenvolvimento e Avaliação de Ferramentas de Comunicação Rural para a Cafeicultura do Sul de Minas”, financiado pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café - CBP&D Café. Em abril a EPAMIG realizou três dias de campo de cafeicultura com o objetivo de integrar produtores de café das regiões de Três Pontas, Machado e Mocambinho. Durante os eventos foram divulgadas tecnologias adaptadas para cada região.

A pesquisadora da EPAMIG Sul de Minas Sara Chalfoun ressaltou que o produtor deve investir consciente que a demanda mundial é por café de qualidade. “Ele deve fazer ampliações coordenadas da lavoura e da estrutura pós-colheita. Senão corremos o risco de caminhar para superprodução de um café pouco diferenciado em qualidade”, apontou.

De acordo com a pesquisadora o momento de crise recentemente enfrentado pelo setor trouxe evoluções como a exploração de segmentos de mercado (gourmet, expresso, orgânicos e certificados). “A crise nos empurrou para o salto qualitativo que estamos experimentando na atividade cafeeira”, explica.

Em São Sebastião do Paraíso, a cafeicultura representa 30% da economia do município, reforçando ainda mais a posição de destaque da região. De acordo com Sara, os produtores da região, pelo fato de estarem em constante contato com instituições de pesquisa, de extensão e terem uma estrutura de cooperativa forte, já estão muito conscientes. “Soma-se a isso as características climáticas da região que são extremamentes favoráveis à atividade”, conclui.

Sara Maria Chalfoun desenvolve pesquisas sobre qualidade do café e participa de projetos de pesquisas sobre benefícios do café para a saúde, sustentabilidade da produção orgânica de café em Minas Gerais, inclusão de cafeicultores familiares por meio da adoção de tecnologias de baixo custo, dentre outros.

A EPAMIG desenvolve tecnologias voltadas para a cafeicultura em diversas regiões de Minas Gerais. Atualmente, as pesquisas estão concentradas no Núcleo Tecnológico EPAMIG Café (Nutec), que coordena as atividades de pesquisa e desenvolvimento relacionadas àquela cultura, nas seguintes Unidades da Empresa: Fazenda Experimental de Machado, Fazenda Experimental Dr. Sílvio Menicucci, em Lavras, Fazenda Experimental de Três Pontas, Fazenda Experimental de Patrocínio, Fazenda Experimental Vale do Piranga e Fazenda Experimental de São Sebastião do Paraíso. Esta última é referência na qualidade de produção de sementes e tecnologias do café para as regiões Sul e Sudoeste de Minas Gerais e Mogiana Paulista. Atualmente, estão sendo desenvolvidos na Fazenda 47 experimentos na área de café.

De acordo com o gerente da Fazenda, Juraci de Oliveira, ensaios de milho, oliveira e uva estão sendo desenvolvidos na tentativa de buscar mais uma alternativa para o produtor da região. “Ainda estamos em fase experimental, caso as culturas sejam viáveis na região, podem ser uma possibilidade de diversificação da renda. Café, vinho e azeite são bebidas socializadoras e que não concorrem entre si”, afirma.

Samantha Mapa/Ascom EPAMIG

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