Embrapa detecta nematoide de cisto da soja no Centro-Sul de MS

09.09.2011 | 20:59 (UTC -3)
Sílvia Zoche Borges

O nematoide de cisto da soja (NCS) é um dos principais problemas para a cultura no Brasil e no mundo. Em janeiro deste ano, pela primeira vez foi detectada a presença do NCS na região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul.

Uma amostra de solo de uma propriedade rural do município de Amambai foi levada ao Laboratório de Nematologia da Embrapa Agropecuária Oeste, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e, depois de análise, constatou-se a presença do NCS, Heterodera glycines. “Fizemos várias buscas durante quase vinte anos e nunca havíamos detectado até a chegada dessa amostra. Fomos à região para fazer a verificação e constatamos efetivamente a presença desse nematoide na propriedade em Amambai”, diz o pesquisador em nematologia vegetal e chefe adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus.

No Brasil, a ocorrência do NCS foi registrada na safra 1991/92 e espalhou-se pela região produtora: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Maranhão e Bahia, exceto na região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul.

Quando a cultura da soja é parasitada pelo NCS, há subdesenvolvimento das plantas e intenso amarelecimento foliar. Outro sintoma é a deficiência de manganês.

Segundo Asmus, não existe variedade de soja resistente à raça 4 de NCS, que foi a detectada na região (no Brasil, ocorrem onze raças), mas “comparado ao que ocorre no norte e no nordeste de Mato Grosso do Sul, os sintomas observados em Amambai são menos intensos ao subdesenvolvimento e amarelecimento, assemelhando-se aos que são observados no oeste do Paraná”, comenta o nematologista.

Com a finalidade de alertar os agentes da assistência técnica da região, o chefe de P&D realiza uma palestra na segunda-feira, 12 de setembro, em Amambai, às 13h30, na Associação Comercial. O objetivo é orientar e apresentar medidas preventivas, como o controle de uso dos implementos agrícolas e acesso restrito de pessoas na área infestada, para que a praga não se alastre. Além disso, existem medidas de manejo para o local onde se detectou o nematoide e para outras eventuais áreas: rotação de culturas com espécies não hospedeiras, tais como cana-de-açúcar, sorgo, milho e gramíneas forrageiras.

A palestra é uma realização da Associação Pontaporense de Engenheiros Agrônomos (APEA) e da Embrapa Agropecuária Oeste.

Guilherme Lafourcade Asmus

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