Embrapa apresenta avaliações ambientais em bacias hidrográficas no 19º Agrinordeste

29.08.2011 | 20:59 (UTC -3)
Cristina Tordin

Ricardo Figueiredo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) apresenta em 31 de agosto de 2011 as avaliações ambientais em bacias hidrográficas no meio rural, no 19º Agrinordeste, que vai até 2 de setembro de 2011, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Recife.

Figueiredo explica que a bacia hidrográfica, como unidade fisiográfica que possui limites topográficos definidos e onde seus estoques e fluxos hídricos atuam como integradores de processos naturais diversos em solos, água, vegetação e atmosfera, presta-se como a unidade de paisagem mais adequada para avaliações dos efeitos do uso da terra sobre a quantidade e qualidade dos recursos hídricos.

“Por conseguinte, acrescenta o pesquisador, as variações temporal e espacial no transporte de material pelos cursos d'água são reguladas tanto pela composição química e volume das águas das chuvas, quanto pelas características da bacia - geologia, solos, relevo, vegetação e uso da terra”.

Como resultado das atividades agropecuárias, os elementos químicos presentes nos solos e na vegetação original de uma bacia, juntamente com aqueles que constituem os agroquímicos aplicados, são disponibilizados com o preparo dos solos (aração, gradagem e outras práticas), sendo em parte transportados pelos escoamentos sub-superficial e superficial até os rios ou lixiviados até os estoques subterrâneos que eventualmente suprem os corpos d'água superficiais em épocas de baixa pluviometria.

Figueiredo enfatiza que pesquisas científicas agropecuárias realizadas em bacias são realizadas em todo o planeta, avaliando possíveis alterações nas estruturas e funções de ecossistemas terrestres e aquáticos, incluindo os fluxos de nutrientes, carbono e água em decorrência do uso agrícola.

“Em nosso país, no entanto, grupos e instituições de ensino e pesquisa na área agropecuária tratam dos recursos hídricos enfocando prioritariamente as necessidades da atividade produtiva, o que resulta em avanços reais no conhecimento de técnicas de irrigação e drenagem, mas não colaboram o suficiente no conhecimento sobre possíveis impactos ambientais e a mitigação destes no âmbito rural”, comenta o pesquisador, e adiciona: “no entanto, iniciou-se recentemente uma reversão de rumo, já que o conhecimento hidrológico desassociado de suas estreitas ligações com fluxos hídricos das bacias não atende a crescente demanda por uma agricultura sustentável, cujos desafios tendem a aumentar frente às mudanças climáticas em curso”.

Dentre as conclusões das pesquisas já desenvolvidas, destaca-se a de que as boas práticas agrícolas, incluindo a conservação da vegetação ripária, são fundamentais para a sustentabilidade na agricultura, haja vista suas implicações na quantidade e na qualidade da água e respectivo uso múltiplo na sociedade.

O evento é realizado pela Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco (Faepe), com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do homem do campo por meio da difusão prática de tecnologia, das relações comerciais de insumos e produtos e, principalmente, da identificação de oportunidades de mercado para o desenvolvimento da agropecuária pernambucana e nordestina.

Ricardo Figueiredo/Embrapa Meio Ambiente

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