El Niño muito forte eleva alerta para extremos no Brasil

Primavera deve ter chuva acima da média no Sul e estiagem prolongada no Norte e Centro do país

02.09.2026 | 10:40 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar

O trimestre setembro-outubro-novembro de 2026 começa sob a perspectiva de um El Niño de forte intensidade. Segundo estimativa do Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 90% de probabilidade de que o fenômeno se configure como muito forte. A previsão integra o Boletim nº 3 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e instituições parceiras, que reúne o monitoramento do fenômeno, as projeções climáticas e os possíveis impactos no Brasil.

De acordo com o documento, a Região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, além de áreas de São Paulo e Mato Grosso do Sul, deve registrar volumes de chuva acima da média histórica durante o trimestre. No sentido oposto, Norte e Nordeste têm maior probabilidade de enfrentar um período mais seco. A tendência de chuva abaixo do normal também se estende a áreas do Brasil Central e do Sudeste, com destaque para Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

As temperaturas, por sua vez, devem permanecer acima da média em praticamente todo o país. O Inmet, no entanto, não descarta a ocorrência de quedas bruscas de temperatura em setembro, associadas à entrada de massas de ar frio.

A combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte aumenta também o risco de propagação de queimadas. O boletim alerta que o cenário pode se agravar caso o início da estação chuvosa atrase, possibilidade considerada provável para algumas áreas.

Amazônia Legal e Pantanal

Na Amazônia Legal e no Pantanal, o trimestre setembro-outubro-novembro normalmente corresponde ao período de transição entre a estação seca e o início das chuvas. Neste ano, porém, a influência de um El Niño mais intenso e prolongado pode retardar essa mudança.

Projeções do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam chuvas abaixo da média em Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas e Acre, além do norte de Mato Grosso e de áreas do norte e centro de Tocantins e Rondônia. As temperaturas também devem permanecer acima da média em toda a região.

A previsão aponta para a possibilidade de prolongamento das condições típicas da estiagem durante parte da primavera. Com isso, solos e vegetação podem permanecer mais secos por um período maior que o habitual, aumentando a vulnerabilidade à ocorrência e à propagação do fogo.

Monitoramento será essencial

Pesquisadores da NOAA ressaltam que eventos de El Niño mais intensos não significam, necessariamente, impactos mais severos. Eles, no entanto, elevam a probabilidade de ocorrência de extremos associados ao fenômeno.

Diante da intensidade prevista para o El Niño, o Inmet reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas próximas semanas. A avaliação em diferentes escalas de tempo será fundamental para identificar com antecedência as áreas mais vulneráveis a secas, ondas de calor e, no extremo oposto, episódios de chuva intensa e inundações, principalmente na Região Sul.

O Boletim nº 3 foi elaborado pelo Inmet em parceria com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec)/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

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