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O cultivo inicial de trigo favoreceu plantas com maior capacidade de competir por luz e espaço. A seleção ocorreu de forma não intencional durante a domesticação. A conclusão integra estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Sheffield.
Pesquisadores compararam três eventos independentes de domesticação: trigo einkorn, trigo emmer e trigo de Timopheev. As linhagens domesticadas apresentaram maior biomassa sob competição do que seus parentes silvestres. A diferença aumentou conforme a densidade de plantas vizinhas cresceu.
Os experimentos mostraram que as formas domesticadas mantiveram crescimento vegetativo mesmo sob sombreamento. A vantagem competitiva concentrou-se em folhas e colmos, não nas inflorescências. A interação ocorreu principalmente durante a fase vegetativa.
Simulações com modelo funcional-estrutural de plantas confirmaram os resultados experimentais. O ângulo de inserção foliar exerceu maior influência. Folhas mais eretas permitiram que plantas domesticadas superassem vizinhas e captassem mais luz.
Maior biomassa foliar potencial e dominância apical também contribuíram em alguns grupos. Em trigo emmer e einkorn, folhas maiores reforçaram a captação de luz. Em trigo de Timopheev, combinação de maior biomassa foliar e alterações em entrenós elevou a altura relativa das plantas.
Os autores indicam que a competitividade aumentou nos estágios iniciais da domesticação, há pelo menos 8 mil a 9 mil anos. O processo ocorreu antes da fixação completa do caráter de não debulha natural.
Em experimento intraespecífico com trigo emmer, os pesquisadores compararam formas silvestres, landraces antigas, landraces de durum e cultivares modernas. As landraces iniciais exibiram maior competitividade. O melhoramento moderno reduziu essa característica, embora cultivares atuais ainda superem formas silvestres.
O estudo associa a redução recente da competitividade ao melhoramento voltado para altas densidades de plantio. Programas modernos selecionaram plantas com folhas menores e colmos mais curtos. O objetivo concentrou recursos na produção de grãos e limitou competição interna.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.cub.2026.01.061
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