Cultivares de algodão chegam a 468 arrobas por hectare na Bahia

Fundação Bahia avaliou 46 materiais em oito propriedades

06.10.2026 | 13:55 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Carla Letícia
Foto: Wenderson Araujo / CNZ
Foto: Wenderson Araujo / CNZ

Cultivares de algodão alcançaram até 468 arrobas de algodão em caroço por hectare na análise conjunta de ensaios de sequeiro conduzidos no Cerrado da Bahia na safra 2025/26. A Fundação Bahia avaliou 46 materiais em oito propriedades, com áreas de sequeiro e irrigação complementar. O trabalho também mediu produtividade de pluma, qualidade de fibra, sanidade, desempenho agronômico e rentabilidade.

A análise conjunta do sequeiro reuniu resultados das fazendas São Francisco, Orquídeas e Ceolin Grãos e Fibra. A produtividade média atingiu 413 arrobas de algodão em caroço por hectare e 169 arrobas de pluma por hectare. O grupo de maior produtividade em caroço apresentou resultados entre 411 e 468 arrobas por hectare.

Cultivares mais produtivas

Nessa análise, oito cultivares produziram 435 arrobas ou mais de algodão em caroço por hectare: IMA 707 B3XF, IMA 712 B3XF, DP 2176 B3RF, TMG 82 B3XF, IMA 5901 B2RF, TMG 83 B3XF, IMA 497 B3XF e TMG 87 B3XF. Quatro delas também passaram de 184 arrobas de pluma por hectare: IMA 707 B3XF, IMA 712 B3XF, IMA 497 B3XF e TMG 87 B3XF.

Em rentabilidade, a média das quatro unidades de sequeiro mostrou sete materiais com receita líquida acima de três mil dólares por hectare: IMA 707 B3XF, IMA 712 B3XF, IMA 497 B3XF, TMG 87 B3XF, TMG 83 B3XF, DP 2176 B3RF e DP 2335 B3XF.

Os ensaios envolveram quatro unidades de sequeiro, plantadas entre o fim de novembro e meados de dezembro de 2025, e quatro unidades com irrigação complementar por pivô central, plantadas em janeiro e fevereiro de 2026. Das 46 cultivares, 16 já haviam passado por pelo menos uma avaliação. Outras 30 integravam o grupo de materiais em lançamento. Pesquisadores da Fundação Bahia e da Cotton Consultoria realizaram seis avaliações entre março e julho de 2026.

Protocolo de avaliações

O protocolo incluiu avaliações de doenças, pragas, porte, ciclo, aderência da pluma, apodrecimento de maçãs e conceito agronômico geral. A equipe também coletou amostras para rendimento de pluma e análises tecnológicas de fibra em HVI no laboratório da Associação Baiana dos Produtores de Algodão, em Luís Eduardo Magalhães. Os resultados passaram por análise estatística em delineamento de blocos ao acaso, com quatro repetições e comparação de médias pelo teste de Scott-Knott a cinco por cento de probabilidade.

A sanidade ganhou peso na avaliação. Todas as cultivares apresentaram sintomas foliares de mancha-alvo. Os pesquisadores também registraram apodrecimento de maçãs provocado por lagartas do gênero Spodoptera em todos os materiais avaliados. Todas as tecnologias transgênicas em teste apresentaram perdas de maçãs maduras por esse tipo de dano. Os controles de ramulária apresentaram alta eficiência na safra, com baixa incidência da doença na maior parte dos materiais.

Áreas irrigadas

Nas áreas irrigadas, a Fazenda São Luís registrou média de 415 arrobas de algodão em caroço por hectare e 172 arrobas de fibra por hectare. O grupo de maior produtividade em caroço variou de 412 a 499 arrobas por hectare. IMA 497 B3XF, IMA 712 B3XF, TMG 87 B3XF, IMA 5901 B2RF e IMA 707 B3XF produziram 192 arrobas ou mais de fibra por hectare e aparecem entre os destaques do local.

A análise conjunta dos ambientes irrigados reuniu as unidades do CPTO, da Fazenda Rio de Janeiro e da Fazenda Santa Izabel, plantadas em datas próximas. A Fazenda São Luís ficou de fora por ter sido semeada antes e enfrentado condições climáticas diferentes.

Nesse conjunto, PETROV 3493 B2RF, BRS 800 B3RF, DP 2111 B3RF, IMA 5901 B2RF, IMA 707 B3XF e TMG 87 B3XF superaram 383 arrobas de algodão em caroço por hectare. Os seis materiais também ficaram acima de 2,8 mil dólares por hectare de receita líquida na média das quatro unidades irrigadas. Os resultados reforçam a necessidade de avaliar cada cultivar a partir da combinação entre rendimento, qualidade da fibra, resposta fitossanitária e resultado econômico.

A Fundação Bahia conduz avaliações de cultivares desde a safra 2014/2015. O projeto mantém parceria com a Associação Baiana dos Produtores de Algodão, Cotton Consultoria e empresas obtentoras.

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