Comércio global amplia desafios para sementes

Especialistas discutem riscos fitossanitários, diagnóstico e rastreabilidade para garantir a segurança agrícola

03.09.2026 | 13:48 (UTC -3)
Vera Barão

A sanidade vegetal, as barreiras fitossanitárias no comércio internacional e os avanços na diagnose de patógenos marcaram o ritmo do XVII Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes, realizado na última quinta-feira (27/8). Integrando a programação do XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), o encontro abordou o tema “Qualidade Fitossanitária de Sementes: Regulamentação, Rastreabilidade e Aplicações como Pilar Estratégico na Produção Agrícola”, reunindo especialistas, autoridades e lideranças do agronegócio.

A abertura oficial foi conduzida pela coordenadora do evento e do Comitê de Patologia de Sementes (Copasem), Norimar Denardin; pelo presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), Fernando Henning; e pela vice-coordenadora do Copasem, Carla Corrêa. Na ocasião, Denardin enfatizou a importância da Patologia de Sementes para assegurar a qualidade fisiológica da semente como fator determinante para o sucesso da lavoura.

"Estamos muito satisfeitos com a repercussão do evento, especialmente pela presença de representantes do Ministério da Agricultura e pesquisadores internacionais, que trouxeram o panorama do trânsito global de sementes e os desafios que compartilhamos. A patologia de sementes é um pilar indispensável para a qualidade do insumo. Muitas das frustrações e quebras de safra enfrentadas pelo produtor no campo decorrem diretamente de patógenos veiculados pela semente, que comprometem o estande e introduzem doenças em áreas indenes. Precisamos avançar na integração entre diagnose precoce, tratamentos eficazes e manejo fitossanitário para mitigar essas perdas”, detalhou Denardin.

Gargalos internacionais e segurança alimentar

Na Mesa Redonda 1, dedicada ao fluxo global de sementes e moderada por José da Cruz Machado (UFLA/Copasem) e Ronaldo Troncha (Abrasem), a sanidade foi apontada como condição primordial para a sustentabilidade agrícola. O presidente da Associação Italiana de Proteção de Plantas (AIPP) e professor da Marche Polytechnic University, Gianfranco Romanazzi, alertou que o potencial genético é neutralizado pela presença de fitopatógenos: "Podemos produzir as melhores sementes, mas, se o lote estiver infectado por patógenos, todo o investimento é comprometido".

A diretora de Assuntos Fitossanitários da International Seed Federation (ISF), Rosineide Souza Richards, reforçou o papel da sanidade no abastecimento global e no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: "Nosso objetivo é garantir que produtores de todos os países tenham acesso a sementes sadias e de alta qualidade fisiológica e sanitária, condição essencial para combater a fome global".

Rigor laboratorial e integração com o campo

A acurácia nas metodologias analíticas e as normas regulatórias nortearam a Mesa Redonda 2, coordenada por Evelyn Koch (Conqualy/Copasem) e Maria Arminda Grazziotin (Support/Agriessentis Consultorias/Copasem). A pesquisadora Daiana Bampi (Esalq/Copasem) sustentou que diagnósticos precisos e laudos assertivos são determinantes para a segurança do cultivo. O painel detalhou exigências de credenciamento laboratorial e diretrizes técnicas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentadas por Regina Sartori, Fabrício Pedrotti (CGAL) e Isabela Mendes Carvalho (CGSM).

No período da tarde, a Mesa Redonda 3, sob coordenação de Cândida de Farias (UFPEL/Copasem) e Carla Corrêa, focou nos impactos sanitários na lavoura. A pesquisadora da Fundação MT, Meyriele Pires de Camargo, abordou a podridão de vagens e grãos na cultura da soja e cobrou maior sinergia entre pesquisa e aplicação: "É fundamental estreitar a ponte entre o desenvolvimento acadêmico e as demandas reais de quem vivencia o manejo direto no campo".

Marco técnico do setor

Os debates finais contemplaram estratégias de manejo cultural lideradas por José da Cruz Machado e Carolina Silva Siqueira (UFLA), inovações em controle biológico apresentadas por Jaqueline Huzar (Volvere Biotech) e um painel empresarial com novas tecnologias para o setor fitossanitário. 

Consolidando-se como um marco técnico para o setor, o simpósio superou todas as expectativas de público — reunindo mais de 250 participantes — e registrou o recorde de 79 trabalhos científicos apresentados em pôsteres. O saldo expressivo reafirma o compromisso contínuo do Copasem em posicionar a sanidade como componente indissociável da qualidade plena das sementes, integrando o atributo sanitário aos pilares genético, físico e fisiológico para garantir máxima segurança e sustentabilidade à agricultura brasileira.

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