Cientistas registram Atta opaciceps atacando nim no Brasil

Observação no Piauí mostra desfolha progressiva e coleta de folíolos após corte do peciólulo

18.08.2026 | 07:52 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Shannon Hartman / AntWeb - CC-BY 3.0
Foto: Shannon Hartman / AntWeb - CC-BY 3.0

Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí registraram pela primeira vez em publicação científica o ataque de Atta opaciceps a árvores de nim (Azadirachta indica) no Brasil. O acompanhamento ocorreu por oito dias, em janeiro de 2026, no campus da instituição em Bom Jesus, Piauí. A colônia provocou desfolha progressiva e concentrou o forrageamento apenas no nim durante o período observado.

A atividade envolveu 26 aberturas ativas de ninho sob a copa. O ataque começou em uma árvore, alcançou a segunda no terceiro dia e chegou à terceira até o fim das observações. Operárias cortavam os folíolos no peciólulo, deixavam o material cair no solo e depois realizavam a coleta e o transporte. Cortes semicirculares em tecido foliar fresco ocorreram com baixa frequência.

Os pesquisadores apontam o comportamento como possível resposta flexível às defesas químicas do nim. A deposição no solo pode reduzir a exposição a compostos voláteis bioativos presentes nos tecidos frescos, embora o mecanismo ainda exija investigação.

O nim reúne compostos como azadiractina, salanina e nimbina, associados a efeitos inseticidas e repelentes. Estudos anteriores citados no trabalho mostram efeitos negativos da azadiractina sobre sobrevivência de operárias, oviposição de rainhas e desenvolvimento do fungo simbionte das formigas cortadeiras. Mesmo assim, o registro mostra a capacidade de Atta opaciceps de explorar esse hospedeiro em ambiente antropizado (doi 10.37486/2675-1305.ec08033).

O trabalho foi realizado por Daniel M. Pacheco, Rodolfo M. de Souza, Andressa Ribeiro, Antônio C. Ferraz-Filho e Luciana B. Silva.

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