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Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí registraram pela primeira vez em publicação científica o ataque de Atta opaciceps a árvores de nim (Azadirachta indica) no Brasil. O acompanhamento ocorreu por oito dias, em janeiro de 2026, no campus da instituição em Bom Jesus, Piauí. A colônia provocou desfolha progressiva e concentrou o forrageamento apenas no nim durante o período observado.
A atividade envolveu 26 aberturas ativas de ninho sob a copa. O ataque começou em uma árvore, alcançou a segunda no terceiro dia e chegou à terceira até o fim das observações. Operárias cortavam os folíolos no peciólulo, deixavam o material cair no solo e depois realizavam a coleta e o transporte. Cortes semicirculares em tecido foliar fresco ocorreram com baixa frequência.
Os pesquisadores apontam o comportamento como possível resposta flexível às defesas químicas do nim. A deposição no solo pode reduzir a exposição a compostos voláteis bioativos presentes nos tecidos frescos, embora o mecanismo ainda exija investigação.
O nim reúne compostos como azadiractina, salanina e nimbina, associados a efeitos inseticidas e repelentes. Estudos anteriores citados no trabalho mostram efeitos negativos da azadiractina sobre sobrevivência de operárias, oviposição de rainhas e desenvolvimento do fungo simbionte das formigas cortadeiras. Mesmo assim, o registro mostra a capacidade de Atta opaciceps de explorar esse hospedeiro em ambiente antropizado (doi 10.37486/2675-1305.ec08033).
O trabalho foi realizado por Daniel M. Pacheco, Rodolfo M. de Souza, Andressa Ribeiro, Antônio C. Ferraz-Filho e Luciana B. Silva.
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