Centro de análise de fibras de algodão é inaugurado na Bahia

Laboratório da Abapa recebeu R$ 120 milhões em investimentos e amplia capacidade para até 70 mil análises diárias

09.06.2026 | 14:25 (UTC -3)
Catarina Guedes, edição Revista Cultivar

A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) inaugurou o seu novo Centro de Análise de Fibras em Luís Eduardo Magalhães (BA). Com investimento acumulado de cerca de R$ 120 milhões, o laboratório é apontado pela entidade como o maior da América Latina voltado à classificação de fibras de algodão.

A estrutura possui 5,2 mil metros quadrados de área construída e capacidade inicial para realizar até 40 mil análises por dia, número que poderá chegar a 70 mil análises diárias com a expansão prevista dos equipamentos. Para a safra 2025/2026, a expectativa é processar cerca de cinco milhões de amostras entre junho e dezembro.

A inauguração ocorreu no primeiro dia da Bahia Farm Show e reuniu representantes do setor produtivo, autoridades estaduais e lideranças da cadeia têxtil, entre elas o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

Segundo a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, o novo centro deve reforçar a confiabilidade da classificação da fibra brasileira no mercado internacional. “Este investimento garante ainda mais precisão e segurança na classificação da fibra, oferecendo confiança para produtores e compradores”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, destacou que a nova estrutura fortalece a posição do Brasil entre os principais exportadores mundiais da pluma. “Além da infraestrutura, o laboratório amplia a credibilidade, rastreabilidade e inovação da cadeia produtiva”, disse.

Ampliação da capacidade

Com a nova estrutura, o laboratório passou a operar com 16 equipamentos HVI (High Volume Instrument), utilizados para análise das características da fibra. São 12 máquinas do modelo Uster HVI-1000 e quatro HVI Automic Q Pro. Outros três equipamentos já foram adquiridos e devem entrar em operação em agosto.

Segundo a Abapa, a capacidade operacional passou de 34 mil para 40 mil amostras por dia. Em operação máxima, com a instalação futura de mais equipamentos, o centro poderá atingir 70 mil análises diárias, totalizando 32 máquinas em funcionamento. Durante o pico da safra, a operação deverá funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, utilizando até 19 equipamentos simultaneamente.

De acordo com o gerente do laboratório, Sérgio Brentano, a nova estrutura incorpora automação de processos e melhorias no fluxo operacional. “As mudanças envolvem aumento de capacidade, eficiência operacional e integração das áreas técnicas com espaços destinados a visitas”, afirmou.

As obras começaram em setembro de 2023 e foram financiadas com recursos próprios da Abapa, além de apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro).

Referência no Matopiba

O laboratório da Abapa é responsável pela classificação do algodão produzido na Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí, região conhecida como Matopiba. Na safra 2024/2025, o centro analisou aproximadamente 3,5 milhões dos 6,7 milhões de fardos avaliados pelo Programa de Qualidade do Algodão Brasileiro (PQAB). Segundo a entidade, a taxa de confiabilidade alcançou 99,85%.

Para a safra atual, a estrutura deverá atender cerca de 495 mil hectares cultivados, envolvendo 130 produtores associados, 160 fazendas e 73 usinas de beneficiamento.

O laboratório possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e participa dos programas Standard Brasil HVI (SBRHVI) e PQAB. A acreditação formal da nova unidade está em processo de implementação.

Histórico

O primeiro laboratório da Abapa foi criado em 2002 e operou no mesmo local até 2025. Entre 2011 e 2012, a estrutura passou pela primeira grande modernização, com a incorporação dos equipamentos HVI.

Em 2013, a entidade implantou um sistema de climatização rápida para aumentar a precisão das análises. Com a nova sede, a associação amplia a automação do processo de classificação da fibra, incluindo sistemas integrados de transporte do algodão entre esteiras e equipamentos de análise.

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