Cadeia do arroz alerta para risco de colapso em SC

SindArroz-SC e Câmara Setorial pedem crédito, incentivos fiscais e apoio à comercialização

15.01.2026 | 14:08 (UTC -3)
Francine Ferreira, edição Revista Cultivar

A cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina vive uma das situações mais críticas das últimas décadas e alerta para o risco de colapso do setor. Pressionados por custos de produção elevados, preços abaixo do mínimo viável e estoques represados, produtores e indústrias buscam apoio do poder público para evitar perdas ainda maiores na safra 2025/2026.

Diante desse cenário, o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), em conjunto com a Câmara Setorial do Arroz e lideranças da cadeia produtiva, reuniu-se na quarta-feira (14) com o governador Jorginho Mello. Na ocasião, as entidades entregaram um ofício solicitando a adoção de medidas emergenciais e estruturantes para o setor.

O documento, assinado por representantes de cooperativas, associações e federações ligadas à rizicultura, apresenta um diagnóstico da crise, que se arrasta desde 2024 e se intensificou na atual safra. Entre os principais pleitos ao governo estadual estão a ampliação do crédito presumido de ICMS incidente sobre o arroz, a criação de linhas de crédito subsidiadas para produtores endividados, maior participação do arroz catarinense nas compras públicas e o fortalecimento da pesquisa e inovação por meio da Fapesc.

As entidades também defendem a inclusão da aquisição de sementes de arroz no Programa Terra Boa e ações para conter a entrada de arroz importado do Mercosul, que tem pressionado ainda mais os preços no mercado interno.

Atualmente, o preço médio recebido pelo produtor gira em torno de R$ 50 por saca, enquanto o custo de produção supera R$ 75. A diferença tem gerado prejuízos imediatos, comprometendo a sustentabilidade econômica das lavouras, das indústrias beneficiadoras e impactando o emprego e a renda nas regiões produtoras.

Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a reunião com o governador trouxe encaminhamentos iniciais. “O ofício foi encaminhado ao secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, e alguns pontos já tiveram sinalização positiva, como o apoio à pesquisa e ao financiamento de sementes. O secretário também se comprometeu a reunir as entidades para aprofundar o diálogo e buscar soluções dentro das possibilidades do Estado”, afirmou.

Articulação com o Governo Federal

Além das demandas estaduais, o documento destaca a necessidade de articulação com o Governo Federal para enfrentar a crise de forma mais ampla. As entidades solicitam que Santa Catarina atue como interlocutor junto à União para viabilizar medidas voltadas ao escoamento da produção e à sustentabilidade financeira dos rizicultores.

Entre os pleitos federais estão mecanismos para estímulo às exportações de arroz, a retomada do subsídio à securitização agrícola para renegociação de dívidas e o reajuste do preço mínimo do grão, considerado fundamental para garantir uma base mínima de remuneração ao produtor.

Segundo as entidades, a falta de respostas concretas do governo federal aumenta a insegurança econômica e social no campo, especialmente com a proximidade do início da colheita. O setor reforça a urgência de ações coordenadas para evitar perdas irreversíveis na cadeia produtiva do arroz em Santa Catarina.

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