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O Brasil exportou 347,8 mil toneladas de algodão bruto em março, o maior volume já registrado para o mês. O resultado, que representa alta de 45,4% no volume e 33,6% na receita frente a março de 2025, quando as exportações somaram US$ 530,1 milhões, surpreende pela magnitude e pelo momento: historicamente, março não é um mês de pico para os embarques brasileiros. Os dados foram divulgados em 7 de abril pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e analisados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).
“Um recorde de embarques em março desmonta o velho mito de que a capacidade de embarque brasileira se dá de setembro a dezembro. No final do terceiro trimestre, cravamos 350 mil toneladas de algodão exportado, que é muito positivo para o país”, afirma o presidente da Anea, Dawid Wajs. Para ele, o resultado também representa uma recuperação clara após o desempenho mais contido de fevereiro, quando chuvas nas regiões produtoras dificultaram a logística. “Estes resultados demonstram nossa recuperação forte agora em março”, diz.
No acumulado de julho a março, o Brasil está aproximadamente 150 mil toneladas à frente do volume registrado na mesma janela da safra anterior. O algodão ocupou o 3º lugar no ranking de exportações do setor agropecuário, com 6,42% de participação, e o 12º lugar no ranking geral das exportações do país (1,68%).
Um dos aspectos mais notáveis do resultado de março é o desempenho do algodão brasileiro em mercados que, a princípio, apresentavam obstáculos. A Índia, que encerrou o regime tarifário especial de importação em dezembro, manteve volumes relevantes de compra. “Surpreendente a posição da Índia, mesmo sem a isenção da importação, comprando bastante algodão do Brasil. Isso mostra que o nosso algodão fincou presença na indústria indiana, e que estamos efetivamente conquistando novos mercados”, avalia Wajs. A Índia respondeu por 11,9% das exportações do mês.
A China, que recentemente abriu uma cota de importação de 300 mil toneladas, seguiu firme como principal parceiro comercial, respondendo por 29,5% dos embarques de março. “A China vem seguindo firme, sendo responsável por basicamente um terço das exportações do Brasil na safra 2026”, destaca o presidente da Anea.
Bangladesh, apontado como o maior importador mundial de algodão, manteve uma presença expressiva, absorvendo 16% dos embarques brasileiros em março e foi o segundo maior destino do mês.
Os principais destinos das exportações brasileiras de algodão em março foram:
• China (29,5%)
• Bangladesh (16%)
• Índia (11,9%)
• Vietnã (11,3%)
• Turquia (10,8%)
• Paquistão (7,8%)
• Indonésia (6,5%)
• Malásia (2,5%)
• Egito (2,5%)
• Coreia do Sul (0,7%)
• Maurício (0,3%)
• Argélia (0,3%)
• Tailândia (0,2%)
• Japão (0,1%)
Em meio às turbulências do comércio internacional, com rearranjos tarifários, tensões geopolíticas e incertezas nos acordos comerciais globais, a Anea avalia que o Brasil segue bem-posicionado. “Mais uma vez, nesse turbilhão de tarifas e tratados comerciais globais, o Brasil vai indo bem, porque, apesar de não ter acordo com ninguém, a gente também não briga”, pontua Wajs.
“Com o crescimento da safra, é fundamental adentrar mais mercados e ampliar o leque de destinos”, conclui o presidente da Anea.
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