RS Safra 2025/26: semeadura da canola está quase concluída
Emater/RS projeta incremento de área de 102,64%, alcançando 353.397 hectares
A convergência entre agricultura, energia e inovação tecnológica foi um dos principais temas debatidos durante a World Agri-Tech South America 2026, realizada em São Paulo. No painel “Biocombustíveis sustentáveis em escala: convertendo o impulso político, tecnologia e capital em crescimento lucrativo”, líderes dos setores agrícola, energético e logístico discutiram os desafios e as oportunidades para ampliar a produção e o uso de combustíveis renováveis em escala global.
Representando a AGCO, líder global em máquinas agrícolas e tecnologias para agricultura de precisão, Marcelo Traldi, Diretor Geral para América Latina, destacou o papel estratégico do Brasil na transição para uma economia de baixo carbono e a importância da inovação para transformar o produtor rural em protagonista da geração de energia renovável.
“O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação. Temos disponibilidade de matéria-prima, uma matriz energética renovável, capacidade industrial instalada e produtores altamente tecnificados. A integração entre agricultura e energia cria uma oportunidade sem precedentes para aumentar a competitividade do agro, reduzir emissões e gerar novas fontes de receita para o produtor”, afirmou Traldi.
O executivo ressaltou ainda que o avanço dos biocombustíveis vai além da substituição dos combustíveis fósseis, criando um novo modelo de produção baseado na valorização de resíduos agrícolas e na circularidade. Nesse cenário, tecnologias como o biometano e o etanol ganham protagonismo ao permitir que propriedades rurais e usinas produzam parte da energia consumida em suas próprias operações.
A discussão reuniu representantes de outras grandes empresas, que apontaram o crescimento acelerado do etanol de milho, a expansão do biometano e a crescente demanda por combustíveis sustentáveis nos setores marítimo e de aviação como fatores que devem impulsionar novos investimentos na bioeconomia sul-americana.
Para a AGCO, a evolução dos biocombustíveis está diretamente conectada ao futuro da mecanização agrícola. A companhia apresentou recentemente ao mercado os motores AGCO Power movidos a etanol e biometano, resultado de mais de 20 mil horas de testes em operações agrícolas de cana-de-açúcar e grãos sob condições severas de trabalho.
As novas tecnologias, que deverão chegar ao mercado entre 2027 e 2028 por meio das marcas Valtra e Massey Ferguson, oferecem desempenho equivalente ao diesel, com potência entre 200 e 300 cavalos, além de reduzir em até 90% as emissões de carbono quando comparadas aos combustíveis convencionais. “Acreditamos que a próxima grande evolução da agricultura será a autonomia energética no campo. O agricultor passa a produzir não apenas alimentos, fibras e biomassa, mas também a energia necessária para movimentar sua operação. É um modelo que combina sustentabilidade, eficiência econômica e segurança energética”, destacou Traldi.
A World Agri-Tech South America é reconhecida como um dos mais importantes fóruns internacionais de inovação agrícola, reunindo empresas, investidores, startups e lideranças do agronegócio para discutir soluções voltadas ao futuro da produção de alimentos, energia e sustentabilidade.
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