Plantas usam duas vias de cAMP contra estresses
Estudo em Arabidopsis mostra funções distintas para 2’,3’-cAMP e 3’,5’-cAMP no crescimento e na resposta ambiental
A infecção pelo baculovírus SeMNPV altera a escolha alimentar e a oviposição de Spodoptera exigua, com deslocamento da preferência para plantas e dietas com maior teor de proteína. O efeito envolve a regulação do receptor olfativo SexiOR23, segundo estudo de pesquisadores chineses.
Os cientistas usaram o sistema formado por Spodoptera exigua multiple nucleopolyhedrovirus, ou SeMNPV, e sua hospedeira Spodoptera exigua. O objetivo envolveu a avaliação da forma como uma infecção por baculovírus modifica a seleção de hospedeiros, a alimentação larval e a escolha de locais para postura.
Nos ensaios com lagartas de quinto ínstar, indivíduos sem infecção preferiram Brassica oleracea. Após a infecção por SeMNPV, a preferência mudou. As lagartas passaram a selecionar em maior proporção Glycine max (soja) e Apium graveolens (salsão). Essas plantas apresentaram maior teor de proteína solúvel e maior relação proteína e carboidrato nas folhas.
A equipe também testou dietas artificiais. Uma dieta tinha maior proporção de carboidratos, com relação proteína:carboidrato de 1:7. A outra tinha maior proporção de proteína, com relação 7:1. Lagartas não infectadas escolheram a dieta rica em carboidratos. Lagartas infectadas escolheram a dieta rica em proteína.
Os pesquisadores anotaram 66 genes de receptores olfativos em Spodoptera exigua. Seis apresentaram aumento de expressão após a infecção. SexiOR23 registrou a indução mais forte na análise de RNA-seq, com aumento de 23,25 vezes. A validação por qRT-PCR apontou aumento de 5,71 vezes em larvas infectadas.
A expressão de SexiOR23 concentrou-se na cabeça das lagartas. Após a infecção, o gene manteve expressão elevada nesse tecido e também apresentou aumento no intestino médio e no corpo gorduroso. A alta expressão na cabeça reforça a ligação com processos quimiossensoriais associados à seleção de hospedeiros.
Para testar a função do gene, os autores silenciaram SexiOR23 por RNA de interferência. O silenciamento reduziu a expressão do gene e anulou a mudança alimentar causada pela infecção. Lagartas infectadas com SexiOR23 silenciado voltaram a preferir a dieta rica em carboidratos. No teste com plantas, o silenciamento reduziu a escolha por Apium graveolens, hospedeira com maior relação proteína:carboidrato, e restabeleceu a preferência por Brassica oleracea.
O estudo também avaliou consumo e sobrevivência. Lagartas infectadas consumiram mais dieta rica em proteína do que dieta com teor proteico normal. Indivíduos mantidos em dieta rica em proteína apresentaram maior tolerância ao SeMNPV, com mortalidade retardada e maior sobrevivência em relação às lagartas mantidas em dieta normal. Aos sete dias após a infecção, a sobrevivência no regime rico em proteína foi maior.
O silenciamento de SexiOR23 não alterou de forma consistente a suscetibilidade ao vírus até a pupação. Para os autores, esse resultado indica papel principal do receptor na reprogramação comportamental, e não na ativação direta da defesa antiviral.
A mudança persistiu no estágio adulto. Fêmeas originadas de lagartas infectadas apresentaram aumento de 39,40 vezes na expressão de SexiOR23. Nas antenas, o aumento chegou a 11,10 vezes em comparação com adultos não infectados. A expressão mais alta nas antenas sugere participação em decisões ligadas à localização de hospedeiros.
A oviposição também mudou. Fêmeas não infectadas depositaram mais ovos em Brassica oleracea, hospedeira com menor relação proteína:carboidrato. Fêmeas portadoras de SeMNPV direcionaram a postura para Apium graveolens, hospedeira com maior relação proteína:carboidrato.
Outras informações em DOI 10.1016/j.pestbp.2026.107156
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