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Estudo de pesquisadores da Universidade da Flórida identificou a sequência de alterações celulares associadas ao huanglongbing dos citros (HLB). Os resultados indicam mecanismos distintos nos tecidos fotossintéticos e não fotossintéticos. A bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus provoca morte de células do floema e deposição de calose em folhas, ramos, tronco e partes dos frutos. Nas raízes, a degradação decorre principalmente da falta de carbono, segundo os cientistas (DOI 10.1094/PHYTO-01-26-0019-R).
A equipe analisou laranjeiras-doces Citrus sinensis das cultivares Hamlin e Valencia. O trabalho incluiu plantas mantidas em pomar, ambiente protegido e sala de crescimento. As coletas ocorreram em fevereiro, maio, agosto e novembro. Os cientistas examinaram folhas jovens, folhas maduras, casca de ramos, casca do tronco, raízes fibrosas, albedo, pedicelo, columela e tegumento de sementes.
As análises combinaram microscopia eletrônica de transmissão, microscopia de luz e PCR quantitativa. A comparação envolveu tecidos infectados e controles sadios. O conjunto formou um atlas microscópico da progressão do HLB ao longo de um ano.
Os tecidos fotossintéticos apresentaram os danos mais diretos. A infecção aumentou a deposição de calose ao redor dos poros das placas crivadas. Esse material reduziu ou bloqueou a passagem pelo floema. Os pesquisadores também registraram morte de elementos de tubo crivado e células-companheiras. Em várias amostras, a morte das células-companheiras apareceu antes da perda dos elementos crivados.
O bloqueio interrompeu o transporte de fotoassimilados. O processo favoreceu o acúmulo de amido nas folhas maduras e na casca de ramos. Nas folhas, os grãos de amido ocuparam os cloroplastos. O excesso promoveu a degeneração dessas organelas. Essa sequência explica o mosqueado irregular e o amarelecimento típicos do HLB.
As folhas maduras concentraram os sinais mais intensos. Amostras infectadas apresentaram morte celular no floema durante os quatro períodos avaliados. Também registraram maior deposição de calose e acúmulo de amido. O câmbio mostrou crescimento desorganizado, aumento do número de células e formação irregular de novo floema.
Folhas jovens apresentaram resposta menos uniforme. Parte das amostras mostrou deposição de calose, mas a morte celular permaneceu rara. O acúmulo de amido surgiu em alguns materiais coletados no pomar, sobretudo em maio e novembro. Os dados sugerem avanço dos danos após a maturação foliar.
A casca de ramos e do tronco também apresentou calose, estreitamento dos poros crivados e morte de células do floema. A intensidade acompanhou, em diversas amostras, a concentração bacteriana. Tecidos com maior título de Candidatus Liberibacter asiaticus exibiram danos mais extensos. O câmbio infectado produziu camadas de floema mais espessas e desorganizadas.
Nos frutos, o estudo detectou morte celular e deposição de calose no albedo, no pedicelo e na columela. Esses danos aumentaram com a maturação. Em novembro, algumas amostras mostraram perda celular extensa. O acúmulo de amido teve papel menor nesses órgãos, ao contrário do observado em folhas maduras.
As raízes seguiram outro padrão. A deposição de calose e a morte direta de células do floema ocorreram em menor intensidade. As raízes infectadas perderam reservas de amido. Os cientistas atribuem a degradação radicular à redução do transporte de carbono a partir da copa. A falta de fotoassimilados compromete a manutenção dos tecidos subterrâneos.
Esse resultado posiciona a deterioração das raízes após os danos no floema da parte aérea. A bactéria infecta o sistema vascular, mas a queda de carbono disponível responde pela maior parte da perda radicular. A degradação das raízes reduz a absorção de água e nutrientes. Depois, surgem deficiência nutricional, queda de folhas e frutos, seca de ramos, declínio e morte da planta.
O tegumento das sementes também apresentou resposta limitada. Mesmo na presença da bactéria, os cientistas não observaram aumento claro de morte celular nem alteração consistente na deposição de calose. A hipótese aponta para abortamento de sementes causado por restrição no suprimento de carbono, não por destruição direta intensa do floema.
O modelo proposto começa com a infecção sistêmica por Candidatus Liberibacter asiaticus. A planta ativa respostas imunes crônicas, com produção de espécies reativas de oxigênio e deposição de calose nos tecidos capazes de realizar fotossíntese. Em seguida, ocorre morte celular no floema. O bloqueio vascular acumula amido nas folhas. Os cloroplastos perdem sua estrutura. Aparecem mosqueado e amarelecimento. A menor exportação de carbono provoca fome energética nas raízes. A degradação radicular amplia os sintomas e acelera o declínio.
Os pesquisadores apontam duas frentes para futuras estratégias de manejo. Uma envolve a redução dos danos secundários nas raízes. Outra busca controlar a produção de espécies reativas de oxigênio e proteger componentes dos cloroplastos. O trabalho não apresenta uma medida pronta para uso no campo, mas define etapas celulares relevantes para novas abordagens contra o HLB.
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