Ascribe Bioscience amplia operação no Brasil com aporte de R$ 61 mi

Agtech norte-americana firma parcerias locais para formular e distribuir bioinsumo na safra 2026/27

01.10.2026 | 14:53 (UTC -3)
Paula Boracini
Edison Hidalgo, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Ascribe no Brasil e Gabriel Wilmoth, Chief Operating Officer (COO) da Ascribe
Edison Hidalgo, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Ascribe no Brasil e Gabriel Wilmoth, Chief Operating Officer (COO) da Ascribe

A agtech norte-americana Ascribe Bioscience deu início ao plano de nacionalização de suas operações com o estabelecimento de uma estrutura industrial e logística no Brasil. A movimentação marca a fase de execução prática do aporte global de US$ 12 milhões (R$ 61 milhões) captado pela empresa — que tem entre seus investidores os braços de venture capital da Corteva (Corteva Catalyst) e da Syngenta Group Ventures, além do fundo Acre Venture Partners.

Para viabilizar a operação e atender à demanda já projetada para a safra 2026/2027, a empresa firmou parcerias com formuladoras e distribuidoras locais. No modelo de negócios adotado, a síntese do ingrediente ativo permanece nos Estados Unidos, enquanto as etapas de formulação, envase e distribuição comercial passam a ser realizadas em território brasileiro.

A escolha do Brasil para estrear a tecnologia reflete o protagonismo do país como plataforma estratégica global de validação e escala de bioinsumos.

"O Brasil deixou de ser apenas um mercado consumidor e passou a ser a plataforma de validação global onde as novas tecnologias do agronegócio precisam provar valor econômico e operacional", afirma Gabriel Wilmoth, Chief Operating Officer (COO) da Ascribe. "O lançamento do Phytalix traz para o agricultor brasileiro uma nova ferramenta poderosa e sustentável para aumentar a defesa da planta contra as principais doenças da soja e do milho, inserindo essa nova classe de tecnologia dentro da rotina de maquinários e logística que o produtor já está acostumado."

Ciência do solo aplicada à imunidade do cultivo e validação regulatória

A entrada da Ascribe no mercado brasileiro ocorre após a conclusão do ciclo de aprovações regulatórias conjuntas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Anvisa e do Ibama, que culminou no registro comercial do Phytalix.

Diferente dos defensivos químicos e microbiológicos tradicionais que atuam combatendo diretamente os patógenos, a tecnologia atua de forma preventiva. O insumo utiliza um ascarosídeo — composto do microbioma do solo sintetizado em laboratório — capaz de induzir as rotas metabólicas e preparar o sistema imunológico da cultura para uma resposta imediata e eficiente. A ativação real dessas barreiras só ocorre a partir do momento em que a planta detecta a presença do invasor, o que previne o gasto energético desnecessário e protege a lavoura contra severos danos econômicos.

Devido ao seu mecanismo molecular exclusivo, o Phytalix recebeu uma classificação própria de resistência pelo FRAC (Fungicide Resistance Action Committee). O selo consolida o produto como uma molécula nova, auxiliando o manejo integrado e a rotação de mecanismos de ação no campo.

Perfil operacional, ganhos de produtividade e testes em campo

A decisão de investir no ecossistema local foi respaldada por um programa de validação rigorosa de cinco anos: foram realizados mais de 450 ensaios de campo em regiões estratégicas como MT, MS, PR, RS, SP, BA, GO e MG. Os testes comprovaram a eficácia da tecnologia na redução de doenças de alto impacto, como mancha parda, mancha alvo e ferrugem asiática na soja, além de mancha branca e mancha de bipolaris no milho. Dados apontam um significativo ganho de produtividade que será comprovado pelos agricultores já nesta safra 26/27, com resultados positivos também observados em culturas de arroz, café e algodão.

Um dos principais diferenciais da tecnologia para atrair os investidores globais é romper os gargalos logísticos históricos dos biológicos. O ativo apresenta estabilidade de prateleira, resistência a variações de temperatura (calor e frio) e radiação UV, eliminando a necessidade de transporte refrigerado e integrando-se às frotas e maquinários já utilizados nas propriedades agrícolas.

“O Phytalix é fruto de ciência global atestada de forma independente por pesquisadores renomados no Brasil e no mundo. Sua versatilidade permite a integração direta ao manejo de resistência, reduzindo a fitotoxicidade e potencializando o controle fitossanitário em cada entrada", destaca Edison Hidalgo, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Ascribe no Brasil. "A tese de investimento que atrai os fundos internacionais é a capacidade de unir ciência avançada com aplicação operacional simples e segura para o produtor, trabalhadores rurais, consumidores, polinizadores e biologia do solo."

Fundada em 2017 a partir de pesquisas desenvolvidas no Boyce Thompson Institute, da Universidade de Cornell (EUA), pelos cientistas Frank Schroeder e Jay Farmer, a Ascribe estrutura agora sua equipe comercial e técnica em São Paulo para suportar o crescimento das operações na América Latina.

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