Agro tem semana de dólar mais fraco e alta do algodão

Imea destaca avanço das safras argentinas e estabilidade logística nas principais rotas de MT

28.04.2026 | 10:46 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou nesta semana seus boletins semanais de soja, milho e algodão, destacando um cenário de maior apetite por risco no mercado internacional, oscilações no câmbio e avanços nas safras sul-americanas.

Na conjuntura econômica, o dólar Ptax fechou a semana com média de R$ 4,98/US$, recuo de 0,31% em relação à anterior. O movimento foi influenciado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e pelas incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo. Apesar do ambiente mais favorável ao risco ao longo da semana, a elevação das tensões na sexta-feira levou investidores a buscar ativos mais seguros, sustentando a valorização da moeda norte-americana no fechamento.

No cenário doméstico, o Banco Central do Brasil informou que o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) de fevereiro de 2026 registrou crescimento em quatro das cinco regiões do país. O Centro-Oeste foi exceção, com retração de 1,1% frente a janeiro, embora lidere no acumulado em 12 meses, com alta de 4,8%.

Já nos Estados Unidos, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto avançou de 50,3 em março para 52,0 em abril, indicando expansão da atividade privada, especialmente no setor manufatureiro. O resultado reflete, em parte, a formação de estoques diante das incertezas globais, o que também tem elevado os custos de produção e pressionado a inflação.

No mercado de grãos, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires estimou a área de soja em 17,2 milhões de hectares, queda de 2,33%. Até 23 de abril, a colheita atingia 10,2% da área. Após um início prejudicado por irregularidade das chuvas, a melhora das condições hídricas a partir de fevereiro favoreceu o desenvolvimento das lavouras, elevando a produtividade e ajustando a produção para 48,6 milhões de toneladas.

Para o milho argentino, a colheita da safra 2025/26 chegou a 26,5% da área, avanço semanal de 2 pontos percentuais. O ritmo segue moderado devido às chuvas recentes, mas as condições das lavouras são consideradas positivas, com 93,6% das áreas entre normais e excelentes. A expectativa de produtividade elevada levou à revisão da produção para 61 milhões de toneladas, alta de 7,02% frente ao relatório anterior.

No algodão, o indicador Cepea/Esalq para a pluma voltou ao maior patamar em dois anos, atingindo 81,91 centavos de dólar por libra-peso na última semana. A valorização acompanha o fortalecimento do mercado internacional e a maior competitividade da fibra natural frente à sintética, em um cenário de demanda aquecida e oferta mais restrita no curto prazo.

Entre as agroindústrias, o preço do etanol hidratado nas usinas de Mato Grosso recuou 3,27% na primeira quinzena de abril, com média de R$ 2,78 por litro, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. A queda está associada ao início da safra 2026/27, com aumento da oferta. Ainda assim, a paridade com a gasolina ficou em 67,99%, mantendo o biocombustível competitivo.

Na logística, os fretes rodoviários de grãos permaneceram estáveis na maior parte das rotas de Mato Grosso, refletindo o equilíbrio entre a oferta de caminhões e o volume de escoamento da produção. Rotas como Campo Novo do Parecis (MT) a Porto Velho (RO) e de Canarana (MT) a Barcarena (PA) não registraram variações relevantes na semana.

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