Adubação mista eleva em 77,7% a produtividade do pepino

Substituição de dois terços do fertilizante mineral por fonte orgânica favoreceu metabolismo, qualidade e defesa antioxidante

15.07.2026 | 09:22 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Stephen Ausmus / USDA
Foto: Stephen Ausmus / USDA

A substituição de dois terços do fertilizante mineral por adubo orgânico elevou a produtividade do pepino a 65,2 toneladas por hectare. O resultado superou em 77,66% o tratamento sem adubação e em 27,34% o manejo exclusivo com fertilizante mineral. A estratégia também ampliou os teores de vitamina C, açúcares solúveis e sólidos solúveis nos frutos (DOI 10.3390/plants15142157).

Os dados integram um experimento de campo conduzido durante sete anos pela Academia de Ciências Agrícolas de Tianjin, na China. Os pesquisadores avaliaram cinco estratégias de fertilização em cultivos de Cucumis sativus: ausência de adubo; fertilização mineral completa; dois terços de fertilizante mineral e um terço de fertilizante orgânico; um terço de fertilizante mineral e dois terços de fertilizante orgânico; e adubação orgânica exclusiva.

Mineral e orgânico

A combinação com um terço de fonte mineral e dois terços de fonte orgânica apresentou o melhor desempenho produtivo. O tratamento com fertilizante mineral completo alcançou 51,2 toneladas por hectare. A mistura com um terço de adubo orgânico produziu 53,9 toneladas por hectare. A aplicação orgânica exclusiva chegou a 55,6 toneladas por hectare. O tratamento sem fertilização rendeu 36,7 toneladas por hectare.

O manejo mais eficiente também aumentou a qualidade dos frutos. O teor de vitamina C atingiu 1.206,45 microgramas por grama. O valor superou o controle em 70,98%. Os açúcares solúveis chegaram a 17,94 miligramas por grama, alta de 46,20%. Os sólidos solúveis alcançaram 6,97%, avanço de 40,27%.

O experimento recebeu os mesmos aportes totais de nitrogênio nos tratamentos fertilizados. A dose correspondeu a 450 quilogramas por hectare. Os pesquisadores também aplicaram 225 quilogramas por hectare de fósforo e 450 quilogramas por hectare de potássio, com ajustes conforme a participação do adubo orgânico. A fonte orgânica comercial teve como matéria-prima principal o esterco ovino.

Resposta produtiva

A resposta produtiva acompanhou mudanças no metabolismo de carbono e nitrogênio das plantas. A combinação com maior participação orgânica promoveu os maiores teores de aminoácidos, frutose, glicose, sacarose e proteínas nas folhas. Os aminoácidos alcançaram 1.751,55 microgramas por grama. A concentração superou o controle em 46,72%.

A frutose aumentou 102,57%. A glicose avançou 56,70%. A sacarose cresceu 114,90%. O teor de proteínas subiu 26,05%. Esses compostos participam do fornecimento de energia, da formação de estruturas celulares e da assimilação de nitrogênio.

A fertilização mista também estimulou enzimas ligadas à fotossíntese, à síntese de açúcares e ao metabolismo nitrogenado. A atividade da glutamato sintase atingiu o maior valor no tratamento com dois terços de adubo orgânico. A glutamina sintetase, a frutose-1,6-bisfosfato aldolase, a sacarose-fosfato sintase e a Rubisco também responderam ao uso combinado das fontes.

Os pesquisadores identificaram associação positiva entre o metabolismo de carbono e a assimilação de nitrogênio. Glicose, frutose e sacarose apresentaram correlação com enzimas responsáveis pela síntese e transformação de carboidratos. Aminoácidos e proteínas também mantiveram relação com essas rotas metabólicas.

Estresse oxidativo

O manejo misto reduziu sinais de estresse oxidativo. A aplicação exclusiva de fertilizante mineral elevou em 11,94% o teor de malondialdeído nas folhas. Esse composto funciona como indicador de peroxidação de lipídios das membranas celulares. O aumento da participação orgânica reduziu sua concentração.

A capacidade antioxidante total das folhas seguiu tendência oposta. A substituição de dois terços do fertilizante mineral elevou esse indicador em 12,28% ante o tratamento sem adubação. O resultado aponta maior capacidade de neutralização de compostos oxidantes.

A análise conjunta dos dados destacou a sacarose e o malondialdeído como os indicadores mais sensíveis às estratégias de fertilização. A sacarose refletiu o fortalecimento do metabolismo de carbono. O malondialdeído indicou diferenças no nível de estresse celular.

Os pesquisadores associam o desempenho da adubação mista à liberação gradual de nutrientes pela fonte orgânica e à disponibilidade imediata fornecida pelo fertilizante mineral. Essa combinação pode sustentar a nutrição ao longo do ciclo e favorecer a formação de fotoassimilados destinados aos frutos.

O estudo não avaliou a qualidade do solo, os teores de metais pesados nem a estrutura da comunidade microbiana. Os pesquisadores indicam a necessidade de incluir esses componentes em novos trabalhos antes da recomendação ampla da proporção em outros solos, climas e sistemas de produção.

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