Acordo EUA-Irã derruba preços dos combustíveis no Brasil

Dados do IPTL mostram recuos de até 8,49% após a desescalada do conflito no Oriente Médio

26.06.2026 | 14:14 (UTC -3)
Stephany Lacerda

Na semana que marcou a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã (14 a 20 de junho), os preços dos combustíveis apresentaram forte retração no Brasil em comparação ao período mais agudo do conflito no Oriente Médio (de 29 de março a 04 de abril). O diesel comum e o diesel S-10 registraram reduções importantes, de 8,49% e 6,38%, respectivamente, chegando às médias de R$ 6,98 e R$ 7,22. A gasolina acompanhou a tendência de baixa, com queda de 1,57%, para R$ 6,81.

Como complemento a esse cenário de queda, os dados indicam que a reação dos preços nas bombas foi praticamente imediata, refletindo o alívio do mercado diante do acordo. Apenas ao longo da semana que culminou na assinatura do memorando de paz, o preço médio do diesel comum recuou de R$7,02 no domingo (14) para R$ 6,95 no sábado (20), enquanto o diesel S-10 caiu de R$7,21 para R$ 7,18 no mesmo período.

Os dados são da mais recente análise do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), levantamento que consolida o comportamento dos preços das transações realizadas em postos de combustível em todo o país.

Valores médios na comparação entre a semana ápice (29/03 a 04/04) e a semana pós-acordo (14/6 a 20/6)
Valores médios na comparação entre a semana ápice (29/03 a 04/04) e a semana pós-acordo (14/6 a 20/6)

A expressiva redução observada nos preços reflete a estabilização do mercado internacional após a formalização do memorando de paz, assinado na quarta-feira (17 de junho) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. O documento não apenas declarou o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, como também trouxe resoluções relevantes para o setor de energia. Os Estados Unidos se comprometeram a encerrar as sanções contra o Irã, permitindo que o país volte a comercializar seu petróleo sem restrições. Além disso, o Estreito de Ormuz foi reaberto, com a suspensão do bloqueio naval norte-americano e a previsão de restabelecimento pleno do tráfego marítimo em até 30 dias.

"A assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã trouxe um alívio imediato e muito aguardado ao mercado global e, consequentemente, às bombas no Brasil. Durante a semana de ápice do conflito, entre o fim de março e o início de abril, vimos o preço do diesel comum saltar mais de 20%, pressionado pelas incertezas logísticas e pelo risco de desabastecimento na região do Golfo. Agora, com a liberação das exportações de petróleo iraniano e o fim iminente das restrições no Estreito de Ormuz, o mercado precifica um cenário de maior estabilidade, resultando em uma forte correção de baixa, principalmente nos tipos de diesel", explica Vinicios Fernandes, Diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade.

Apesar das quedas substanciais em relação ao pico da crise, o levantamento mostra que os preços de boa parte dos combustíveis ainda não retornaram aos patamares anteriores à escalada militar. Na comparação entre a primeira semana do conflito (1º a 7 de março) e a semana pós-acordo (14 a 20 de junho), o diesel ainda acumula alta de 10,27%, passando de R$ 6,33 para R$ 6,98. O diesel S-10 apresenta elevação de 13,22%, de R$ 6,37 para R$7,22, enquanto a gasolina segue 5,42% mais cara, avançando de R$ 6,46 para R$ 6,81.

Fernandes acrescenta: "A tendência é que, com a concretização das negociações definitivas do acordo no Oriente Médio ao longo dos próximos 60 dias e o restabelecimento pleno do comércio internacional do petróleo iraniano, possamos observar um alívio contínuo e gradual nos preços dos combustíveis nas próximas semanas”.

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