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O mercado global de fertilizantes começa a desenhar um cenário de alívio nos custos, impulsionado por desdobramentos geopolíticos recentes. O acordo preliminar de paz entre os Estados Unidos e o Irã surge como um forte fator baixista para o setor, especialmente pela perspectiva de reabertura de rotas marítimas estratégicas na região do Golfo.
De acordo com Tomás Pernías, Analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o avanço diplomático atua diretamente sobre os gargalos logísticos e a oferta global. O Estreito de Ormuz é uma via vital para o escoamento de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes, mercados que vinham operando sob forte pressão de alta desde que a navegação local foi interrompida.
Embora a sinalização de reabertura tenda a destravar o fluxo marítimo, Pernías ressalta que a normalização total não acontecerá do dia para a noite. O mercado ainda monitora pontos críticos, como relatos de trechos potencialmente minados, a falta de confirmação por parte do Irã sobre condições para uma navegação sem restrições e os atrasos acumulados dos navios que ficaram retidos na região.
"Caso a liberação se concretize, espera-se que a normalização ocorra de forma gradual, contribuindo para ampliar o fluxo global de energia e fertilizantes, especialmente nitrogenados e enxofre", pontua.
A longo prazo, a possibilidade de retirada definitiva de sanções econômicas contra o Irã reforça o potencial de aumento na disponibilidade global desses produtos, embora o cenário atual ainda seja marcado por elevada incerteza.
Para o agronegócio brasileiro, os reflexos práticos já são visíveis no mercado de ureia. Na última sexta-feira, as cotações CFR Brasil recuaram expressivamente, anulando toda a alta acumulada desde o início do conflito. O insumo registrou sua oitava semana consecutiva de queda, acumulando uma desvalorização superior a 40% e atingindo patamares inferiores aos do período pré-crise.
Como as importações brasileiras de nitrogenados tradicionalmente ganham força no segundo semestre, essa combinação de recuo nos preços internacionais e avanço nas negociações geopolíticas ocorre em um momento altamente favorável para os compradores no Brasil.
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