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A área de trigo em São Paulo deve recuar na próxima safra de inverno. O movimento reflete a oferta global ampla e a pressão sobre os preços. O cenário dominou a primeira reunião de 2026 da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, realizada na última quinta-feira, na sede da Cooperativa Agroindustrial de Capão Bonito.
O novo presidente da Câmara, Ruy Zanardi, avaliou que o momento exige cautela no planejamento. Segundo ele, a situação do mercado mundial do grão pode reduzir a área cultivada no estado neste ano. Zanardi ponderou que o trigo segue entre as principais opções de inverno, por conta da liquidez garantida pela indústria moageira paulista e do ganho agronômico para a soja.
Os relatos das cooperativas reforçaram que o peso financeiro e a janela climática travam as decisões para 2026. Na Capal, a projeção indica queda de 20% na área de trigo frente ao ciclo anterior. Na Castrolanda, a cultura recuou de 5.700 para 4.590 hectares. O atraso na colheita da soja comprometeu o cronograma. Na Holambra, a previsão aponta manutenção de 25 mil hectares, mas a cevada avança de 2 mil para 5 mil hectares. Na Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, a expectativa segue em 4 mil hectares. Muitos produtores migraram para o milho safrinha tardio.
Na avaliação da StoneX, o mercado internacional vive um período de oferta farta, com produção recorde na Argentina e estoques confortáveis. O trigo argentino ganhou competitividade e ampliou presença em mercados como China, Indonésia, Vietnã e Bangladesh. Para o analista Jonathan Pinheiro, esse quadro limita uma reação de preços no Brasil e desestimula o produtor. Ele também apontou impacto logístico no comércio global, com redução no fluxo de navios pelo Mar Vermelho e alta nas rotas pelo Cabo da Boa Esperança.
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