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Produtores de abacate em Santa Catarina já podem acessar informações detalhadas sobre a favorabilidade climática para a ocorrência da broca-do-abacate (Stenoma catenifer), praga que pode comprometer severamente a produção. Os dados estão disponíveis no portal Agroconnect, da Epagri/Ciram, e indicam o número estimado de gerações anuais da praga, a duração de cada ciclo e sua distribuição espacial no estado, com atualizações diárias.
A iniciativa integra o projeto Miríades, desenvolvido pela Epagri/Ciram com foco no apoio ao Manejo Integrado de Pragas (MIP). Segundo a pesquisadora Iria Sartor Araújo, coordenadora do projeto, o objetivo é oferecer uma abordagem eficiente, econômica e sustentável para o controle de pragas agrícolas. “A ferramenta permite antecipar cenários de risco e aprimorar a tomada de decisão no campo”, destaca.
O projeto Miríades já disponibiliza análises de favorabilidade climática para outras pragas relevantes, como a cigarrinha-do-milho, lagarta-do-cartucho, tripes e a mariposa oriental das fruteiras. O sistema também é utilizado para o monitoramento da distribuição e do ciclo de vida do mosquito da dengue. Todas as informações são de acesso livre no Agroconnect.
De acordo com o pesquisador Hamilton Vieira, da Epagri/Ciram, o avanço das mudanças climáticas torna essencial compreender a influência das condições ambientais tanto sobre culturas consolidadas quanto sobre aquelas com potencial de expansão no estado. O cultivo de abacate em Santa Catarina apresenta boas perspectivas, especialmente em regiões litorâneas e áreas com clima mais ameno, onde o risco de geadas é menor.
Nesse contexto, a divulgação antecipada da favorabilidade de ocorrência da broca-do-abacate ganha relevância econômica e ambiental, ao permitir que produtores planejem a implantação de pomares considerando o risco fitossanitário.
A broca-do-abacate foi identificada no Brasil pela primeira vez em 1923 e é uma espécie neotropical registrada também na Venezuela, Peru e México. No país, ocorre de forma generalizada, com maior frequência em estados como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.
O inseto deposita seus ovos em fissuras e estruturas dos frutos. Após a eclosão, as lagartas perfuram a casca, alimentam-se da polpa e avançam até o caroço, causando danos severos que podem resultar em perdas de até 100% da produção.
A estimativa da favorabilidade térmica é calculada a partir de uma equação matemática que considera a duração, em horas, do desenvolvimento da praga — do ovo à fase adulta — em função da temperatura média horária. Segundo Vieira, por possuírem pequena massa corporal, os insetos são altamente dependentes da temperatura ambiente, o que torna esse tipo de modelagem uma ferramenta estratégica para o manejo agrícola.
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