Mercado de defensivos volta a crescer no Brasil

Faturamento sobe 3% em reais após queda anterior, mas recua 7% em dólar

22.04.2026 | 15:48 (UTC -3)
Fernanda Campos, edição Revista Cultivar

Com movimentação de R$ 98,7 bilhões na safra 2024/25, o mercado brasileiro de defensivos agrícolas cresceu 3% na moeda brasileira frente ao ciclo anterior (R$ 95,9 bilhões). Em dólar, contudo, o setor recuou 7% em faturamento, de US$ 19,4 bilhões para US$ 18,1 bilhões. Os dados são do estudo anual FarmTrak, da Kynetec Brasil, que considera mais de três mil entrevistas realizadas diretamente com produtores em toda a fronteira agrícola nacional. 

A desvalorização do câmbio no período, que saiu de R$ 4,94 para R$ 5,46, explica o resultado na moeda americana, informa o gerente de pesquisas da consultoria, Lucas Alves. Segundo ele, a recuperação de 3% em reais na safra é relevante para a indústria, na medida em que reverte uma queda de 13% no desempenho apurado em 2023/24.

Conforme Alves, em 2023/24, apesar dos avanços de área plantada (+1%) e da intensidade dos tratamentos realizados no campo (+9%), os preços dos insumos despencaram, em média, 79%. “Esse cenário influenciou na redução do faturamento do setor, de R$ 110,1 bilhões para R$ 95,9 bilhões”, explica. 

A expectativa da consultoria é a de que o mercado volte a apresentar crescimento, em reais, na safra 2025/26, na faixa de 8%. “Esse crescimento potencial deve ser puxado pelas culturas de soja e milho e relacionado a aumento de área plantada e à intensidade dos tratamentos adotados”, detalha.

Oscilação de preços

Lucas Alves ressalta que a compreensão dos indicadores mais recentes da indústria remete a uma análise do panorama de mercado das últimas cinco safras. Os dados da Kynetec mostram ciclos marcados por significativa elevação de preços de defensivos, a partir da chegada da pandemia de coronavírus, sucedidos por períodos de perdas nos valores dos insumos.

Entre as temporadas 2020/21 e 2022/23, o mercado de defensivos agrícolas apresentou alta expressiva, em valor, de R$ 61,4 bilhões para R$ 110,1 bilhões (+79%), além de registrar avanço na área plantada (+2%) e na intensidade dos tratamentos (+23%).

“De 2020/21 para 2022/23, o custo médio de uma aplicação de defensivos subiu de R$37,93 para R$54,15 por hectare”, exemplifica Alves. O gerente acrescenta que todos os segmentos de produtos foram atingidos pela inflação nos preços, como os herbicidas, principalmente os não seletivos.

"Uma aplicação que custava R$37,68, em 2020/21, passou a valer, em média, R$97,60 (+159%) em 2022/23. A subida dos preços também teve início em um momento de restrição de comércio de algumas das principais moléculas do mercado, devido ao fechamento de fábricas no principal fornecedor brasileiro de produtos, a China. Fretes ficaram mais caros ante a alta do dólar”, reforça.

De acordo com ele, algumas das principais commodities brasileiras, entre estas soja e milho, tiveram igualmente, nas safras 20/21 e 22/23, momentos favoráveis de apreciação nos preços. “Isto ajudou, então, a sustentar as vendas, mesmo com os custos de produção do agricultor mais elevados”, afirma.

Na safra 2024/25, aponta o especialista, a leve recuperação do setor, em reais, resultou de novos investimentos do produtor para ampliar a área plantada (+2%) e também impulsionar, em iguais 9% de 2023/24, os manejos adotados nas lavouras. “Apesar de ter prevalecido, ainda, um quadro de acomodação de preços de oito pontos negativos”, finaliza Alves.

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