Mercado Agrícola - 6.mar.2026

Guerra no Irã impulsiona soja, milho e trigo

06.03.2026 | 08:22 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A guerra no Irã elevou o petróleo e sustentou os mercados internacionais de soja, milho e trigo. O movimento puxou o óleo de soja, deu suporte aos grãos em Chicago e melhorou as cotações no Brasil, apesar da pressão negativa sobre os prêmios da soja.

Na soja, os contratos subiram de 6 a 10 pontos no último pregão de quinta-feira. O WTI passou de US$ 80 por barril. O Brent ficou acima de US$ 85 e mira US$ 90. Em Chicago, a soja já se aproxima de US$ 12 por bushel no contrato julho. O mercado formou suporte acima de US$ 11,60 nos vencimentos curtos. Na B3, a referência supera US$ 26.

A colheita da soja no Brasil alcança 52%. Mato Grosso lidera com 82%. Paraná soma 47%. Mato Grosso do Sul e Goiás marcam 40%. Bahia chega a 35%. No Rio Grande do Sul, os trabalhos ainda não começaram. Há ainda lavouras tardias no Norte, em parte de Goiás e do Maranhão, com plantio feito em janeiro e fevereiro.

A comercialização da safra velha atingiu 168,5 milhões de toneladas de um total de 171,5 milhões colhidos. O volume equivale a 98,2% da produção, perto da média de 98,5%. Na safra nova, as vendas alcançam 37,5%, abaixo dos 46,5% de um ano atrás e da média de 45%. A estimativa de safra ainda varia de 175 milhões a 178 milhões de toneladas. Deve ter volume mais próximo de 175 milhões, com chance de leve alta a depender das áreas tardias.

Situação do milho

No milho, o petróleo também deu suporte ao mercado. Em Chicago, o contrato março ficou acima de US$ 4,40 por bushel. O julho superou US$ 4,60. Julho de 2027 já ronda US$ 5. No Brasil, compradores aparecem para julho em diante. Na B3, as posições curtas passam de R$ 73 por saca.

A colheita da primeira safra de milho alcança 47%. O plantio da safrinha chega a 85%. Mato Grosso passa de 90%. Paraná fica acima de 80%. Mato Grosso do Sul supera 75%. Goiás avança além de 85%. Mesmo assim, ainda faltam 15% da área, o equivalente a quase 2,5 milhões de hectares ou mais. O comentário aponta que a janela ideal já passou.

Situação do trigo

No trigo, Chicago também registra alta forte. O contrato março tenta sustentar US$ 5,80 por bushel. Setembro já opera acima de US$ 6. Os vencimentos longos de 2027 tentam buscar US$ 6,40 a US$ 6,50. No Brasil, o trigo gaúcho passa de R$ 1.100 por tonelada. No Paraná, supera R$ 1.200 por tonelada.

As exportações brasileiras de trigo somaram 236,7 mil toneladas em fevereiro. No mesmo mês do ano passado, o volume chegou a 628,3 mil toneladas. No acumulado de janeiro e fevereiro, os embarques alcançam 607,3 mil toneladas. As importações ficaram em 215 mil toneladas em fevereiro e em 719,2 mil toneladas no primeiro bimestre. No ano passado, o acumulado do período havia atingido 1,297 milhão de toneladas.

O produtor de trigo, porém, mantém cautela com o novo plantio. A dúvida ganhou força com a disparada da ureia, insumo central da cultura, em meio à alta do petróleo e ao conflito no Oriente Médio.

Situação do arroz

No arroz, a colheita gaúcha começou a ganhar ritmo e varia de 5% a 7%. A safra brasileira deve ficar abaixo de 11 milhões de toneladas, contra 12,8 milhões no ano passado. As primeiras áreas colhidas no Rio Grande do Sul mostram boa qualidade, com produto da Fronteira Oeste entre 60 e 62 inteiros. O arroz comercial na região vale R$ 55. O parboilizado roda entre R$ 48 e R$ 50.

Situação do feijão

No feijão, o mercado perdeu força depois da alta de fevereiro. O carioca nobre de nota 9 tem indicação entre R$ 335 e R$ 360. Compradores relatam negócios entre R$ 340 e R$ 345. Vendedores pedem de R$ 355 a R$ 365. No feijão comercial, aparecem pequenas quedas de 1% a 2%, com valores de R$ 305 a R$ 325. O feijão preto também entrou em compasso de espera, com preços entre R$ 190 e R$ 205. O varejo aguarda reação do consumo para retomar compras.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp