Mercado Agrícola - 23.jan.2026

Safra brasileira avança com bons volumes, mas clima e mercado pressionam preços

23.01.2026 | 07:42 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A soja segue em alta na Bolsa de Chicago. O contrato março já ultrapassou os US$ 10,60 por bushel e o julho flerta com US$ 11. O avanço reflete a combinação de oferta global apertada e forte demanda, especialmente da China. A produção brasileira, mesmo com perdas localizadas no Piauí, deve superar 6 milhões de toneladas já colhidas. Mato Grosso lidera com 9% da área colhida. O excesso de chuvas atrasa a colheita em estados centrais.

A demanda interna por soja no Brasil também cresce. O setor de rações bate recordes e o biodiesel exige mais matéria-prima. Os embarques já superam 1,8 milhão de toneladas em janeiro, contra 1,069 milhão no mesmo mês de 2025. O farelo soma mais de 1,3 milhão de toneladas exportadas, ambos em ritmo recorde. A receita já ultrapassa R$ 7 bilhões.

No entanto, os preços internos desmotivam o produtor. A saca nos portos recuou de R$ 140 para a faixa de R$ 128 a R$ 132. Com custo alto, o produtor tende a negociar até 65% da safra para equilibrar as contas, o que pressiona os prêmios. Os valores, que estavam acima de 40 pontos, caíram para 20, com previsões de se tornarem negativos.

Situação do milho

No milho, os fundamentos são positivos no médio e longo prazo. A demanda global por rações cresce com o consumo de ovos, leite e carnes. A produção de biocombustíveis nos EUA deve aumentar, puxando o uso de milho e óleo de soja. No Brasil, a safrinha passada teve 94 milhões de toneladas comercializadas, o equivalente a 83%. Ainda há 25 milhões de toneladas disponíveis.

O plantio da nova safrinha começa sob chuvas intensas em Mato Grosso, o que dificulta os trabalhos. Como alternativa, cresce o interesse pelo sorgo, mais barato e resistente. A área deve passar de 2 milhões de hectares, com produção entre 7 e 7,5 milhões de toneladas. A demanda interna está aquecida e há interesse externo, incluindo da China.

Situação do trigo

O trigo enfrenta dificuldades. Apesar da safra recorde no Brasil, com mais de 7,5 milhões de toneladas, os preços seguem baixos. O mercado interno importa em ritmo forte, com quase 300 mil toneladas internalizadas nos primeiros 11 dias de janeiro. O trigo argentino, também em safra recorde, pressiona ainda mais. O dólar barato desestimula a exportação brasileira.

No Rio Grande do Sul, os preços sobem levemente, indo de R$ 1.030 para R$ 1.060 a tonelada. No Paraná, os valores vão de R$ 1.150 para até R$ 1.200. Mesmo assim, o mercado segue fraco. Moinhos alegam vendas lentas de farinha, inclusive para pão. O mercado aguarda a necessidade de caixa do produtor para retomar os negócios.

Situação do arroz

No arroz, a colheita ainda é pontual. Santa Catarina inicia oficialmente os trabalhos no dia 23. A safra apresenta boas condições, com expectativa de mais de 11 milhões de toneladas no Brasil. O mercado, porém, está parado. A indústria evita compras e o varejo mantém promoções, com pacotes de 5 kg entre R$ 13 e R$ 17. O arroz brasileiro, um dos mais baratos do mundo, não atrai aumento na demanda.

O preço segue abaixo do mínimo oficial de R$ 63. O governo não tem sinalizado apoio à comercialização. A indústria trava uma queda de braço com o varejo. Mesmo com oferta e qualidade, o mercado interno não reage. Exportações poderiam trazer fôlego.

Situação do feijão

O feijão, por outro lado, vive momento de alta. A queda na área plantada e os problemas climáticos limitaram a oferta. O feijão carioca de boa qualidade é negociado entre R$ 230 e R$ 260. O comercial, acima de R$ 215. O feijão preto subiu de R$ 120 para até R$ 180 em um mês, com expectativa de alcançar R$ 200. A próxima semana deve trazer mais pressão com a reposição no varejo.

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