Desafio Cesb amplia prazo de inscrições para sojicultores
Comitê estende prazo até 27 de fevereiro diante dos desafios da safra 2025/26
A soja segue em alta na Bolsa de Chicago. O contrato março já ultrapassou os US$ 10,60 por bushel e o julho flerta com US$ 11. O avanço reflete a combinação de oferta global apertada e forte demanda, especialmente da China. A produção brasileira, mesmo com perdas localizadas no Piauí, deve superar 6 milhões de toneladas já colhidas. Mato Grosso lidera com 9% da área colhida. O excesso de chuvas atrasa a colheita em estados centrais.
A demanda interna por soja no Brasil também cresce. O setor de rações bate recordes e o biodiesel exige mais matéria-prima. Os embarques já superam 1,8 milhão de toneladas em janeiro, contra 1,069 milhão no mesmo mês de 2025. O farelo soma mais de 1,3 milhão de toneladas exportadas, ambos em ritmo recorde. A receita já ultrapassa R$ 7 bilhões.
No entanto, os preços internos desmotivam o produtor. A saca nos portos recuou de R$ 140 para a faixa de R$ 128 a R$ 132. Com custo alto, o produtor tende a negociar até 65% da safra para equilibrar as contas, o que pressiona os prêmios. Os valores, que estavam acima de 40 pontos, caíram para 20, com previsões de se tornarem negativos.
No milho, os fundamentos são positivos no médio e longo prazo. A demanda global por rações cresce com o consumo de ovos, leite e carnes. A produção de biocombustíveis nos EUA deve aumentar, puxando o uso de milho e óleo de soja. No Brasil, a safrinha passada teve 94 milhões de toneladas comercializadas, o equivalente a 83%. Ainda há 25 milhões de toneladas disponíveis.
O plantio da nova safrinha começa sob chuvas intensas em Mato Grosso, o que dificulta os trabalhos. Como alternativa, cresce o interesse pelo sorgo, mais barato e resistente. A área deve passar de 2 milhões de hectares, com produção entre 7 e 7,5 milhões de toneladas. A demanda interna está aquecida e há interesse externo, incluindo da China.
O trigo enfrenta dificuldades. Apesar da safra recorde no Brasil, com mais de 7,5 milhões de toneladas, os preços seguem baixos. O mercado interno importa em ritmo forte, com quase 300 mil toneladas internalizadas nos primeiros 11 dias de janeiro. O trigo argentino, também em safra recorde, pressiona ainda mais. O dólar barato desestimula a exportação brasileira.
No Rio Grande do Sul, os preços sobem levemente, indo de R$ 1.030 para R$ 1.060 a tonelada. No Paraná, os valores vão de R$ 1.150 para até R$ 1.200. Mesmo assim, o mercado segue fraco. Moinhos alegam vendas lentas de farinha, inclusive para pão. O mercado aguarda a necessidade de caixa do produtor para retomar os negócios.
No arroz, a colheita ainda é pontual. Santa Catarina inicia oficialmente os trabalhos no dia 23. A safra apresenta boas condições, com expectativa de mais de 11 milhões de toneladas no Brasil. O mercado, porém, está parado. A indústria evita compras e o varejo mantém promoções, com pacotes de 5 kg entre R$ 13 e R$ 17. O arroz brasileiro, um dos mais baratos do mundo, não atrai aumento na demanda.
O preço segue abaixo do mínimo oficial de R$ 63. O governo não tem sinalizado apoio à comercialização. A indústria trava uma queda de braço com o varejo. Mesmo com oferta e qualidade, o mercado interno não reage. Exportações poderiam trazer fôlego.
O feijão, por outro lado, vive momento de alta. A queda na área plantada e os problemas climáticos limitaram a oferta. O feijão carioca de boa qualidade é negociado entre R$ 230 e R$ 260. O comercial, acima de R$ 215. O feijão preto subiu de R$ 120 para até R$ 180 em um mês, com expectativa de alcançar R$ 200. A próxima semana deve trazer mais pressão com a reposição no varejo.
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