Estiagem e geadas pressionam milho 2ª safra no país

Conab aponta perdas produtivas em importantes estados produtores e avanço do trigo no Sul

03.06.2026 | 15:21 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Conab

O avanço da semeadura do trigo no Sul do país ocorre sob condições climáticas favoráveis, enquanto a estiagem começa a ampliar perdas no milho segunda safra em parte do Centro-Oeste e do Matopiba. Os dados constam no Monitoramento Semanal das Condições das Lavouras, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta semana. 

A semeadura do trigo alcança 41,1% da área prevista no país. No Rio Grande do Sul, os trabalhos avançam em ritmo inicial e as lavouras já emergidas apresentam bom desenvolvimento. No Paraná e em Santa Catarina, as temperaturas mais baixas e a boa disponibilidade hídrica favorecem o estabelecimento das áreas cultivadas e o perfilhamento das plantas.

Em Mato Grosso do Sul, a umidade residual no solo mantém condições adequadas para o desenvolvimento das lavouras, enquanto em São Paulo o clima mais seco tem contribuído para melhores condições fitossanitárias. Já em Goiás, a falta prolongada de chuvas e as temperaturas elevadas comprometeram o desempenho das áreas de sequeiro em fase reprodutiva.

No milho primeira safra, a colheita atingiu 84,6% da área cultivada no país. Minas Gerais e Rio Grande do Sul registram boas produtividades, superiores às estimativas iniciais em algumas regiões gaúchas. A colheita já foi concluída em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Para o milho segunda safra, no entanto, o cenário é mais desafiador. A colheita ainda está no início, com apenas 0,6% da área colhida, mas já há relatos de perdas provocadas por geadas no Paraná e por deficiência hídrica em estados como Goiás, Minas Gerais, Maranhão e Piauí.

Em Goiás, a persistência da estiagem acelerou o ciclo do cereal e antecipou o início da colheita. Em Minas Gerais, o estresse hídrico aumenta as perdas de produtividade na maior parte do estado. No Maranhão e no Piauí, a redução da umidade no solo já compromete o desenvolvimento das lavouras tardias. Por outro lado, Mato Grosso e Tocantins seguem registrando boas perspectivas produtivas. No Pará, as condições climáticas permanecem favoráveis nas principais regiões produtoras.

No feijão segunda safra, as chuvas recentes beneficiam parte das lavouras do Paraná e de Santa Catarina, embora também dificultem o avanço da colheita. No Rio Grande do Sul, mais de 80% da área já foi colhida, enquanto em Minas Gerais predominam lavouras em boas condições.

Para o algodão, as condições seguem majoritariamente favoráveis. Em Mato Grosso, a redução das chuvas já provoca efeitos pontuais em áreas de solos arenosos, enquanto na Bahia a colheita começou lentamente. Em Goiás e Piauí, as lavouras mantêm bom desenvolvimento e cenário fitossanitário considerado positivo.

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