Caramujo-africano ganha destaque em inventário de invasoras

Brasil registra 82 moluscos exóticos; pesquisadores alertam para riscos agrícolas e falta de dados

21.07.2026 | 07:26 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de André Julião
Foto: LocoWiki / Wikimedia Commons
Foto: LocoWiki / Wikimedia Commons

O caramujo-africano (Lissachatina fulica) figura entre as 20 espécies invasoras de moluscos registradas no Brasil. O animal pode atuar como praga agrícola e hospedar o nematoide Angiostrongylus cantonensis, causador de meningite. Sua ampla distribuição reforça a necessidade de monitoramento no campo e de medidas para conter novas áreas de ocorrência.

O primeiro inventário nacional de moluscos não nativos identificou 82 espécies exóticas. Em 2011, o país contabilizava 26. O aumento chegou a 215% em 15 anos. A relação também inclui 13 espécies criptogênicas, cuja origem permanece incerta.

Os ambientes terrestres concentram 33 espécies não nativas e nove criptogênicas. Esse grupo merece atenção do setor agrícola. Muitas espécies ainda carecem de estudos sobre alimentação, dispersão, hospedeiros e danos econômicos. Os pesquisadores afirmam não conhecer os impactos da maioria dos moluscos detectados.

O caramujo-africano chegou ao país como alternativa ao escargot. O abandono dos criatórios favoreceu sua dispersão pelo território nacional. Além dos danos potenciais às lavouras, a espécie oferece risco sanitário.

O inventário classificou 12 espécies como contidas, 18 como detectadas, 20 como estabelecidas, 20 como invasoras e 12 como deficientes em dados. Os cientistas recomendam reforço da biossegurança, detecção precoce e monitoramento de longo prazo. Essas ações podem identificar espécies com potencial para se tornarem pragas antes da expansão populacional e do surgimento de prejuízos.

Outras informações em doi.org/10.1007/s10530-026-03794-7

Lissachatina fulica na agricultura brasileira

O caramujo-gigante-africano, Lissachatina fulica, foi introduzido no Brasil na década de 1980 como alternativa ao escargot europeu e, após o fracasso comercial da criação, se espalhou pelo país como espécie invasora, gerando sérios problemas de manejo em diversas regiões (DOI 10.1590/s1984-46702009000400012).

Estudos de campo mostram que a espécie tem preferência por ambientes urbanos e rurais alterados, com maior abundância em locais úmidos e com infraestrutura de saneamento precária — condições que também favorecem seu avanço sobre hortas e pomares domésticos (DOI 10.1590/s1413-415220200415; 10.18067/jbfs.v2i4.62).

A dinâmica populacional do molusco está fortemente associada a fatores climáticos: verões mais quentes e úmidos, especialmente em anos de El Niño, favorecem sua reprodução e dispersão, o que reforça a importância de definir períodos estratégicos para ações de controle (DOI 10.19180/1809-2667.v21n12019p109-124).

Entre os métodos de manejo estudados, destaca-se o uso de moluscicidas de origem vegetal, que têm se mostrado eficazes contra a espécie e representam uma alternativa mais sustentável que produtos químicos sintéticos (DOI 10.1590/1808-1657001032013).

Pesquisas sobre conhecimento popular indicam que a catação manual e a destruição de indivíduos ainda são as estratégias mais adotadas pela população para conter a praga em áreas agrícolas e residenciais (DOI 10.5007/2175-7925.2013v26n1p189).

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