Avanço de doenças na soja pode impactar resultados da safra

Monitoramento e manejo eficientes são decisivos para assegurar produtividade

21.01.2026 | 16:31 (UTC -3)
Luis Fernando Duarte, edição Revista Cultivar

O cenário para a safra brasileira de grãos 2025/2026 é positivo em termos de área e potencial produtivo, especialmente para soja e milho. No entanto, o avanço de doenças foliares, com destaque para a ferrugem-asiática, impõe desafios ao campo e reforça a importância do monitoramento constante e de estratégias de manejo bem planejadas.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada com soja deve alcançar 49,1 milhões de hectares, com produção estimada em 177,6 milhões de toneladas. Para o milho, considerando todas as safras, a projeção é de 138,8 milhões de toneladas. Os volumes confirmam o peso das duas culturas na agricultura nacional, mas também ampliam a exposição a riscos fitossanitários, especialmente em sistemas intensivos de produção.

Dados do Consórcio Antiferrugem indicam que, até o momento, já foram confirmados oito focos de ferrugem-asiática na atual safra, em municípios do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Os registros mostram que o fungo segue ativo desde o início do ciclo, com potencial de avanço em áreas semeadas precocemente ou sob condições climáticas favoráveis. Na safra anterior, foram contabilizadas 124 ocorrências da doença no país, com maior concentração no Paraná, seguido por Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Especialistas alertam que a prevenção segue como principal estratégia para mitigar perdas. O atraso na identificação dos primeiros sintomas ou na adoção de medidas de controle pode comprometer o desempenho das lavouras, com impactos difíceis de reverter em estágios mais avançados do ciclo.

Além da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi), outras doenças foliares também demandam atenção dos produtores, como a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), o crestamento foliar (Cercospora kikuchii) e a mancha-parda (Septoria glycines), estas últimas classificadas como doenças de final de ciclo.

Com a expansão da área cultivada e a intensificação dos sistemas soja–milho, o manejo integrado de doenças ganha ainda mais relevância. Entre as recomendações técnicas estão o diagnóstico contínuo das lavouras, a consideração das particularidades regionais, a rotação de ingredientes ativos e o uso de fungicidas multissítios como forma de reduzir a pressão de seleção e ampliar a sustentabilidade do sistema produtivo.

Nesse contexto, o setor de insumos segue ampliando opções de ferramentas para o controle fitossanitário. Sérgio Chidi, gerente de Produtos Fungicidas e líder para a cultura da soja da Sumitomo Chemical, destaca que soluções registradas para diferentes culturas podem contribuir para estratégias mais flexíveis de manejo. “A possibilidade de controlar diferentes patógenos amplia as alternativas dentro de programas de manejo integrado de doenças”, afirma.

Segundo ele, a diversificação de ferramentas, aliada ao uso racional e ao monitoramento em campo, é um dos caminhos para preservar o potencial produtivo das lavouras diante do aumento da pressão de doenças observado nas últimas safras.

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